Economia

Pecuarista denuncia concorrência desleal

Criadores de gado da região sul de Angola denunciaram a prática de concorrência desleal dos importadores de carne, alegando que estes se beneficiam de divisas, assim como de isenção de taxas aduaneiras, mas importam carnes e vendem a preços baixos. 

Luís Gata, director da Cooperativa de Criadores de Gado
Fotografia: DR

Em declarações à Angop, no Lubango (Huíla), o director-geral da Cooperativa de Criadores de Gado do Sul de Angola (CCGSA), Luís Gata, afirmou que têm sido alocados aos hipermercados e armazenistas “grandes montantes de divisas para importar carne, um procedimento fora das normas e que prejudica o desempenho dos pecuaristas nacionais".
Segundo Luís Gata, essa atitude impede que a produção nacional seja escoada, pois os preços entre a carne importada e nacional deixam por terra a vontade de colocar o produto local no mercado, embora tenha mais qualidade.
“Estamos convencidos de que essa carne que vem a Angola seja de stocks dos países de origem  que a querem libertar por terem dificuldades de a vender, e chega ao nosso país a preços baixos. Ao nível dos nossos associados contam-se mais de cinco mil cabeças de gado que deviam ter sido abatidas, mas o mercado não está apetecível”, afirmou.
Em contradição, o empresário libanês Hassan Godie, detentor de um armazém de venda de frangos e entrecosto, na zona industrial do Lubango, disse à Angop que não se beneficia de incentivos aduaneiros, afirmando que os preços que pratica têm em conta as leis angolanas.
Sublinhou que não são tão baixos, até porque a actual situação cambial fez com que houvesse alteração, em relação aos praticados em 2016.
Na mesma ordem, a comerciante Suzana da Encarnação, que detém um contentor de venda de carne importada no mercado do Mutundo, admitiu que o seu produto chega a ser mais barato que o nacional, mas que nunca recebeu qualquer reclamação directa da concorrência.
O seu produto é de origem brasileira e encontra, algumas vezes, dificuldades em manter o stock, dada a carência de moeda estrangeira, pois os bancos nem sempre dispõem de cambiais para este fim.
O preço do quilo de carne no Lubango varia entre dois mil e três mil kwanzas, nos talhos, enquanto no mercado informal podem ficar pela metade, ou seja, entre mil a 1500 kwanzas. Já uma caixa de carne importada de 15 quilos fica entre 12 mil e 15 mil kwanzas, sobretudo em armazéns grossistas.
A CCGSA completou ontem 14 anos de existência e congrega actualmente mais de 600 filiados espalhados pelas províncias do centro e sul do país.


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