Economia

Polícia prepara corpo de protecção turística

Leonel Kassana e Hélder Jeremias

A Polícia Nacional (PN) está a preparar a instituição de um corpo de protecção ambiental e de turistas, numa decisão que visa garantir a atractividade do sector em Angola e que se enquadra num programa denominado “Turismo com Segurança”, lançado em 2017.

Polícia Nacional prepara unidade para garantir a imposição de Angola como destino turístico
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

A operação revelada pelo director da PN para a Ordem Pública, Mário Santos, no 1º Congresso Nacional sobre Hotelaria e Turismo, realizado, quinta e sexta-feira, em Luanda, foi concertada entre a corporação policial e operadores da indústria angolana de turismo.

Numa dissertação apresentada ao congresso sobre as “Condições de segurança e livre circulação de turistas a nível nacional”, Mário Santos considerou que a decisão tem potencial para promover Angola como um destino turístico seguro.
“A segurança ao turismo entende-se como um vasto leque de acções policiais e não só, de protecção aos turistas e aos locais de atracção turística, contra quaisquer actos que atentem contra o direito de todos se sentirem seguros e desfrutarem em paz e tranquilidade dos pacotes turísticos disponíveis”, disse o comissário Mário Santos para definir a decisão adoptada pela PN e os operadores.
O programa, adiantou, tem como principais eixos a criação de condições técnicas, operacionais e de segurança para os turistas, reforço da cooperação, eliminação de ameaças à actividade turística, controlo e a obtenção de informações sobre zonas turísticas.
A estratégia inclui a segurança no transporte terrestre, aéreo e fluvial para os locais de interesse turístico, no quadro da estabilidade em geral, e das zonas turísticas em particular.
De acordo com o responsável, estão em curso acções para melhorar a atenção aos turistas estrangeiros, facilitando a disponibilidade de intérpretes e a comunicação com as Embaixadas e consulados dos respectivos países, bem como a criação de equipas de proximidade adstritas às unidades já implantadas nas áreas de maior atracção.
Mário Santos sublinhou que a Polícia Nacional já disponibiliza aos turistas informações sobre as medidas a adoptar para evitar “crimes e incivilidades”, através de desdobráveis e das plataformas digitais, estando a aperfeiçoar os procedimentos de planificação e execução de medidas contra a delinquência nas zonas turísticas.
As medidas anunciadas pela Polícia Nacional foram corroboradas pelo presidente da Associação dos Hotéis e Resorts de Angola (AHRA), Armindo César, que aconselhou os filiados a adoptarem medidas adicionais de protecção dos clientes, com a criação de um corpo de segurança adequado.
Deu como exemplo situações de acesso de pessoas estranhas aos quartos de hóspedes nos hotéis e resorts, do que podem resultar incidentes graves.

Roteiro regional
Um roteiro turístico entre Angola e Moçambique deve ser proposto à liderança da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC) como parte dos planos regionais de desenvolvimento do sector.
Essa decisão figura entre as conclusões do 1º Congresso Nacional sobre Hotelaria e Turismo, realizado quinta e sexta-feira, em Luanda, pela AHRA e foi particularmente defendida por Ayuca Bay, um operador moçambicano com elevada experiência nos sectores de Hotelaria e Turismo de Angola e Moçambique.
Apesar de Moçambique não dispor dos mesmos recursos de Angola em termos de paisagens, aquele país dá passos significativos no domínio do turismo, sendo um dos destinos mais atractivos da região, o que resulta num peso significativo do sector no Produto Interno Bruto (PIB) e na provisão de emprego.
O operador solicitou às autoridades dos países da região que não tenham receio em criar políticas migratórias de facilitem um fluxo mais elevado de turistas, de forma a elevar a taxa de ocupação nas unidades hoteleiras, rentabilizar os custos operacionais das companhias aéreas e dos outros serviços que o sector congrega.


Isenção de visto permite entrada de oito mil

O número de vistos de entrada emitidos no primeiro semestre, no âmbito do novo Regime de Isenção e Simplificação de Concessão de Vistos de Turismo, em vigor desde Março de 2018, é de 8 410, anunciou o subcomissário do Serviço de Migração e Estrangeiros (SME) Teixeira Adão.
O subcomissário, que falava numa conferência do 1º Congresso sobre Hotelaria e Turismo, sublinhou que os vistos foram obtidos via online nas fronteiras de Massabi (Cabinda), Santa Clara (Cunene), Luau (Moxico) e do Aeroporto Internacional 4 de Fevereiro, em Luanda, e no Aeroporto Internacional de Mukanca, Huíla.
Dados indicam que, no ano passado, 18. 409 turistas estrangeiros receberam visto de turismo, sendo o Brasil, China e Portugal os países cujos cidadãos mais beneficiaram das autorizações de entrada.
As novas regras isentam e facilitam o acesso ao visto a cidadãos de 61 países, incluindo Portugal, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Brasil e Timor-Leste, desde que apresentem bilhete de passagem, passaporte, comprovativos de alojamento e meios de subsistência no pedido de validade do visto de turismo, que é emitido já à chegada à capital angolana ou em qualquer outra fronteira de entrada.
Teixeira Adão lembrou que a necessidade de adequar as acções para lidar com as exigências do fenómeno migratório determinou, por parte do Governo, a adopção de uma política de imigração, consubstanciada na criação de um pacote legislativo migratório baseado na simplificação de prodecimentos administrativos.

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