Economia

Países retiram reservas de ouro dos EUA

O alvoroço em torno das reservas de países guardadas no território dos Estados Unidos da América (EUA) ganhou maior força após o Banco Central da Turquia ter retirado do Sistema de Reserva Federal dos EUA as suas reservas de ouro, segundo o relatório anual publicado no “site” oficial do banco.

Na sexta-feira, o Banco Central da Turquia comunicou que as suas reservas de ouro armazenadas nos EUA totalizavam, no final de 2016, 28.689 toneladas, mas já não constava nada no final de 2017. Também os maiores bancos privados turcos retiraram as suas reservas de ouro do exterior, respondendo ao apelo do presidente da Turquia, para “se livrarem da pressão da taxa de câmbio e usarem o ouro contra o dólar”.
O Bundesbank, banco central da Alemanha, informou em Agosto de 2017 que havia concluído, três anos antes do previsto, o repatriamento de uma parte das reservas de ouro que o país tinha armazenado em Nova Iorque e Paris e já possui mais de metade das suas reservas em Frankfurt, tal como havia planeado.
Em 2016, o país concluiu com êxito o repatriamento do ouro dos EUA de uma parte das reservas que tinha em Nova Iorque. Nos anos seguintes, a Alemanha repatriou 85,99 e 111 toneladas de ouro, respectivamente. Assim, no ano passado, o Bundesbank repatriou as últimas 91 toneladas das reservas de ouro que tinha no exterior.
Na sequência da decisão alemã, outros países europeus também começaram a  preocupar-se com este assunto. Segundo explicou o analista Andrei Kochetkov, cada país geralmente tem as suas razões para retirar as reservas de ouro do exterior. Contudo, entre as causas principais de tantas coincidências é a falta de confiança nos EUA, sublinhou.
Os analistas entrevistados pela “Sputnik” indicaram que os países estão a aumentar as suas reservas de ouro, no meio da escalada de tensões geopolíticas, aumentando assim a independência financeira.
Andrei Kochetkov ressaltou que a Alemanha justificou as suas acções com a necessidade de aumentar a confiança do seu povo no Governo, quando em 2017 informou que havia repatriado uma parte do ouro que tinha guardado em Nova Iorque e Paris. De acordo com o analista, essas medidas demonstraram a desconfiança em relação a Washington.
Além disso, a vice-directora do Departamento Analítico da empresa Alpari, Anna Kokoreva, acredita que as medidas tomadas para repatriar as reservas de ouro tenham a ver com a geopolítica, porque “os países não querem depender dos EUAstados Unidos”.
“Os casos da Rússia, Venezuela e Irão mostraram claramente que os EUA podem impor sanções e congelar os activos de qualquer país em seu território”, explicou a analista.

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