Economia

Preços recuperam dentro de três anos

Os preços do petróleo devem manter-se baixos durante os próximos três anos, afirmou sexta-feira em Yaoundé, Camarões, a directora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde.

Directora do FMI aconselha reformas para restaurar o crescimento nas economias petrolíferas
Fotografia: DR

Ao falar perante representantes da Comunidade Económica dos Estados da  África Central (CEEAC), a directora-geral do FMI mencionou expectativas dos mercados que apontam para uma “modesta recuperação” para cerca de 60 dólares por barril em 2019.
Desde Junho de 2014, os preços de petróleo caíram em cerca de 70 por cento, de 120 dólares por barril para os actuais 33, pelo que Christine Lagarde considerou que “mais do que nunca, é preciso uma agenda ambiciosa de reformas com foco na diversificação e na integração regional”, para restaurar um forte crescimento e garantir que o avanço seja inclusivo.
No encontro, que abordou os preços baixos do petróleo e o financiamento das infra-estruturas, Christine Lagarde afirmou que, em certos casos, pode ser necessário um ajustamento nos planos de investimento em grande escala a curto prazo.
O objectivo da medida seria preservar a capacidade fiscal e a sustentabilidade da dívida a médio prazo. Para a responsável, um ajustamento à nova realidade também significa tirar partido de novas fontes de crescimento.
A directora-geral do FMI revelou ainda que o organismo financeiro mundial está disposto a prestar assessoria sobre políticas, capacitação e apoio financeiro aos países da CEEAC em caso de necessidade.
Christine Lagarde lembrou que a economia mundial registou um crescimento modesto e desigual de cerca de 3,1 por cento em 2015. A expectativa é que “a fragilidade persista em 2016”, declarou.
A directora-geral do FMI apontou para uma possível recuperação da CEEAC de 3,5 por cento este ano, mas mencionou o impacto negativo de acções das milícias Boko Haram na região.
Outros factores incluem o aumento das divergências de política monetária nas principais economias e o facto da China, maior investidor em África, passar pelo reequilíbrio histórico do modelo económico e pela moderação do crescimento.
Uma das razões para a economia global estar tão lenta é que, sete anos após o colapso do Lehman Brothers, a estabilidade financeira ainda não está assegurada. O FMI alerta que as fraquezas do sector financeiro persistem em muitos países. A dívida elevada, o baixo investimento e os bancos debilitados continuam a penalizar muitas economias emergentes, que continuam a enfrentar ajustamentos depois da expansão pós-crise do crédito e do investimento.

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