Economia

Privatizações vão além do encaixe financeiro

Especialista do International Finance Corporation (IFC), instituição do Banco Mundial, defende que o sucesso do programa de privatizações do Governo angolano não depende apenas do encaixe financeiro e não deve ser avaliado só no curto prazo.

Fotografia: DR

Em entrevista à Lusa, Katia Daúde, representante interina do IFC para Angola, que assessora as autoridades angolanas no processo, sublinhou que na lista das 195 empresas a privatizar encontram-se várias entidades que receberam investimentos públicos e foram criadas para responder a necessidades produtivas e infra-estruturas de que o país necessitava, mas muitas delas não se encontram a funcionar ou não produziram os resultados esperados.
Por isso, para a responsável do IFC, instituição vocacionada para o sector privado nos países em desenvolvimento, “o mais importante é ver como as empresas a ser privatizadas estarão a funcionar dentro de alguns anos”.
De acordo com o programa de privatizações, apresentado em Agosto, serão alienadas total ou parcialmente 195 entidades, através de concurso público, leilão em bolsa ou oferta pública, até 2022, incluindo a petrolífera Sonangol, a TAAG e os Correios de Angola.
Questionada sobre as perspectivas de encaixe financeiro do programa, Katia Daúde não quis entrar em detalhes: “Estamos mesmo no início do processo, ainda não fizemos avaliação às empresas”, justificou, adiantando que o acordo de assessoria do Banco Mundial com o Governo angolano foi celebrado há pouco mais de um mês.
Além disso, “o encaixe financeiro é importante, mas é apenas um momento, único”, continuou, assinalando que o IFC está mais atento “ao que isto possa gerar para a economia, a nível de empregos, receitas fiscais e PIB”.
Quanto ao período definido para as privatizações, reconhece que “é ambicioso”, mas encara o calendário como “um compromisso do Governo” com o processo.
“O que interessa é fazer o processo bem feito, o Governo irá ponderar com certeza entre fazer rápido e fazer bem”, reforçou, insistindo que “o sucesso do programa não tem a ver com a rapidez nem com o encaixe”, mas sim com os seus resultados a longo prazo.
Para Katia Daúde, este é um passo importante na diversificação económica de Angola.
“A economia tem estado muito concentrada no sector petrolífero e o próprio sector privado ocupa um espaço reduzido e muito centrado nesta área”, salienta, acrescentando que “o sector privado é importante” e pode “trazer oportunidades”, aumentar o investimento externo e reforçar o 'know-how'.

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