Economia

OPEP: Países africanos pedem acordo para sobrevivência

Câmara de Energia Africana (CEA), que representa os produtores africanos de petróleo e gás, exortou, ontem, a OPEP a chegar a acordo sobre os preços, argumentando que está em causa a "sobrevivência da indústria".

Economias petrolíferas africanas estão a atravessar um momento extremamente difícil
Fotografia: DR

"Na véspera da reunião de amanhã da OPEP, a CEA exorta os países a trabalharem em conjunto e chegarem a acordo para restaurar a sustentabilidade do mercado" .Alerta que "a situação nas economias petrolíferas africanas é difícil e o continente precisa de um acordo para garantir a continuidade e a sobrevivência da indústria".
Segundo a Lusa, a CEA lembra que "como a OPEP não chegou a acordo sobre a manutenção dos cortes à produção em Março, os principais produtores de petróleo têm estado a au-mentar a produção para manter e subir a quota de mercado". O problema, acrescenta, é que "o aumento da produção surgiu na sequência de um choque na procura devido à pandemia da Covid-19, e fez descer os preços para uma média histórica de 20 dólares".
No seguimento da queda dos preços, vários projectos de investimento foram adiados, diz a CEA. A organização exemplifica com a decisão final de investimento da ExxonMobil no projecto do gás natural da bacia do Rovu-ma, em Moçambique, que a generalidade dos analistas dá como adiado, mas sobre a qual não existe uma confirmação oficial da petrolífera, ou com outro projecto significativo no Senegal.
"Mais importante do que isso, vários contractos de exploração e perfuração foram cancelados, ou simplesmente não vão acontecer, como é o caso de ope-
rações muito aguardadas na Gâmbia e em Angola", alertam. "A crise do confinamento dos países devido à pandemia e a guerra dos preços está a ter um efeito devastador para África e companhias produtoras", diz o presidente executivo da CEA, NJ Ayuk, citado no comunicado, no qual argumenta que "a guerra de preços não terá um vencedor".
A OPEP e aliados adiaram para amanhã a reunião prevista para segunda, sobre o colapso das cotações do petróleo associado à pandemia da Covid-19, segundo o Governo do Azerbaijão. "A reunião foi adiada para 9 de Abril", disse há dias à agência noticiosa France-Presse (AFP) a porta-voz do Ministério da Energia, Zamina Aliyeva, garantindo desconhecer os motivos do adiamento do encontro.
Os principais produtores de petróleo querem retomar as negociações para enfrentar o marasmo do seu mercado.
O corte da produção deverá ser de 10 milhões de barris por dia, um vo-lume apontado na sexta-feira pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, que defendeu a necessidade de "unir esforços para equilibrar o mercado e reduzir a produção".

 

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