Economia

Postos de abastecimento de combustível sem gasolina

Manuel Barros | Cacuaco

Desde quinta-feira que os postos de abastecimento de combustível da Sonangol e Pumangol, nos municípios de Cacuaco, Viana e de Luanda enfrentam restrições no fornecimento de gasolina aos automobilistas, moto-taxistas e munícipes e alguns registam longas filas.

Fotografia: Contreiras Pipa

A carência de gasolina tem causado alguns tumultos nos postos de abastecimento por parte dos munícipes, que não entendem as causas da falha, uma vez que a refinaria de Luanda fica nos arredores do município e muito menos há uma informação oficial sobre o que se passa.
A reportagem do Jornal de Angola fez uma ronda em alguns postos de abastecimento de Cacuaco e constatou longas filas em algumas bombas de combustível, o mesmo acontecendo em Viana, onde o posto de abastecimento da Estalagem, afecto à Sonangol, registou enchente fora do normal na noite de sábado, quando nos dias anteriores estava às moscas.
Se no município mais a norte de Luanda as bombas da Pumangol ainda abasteciam as viaturas, em Viana o quadro era diferente na sexta-feira, sábado e ontem, estando os estabelecimentos a vender apenas o gasóleo, ficando horas à fio sem clientes.
O Jornal de Angola tentou contactar os gerentes das bombas de combustível da Pumangol, no bairro da Vidrul e da Sonangol, no bairro da Mulemba, Distrito Urbano do Kicolo, mas estes recusaram pronunciar-se sobre o assunto.
Mariza Manto, moradora do bairro Monte Belo, município de Cacuaco, disse ao Jornal de Angola que há quatro dias que não tem energia eléctrica em casa, porque o gerador está sem combustível e sempre que se dirige a um posto de abastecimento não consegue comprar gasolina, porque quase sempre as bombas não têm o produto.
“ Já estou na fila há uma hora e não saio daqui sem conseguir levar este bidão de cinco litros de gasolina em casa para abastecer o gerador”, disse.
O moto-taxista Paulino Pereira afirmou que anda à procura de gasolina desde quinta-feira e por isso não consegue trabalhar com a sua motorizada.
Com um bidão de cinco litros à mão e semblante agastado, Paulino afirma não entender o porquê da falha, adiantando que no município de Cacuaco há poucos postos de abastecimento e não conseguem acudir à demanda.
Outro factor que tem provocado enchentes nos postos de abastecimento é a indisciplina dos utentes, pois todos querem ser os primeiros a serem atendidos e por vezes o gerente é obrigado a suspender o atendimento até que os mesmos se organizem.
“Alguns tentam subornar os funcionários das bombas”, disse o taxista que faz a rota Kicolo/ vila de Cacuaco, referindo que “muitas vezes são perdidas três horas nas longas filas para poder abastecer o carro”, disse Jacinto José.
O Jornal de Angola constatou também a venda informal da gasolina. Em alguns bairros de Cacuaco um litro está a ser comercializado a 300 kwanzas.
Segundo uma fonte do posto de abastecimento de combustível da Pumangol, no bairro da Vidrul, a unidade recebia diariamente 35 mil litros de gasolina, mas nos últimos dias tem recebido metade dessa quantidade.
No bairro das Salinas, em Cacuaco, o posto de abastecimento da Pumangol está desde a última terça-feira sem receber abastecimento de gasolina.No entanto, o fornecimento de gasóleo não tem sofrido qualquer falha.

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