Economia

Prejuízos ascendem a mais de 35 milhões de kwanzas em dois meses

Estanislau Costa | Lubango

Mais de 35 milhões de kwanzas é o prejuízo que o Caminho -de- Ferro de Moçâmedes (CFM) registou nos últimos dois meses, como consequência da paralisação da circulação do comboio, entre as cidades do Lubango (Huíla) e Menongue (Cuando Cubango), com deslizamentos de terra, pedras e árvores sobre a linha férrea, na localidade da Olivença, cerca de 60 quilómetros a Leste da capital provincial.

Fotografia: DR

O presidente do Conselho de Administração do Caminho - de - Ferro Moçâmdes, Daniel Quipaxe, que avançou os dados ao Jornal de Angola, mostrou receio de que os prejuízos financeiros venham a aumentar, devido às dificuldades na reposição dos solos que sustentam a linha férrea.
Daniel Quipaxe garantiu, no entanto, que vários troços da linha, seriamente danificados pelos solos arrastados pela chuva, estão em reparação. "A maior dificuldade neste momento está na zona da Olivença, cerca de sessenta quilómetros a leste da cidade do Lubango, devido às enxurradas que caem frequentemente nos últimos dias”, referiu.
Adiantou que as águas das chuvas obstruíram os vários sistemas de passagens hidráulicas com lamaçal, pedras e arbustos, dificultando a instalação e movimentação de equipamentos pesados, enviados ao local, para obras de restauração do troço, vital para a circulação e trocas comerciais na Região Sul de Angola.
Daniel Quipaxe, que esteve, segunda-feira, na localidade da Olivença, acompanhando uma equipa liderada pelo secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Guido Cristóvão, sublinhou que as obras no referido troço poderão custar mais de 200 milhões de kwanzas.
Para lidar com a interrupção da circulação e atingir a cidade de Menongue, a direcção do Caminho- Ferro-de-Moçâmedes optou pela utilização da estação do município da Matala, cerca de 200 quilómetros a leste da cidade do Lubango, onde os passageiros chegam de táxi e outros veículos.

Novos equipamentos
Duas novas locomotivas com características multi-motoras, para o transporte urbano e inter-urbano de passageiros são entregues, brevemente, às direcções ferroviárias das províncias da Huíla, Huambo e Benguela, no seguimento de um programa desenvolvido pelo Ministério dos Transportes.
O secretário de Estado para os Transportes Terrestres, Guido Cristóvão, que revelou o facto, adiantou que as novas locomotivas modernas da Huíla chegam ainda no primeiro semestre deste ano, elevando de 47 para 210 mil a capacidade de transporte de passageiros do Caminho-de-Ferro por mês.
Actualmente, a capacidade instalada no CFM permite o transporte diário de mais de 300 passageiros, entre as cidades do Lubango e Menongue, bem como grandes quantidades de mercadorias, produtos do campo, sobretudo cereais, feijão, batata doce e rena e animais.
Passageiros entrevistados pelo Jornal de Angola reagiram positivamente ao recurso à Estação da Matala, para manter a ligação para Menongue.
Carlos Mangalo, comerciante de hortaliças há seis anos, disse que a alternativa encontrada permite manter em actividade alguns empreendedores. “O escoamento de produtos do campo nesta época de colheitas é muito animadora, pois se processa sem constrangimentos”, adiantou.
Marcos Alberto, outro comerciante, aplaudiu a medida da Administração do CFM, mas apelou para a celeridade das obras na Olivença, por minimizar os custos com o transporte de carro até à Matala. "Os passageiros residentes no Lubango ou noutras paragens fazem enormes gastos com o táxi até à Matala, onde apanham o comboio com destino à Menongue", lamentou.

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