Economia

Pesquisa oceanográfica vem a caminho do Soyo

Ana Paulo

A última fase do cruzeiro oceanográfico de investigação científica consagrada ao clima no Atlântico Tropical e seus Impactos, denominado “Preface”, começou ontem, com a partida do Porto de Belém, no Brasil, para o Soyo, em Angola, e Walvis Bay, na Namíbia, onde chega a 20 de Junho.

Biólogo do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha Paulo Coelho
Fotografia: Agostinho Narciso | Edições Novembro

O cruzeiro investiga o Atlântico Tropical e a variabilidade das correntes, com vista ao aumento dos conhecimentos sobre o funcionamento do sistema climático e a melhoria nas previsões climáticas.
Orçado em 8.999.700,00 euros, com financiamento concedido pela União Europeia em 2013, o projecto foi aprazado para quatro anos, envolvendo nove países africanos e igual número de europeus, entre os quais a verba foi repartida de acordo com as necessidades apresentadas.
A Angola foi destinada a quantia “não física” de 70 mil euros, utilizada paulatinamente em viagens de pesquisas, cooperação técnica e outros trabalhos de carácter científico.
O cruzeiro conta com a participação de cientistas de Angola,  Namíbia, África do Sul, Cabo Verde, Marrocos, Senegal, Benim, Costa do Marfim e Nigéria, bem como da Noruega, França, Dinamarca, Itália, Espanha, Reino Unido, Holanda, Bélgica e Alemanha.
Estas informações foram dadas ao Jornal de Angola pelo biólogo do Departamento de Oceanografia e Saúde do Ecossistema Marinho do Instituto Nacional de Investigação Pesqueira e Marinha, Paulo Coelho, que revelou que três angolanos estão entre os técnicos e cientistas que zarparam ontem de Belém, apontando particularmente o estudante finalista do Instituto Superior de Telecomunicações Emanuel Kahilo.

Benefícios obtidos
Angola aderiu ao projecto “Preface” em 2007, numa conferência realizada no Instituto Superior de Ciências e Tecnologias de Informação, em Luanda, financiada pela União Europeia, mas desde 1985 cooperava com a Noruega na recolha de dados científicos na superfície do mar, monitorizando temperaturas, salinidades, oxigénio e fluorescência.
A cooperação com a Noruega trouxe bons resultados, segundo Paulo Coelho, que anunciou que, em 2016, em operações às que se juntou a Alemanha, foi constado que o fenómeno “El Niño”, caracterizado pelo aquecimento das águas, ocorre na costa angolana.
Paulo Coelho informou que, com esta descoberta, é possível identificar as zonas de mínimo teor de oxigénio, como foi observado entre os meses de Outubro e Dezembro de 2015 na costa do Lobito, quando o teor de oxigénio desceu para níveis muito baixos, com variações que levaram a alterações na distribuição dos recursos marinhos vivos e a perdas económicas na actividade pesqueira.
Outro resultado é que, com o “El Niño”, as águas quentes da parte norte de Angola estão a invadir a zona sul, onde as correntes são frias, afugentando as espécies marinhas e trazendo  perdas económicas para as comunidades piscatórias.
“Neste momento, as temperaturas da superfície do mar continuam a ser as do tempo quente. Estas alterações prejudicam as espécies, afastando-as para o mais longe possível”, sublinhou Paulo Coelho, que reconheceu que este conhecimento foi obtido graças às conclusões da cooperação com a Noruega, no âmbito da pesca, e da Alemanha, no capítulo da sonografia.
Como benefício desta cooperação, Angola implantou uma bóia oceanográfica na zona do Quicombo, Cuanza-Sul, em 2013, que permite a recolha de dados contínuos das correntes e parâmetros oceanográficos.

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