Economia

País obteve os maiores empréstimos da China

Angola foi o país africano que mais financiamento chinês captou para a construção de infra-estruturas energéticas desde o ano 2000, conclui um estudo recente da Universidade de Boston, Estados Unidos, citado ontem na imprensa internacional.

Crédito da China ao sector eléctrico angolano atingiu 8,9 mil milhões de dólares
Fotografia: Rogério Tuti| Edições Novembro

O estudo do Centro de Políticas de Desenvolvimento Globais da Universidade de Boston lembra que, nos últimos 18 anos, a China concedeu financiamento de perto de 34,8 mil milhões de dólares em infra-estruturas energéticas aos países africanos, dos quais 8,9 mil milhões de dólares em Angola, muito acima da Nigéria (6,6 mil milhões de dólares).
Zâmbia, Uganda e África do Sul receberam empréstimos chineses de mais de dois mil milhões de dólares no mesmo período, o Sudão 1,6 mil milhões e o resto dos países africanos 11 mil milhões.
No âmbito do apoio à reconstrução de infra-estruturas em Angola, a China tem apostado no financiamento da construção de barragens, nomeadamente a de Caculo Cabaça.
A nova barragem, cuja primeira pedra foi lançada em Agosto de 2017, será a de maior potência em Angola, tendo o projecto de construção recebido um financiamento de 4,5 mil milhões de dólares concedido pelo Banco Industrial e Comercial da China.
O ministro da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, disse que a construção da nova barragem de Caculo Cabaça, na bacia do médio Kwanza, vai permitir atingir a meta de nove mil megawatts de capacidade instalada em todo o país até 2025 e ainda exportar electricidade angolana para os países vizinhos.
O estudo da Universidade de Boston indica que a proporção de financiamento chinês em infra-estruturas energéticas em África tem vindo a aumentar, em relação a outras regiões e que, no ano passado, o continente africano foi mesmo o que mais recebeu mais destes fluxos de capitais (6,8 mil milhões de dólares), acima do Sudeste Asiático (5,8 mil milhões de dólares).
Os dados do estudo incluem os números do Banco de Desenvolvimento da China e do Banco de Exportações e Importações da China.
“Os bancos de desenvolvimento multilaterais tradicionais não têm sido pró-activos em relação aos grandes projectos de energia e a China está mais do que disposta a preencher esse vazio”, afirma Kevin Gallagher, professor de política de desenvolvimento global na Universidade de Boston.
O mesmo especialista adianta que a explosão demográfica de África, que deverá elevar a população do continente para mais de 1,3 mil milhões de pessoas até 2050, permite antecipar um aumento da procura por produção e transmissão de energia nas próximas décadas.
O mais recente relatório da Economist Intelligence Unit (EIU) sobre Angola afirma que as relações com a China vão continuar a receber “prioridade elevada” das autoridades angolanas, o que está patente no recente acordo sobre vistos de entrada entre os dois países.
“A abertura de uma dependência do Banco da China em meados de 2017 deverá fazer de Angola um destino mais atractivo para pequenas e médias empresas chinesas”, refere a EIU.
“O Governo também continuará a procurar empréstimos da China para permitir prosseguir com os programas de despesas de capital, para construir estradas e centrais eléctricas”, apesar de uma maior atenção das entidades chinesas ao “risco em relação aos projectos com capacidade de reembolso duvidosa”, adianta a EIU.

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