Economia

País projecta refinar 360 mil barris de crude

Leonel Kassana

Com uma refinação de 360 mil barris de petróleo por dia, pelas futuras refinarias do Soyo, Cabinda e Lobito, o país estará muito próximo de satisfazer a procura interna de derivados daquele produto e exportar para os mercados de outros países da região, como o Congo Brazzaville, República Democrática do Congo e Zâmbia.

Proposta técnica indica que a Refinaria do Soyo vai ter uma capacidade de 100 mil barris por dia
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Essa quantidade corresponde a 80 por cento dos produtos refinados importados actualmente. “Hoje temos uma capacidade de refinação inferior a 80 mil barris diários. 

Há o mercado interno e há o mercado externo nos países vizinhos e isso deverá ser incentivo bastante para a construção dessas refinarias”, referiu o secretário de Estado dos Petróleos, José Alexandre Barroso, ontem, durante a apresentação técnica do projecto de construção de uma Refinaria do Soyo, província do Zaire. A refinaria do Soyo está projectada para 100 mil barris por dia, a de Cabinda 60 mil e do Lobito 200 mil, sendo que os custos desta rondam os 10 mil milhões de dólares.
Na cerimónia, o ministro dos Recursos Minerais e Petróleos, Diamantino Azevedo, reafirmou a aposta do Governo na auto -suficiência de produtos derivados do petróleo, convidando o sector empresarial privado a ter maior protagonismo no financiamento e execução de vários projectos, no quadro da estratégia definida, pelo Governo, para a área dos hidrocarbonetos.

Privados na Sonangol

Diamantino Azevedo recordou que o processo de privatização ao nível da Sonangol prevê a sua concentração no seu objecto social, em toda a cadeia de hidrocarbonetos, mas que sente-se, por vezes, “alguma incompreensão”.
“A mudança de paradigma tem de começar com a mudança de mentalidade, que é um receio entendível, mas não podemos querer menos Estado na economia, mas depois exigirmos mais Estado nos projectos”, referindo a uma resposta levantada no roadshow sobre os es-tudos de impacto ambiental da área de implantação da refinaria do Soyo e sua viabilidade.
O ministro reiterou que pretende-se que o sector privado tome as rédeas da economia e que o Estado seja o promotor e o regulador. “Actuem (empresários) efectivamente como empresários, sem receio”, insistiu o ministro Diamantino Azevedo, notando que a responsabilidade do estudo de viabilidade é deles.
“Quem faz os estudos de viabilidade, para aferir os indicadores de rentabilidade, se são aqueles que interessam e se o valor líquido actual, período de retorno e outros parâmetros satisfazem os critérios da empresa são os privados e não o Estado”, adiantou.

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