Economia

Programa Angola Investe experimenta dificuldades

André dos Anjos

O presidente da Confederação Empresarial de Angola, Francisco Viana, revelou em Luanda, estar na posse de informações que dão conta de que o Programa Angola Investe, principal instrumento de apoio e financiamento público às micro, pequenas e médias empresas, está em dificuldades.

 

Francisco Viana diz que bancos envolvidos no programa estão sem reforço de fundos
Fotografia: Vigas Da Purificação | Edições Novembro

“Temos informações  de que os bancos comerciais não estão a receber os reforços do fundo de garantias, nem os pagamentos compensatórios dos juros  bonificados”, declarou sexta-feira, Francisco Viana, na presença do secretário de Estado para Economia, Sérgio Santos, na cerimónia de lançamento do Primeiro Congresso de Produção Nacional. Operado por bancos comerciais nacionais e coordenado pelo Ministério da Economia, o "Angola Investe"  concede créditos com juros bonificados, sendo mais reduzidos que um financiamento bancário tradicional para as empresas. Num discurso de improviso, que se estendeu para lá de uma hora, o presidente da Confederação Empresarial de Angola passou em revista os principais problemas que afectam a economia nacional.
Em relação à situação financeira do país, Francisco Viana desafiou as autoridades a fazerem “um combate cerrado contra a máfia prevalecente no mercado cambial, cujas consequências para economia são do conhecimento público”.
O combate à máfia no mercado cambial, declarou , “tem de ser transversal, começando por uma maior fiscalização ao próprio Banco Nacional de Angola, até chegar a outros operadores bancários que actuam de forma fraudulenta”.
Francisco Viana referiu que essa máfia “está em todos os níveis da estrutura bancária”, sabendo-se de situações em que “a partir do BNA há transferências que não se conseguem entender, como os 500 milhões de dólares que saíram ilegalmente do país, enquanto empresários idóneos não conseguem divisas”.
“Temos estado a assistir a uma grande promiscuidade entre aqueles que são banqueiros e ao mesmo tempo empresários, que, na insuficiência de divisas, tendem a canalizar as poucas que aparecem para as suas empresas”, lamentou.
“ Não acontece em todos os bancos, mas sabemos que entre os accionistas faz-se essa divisão das divisas, depois entre os directores e a outros níveis, ficando os empresários nacionais sem cambiais”, ressalvou.
A  propósito das dificuldades com que os empresários angolanos se debatem, o presidente da CEA manifestou desagrado com o problema da concorrência desleal, em que governantes também são empresários e tiram vantagens das posições que ocupam.
“ O nosso apelo é que os políticos façam política e deixem os empresários fazerem negócios”,  disse, advertindo: “ se não acabarmos com a corrupção, a corrupção vai acabar connosco”. 
Francisco Viana lembrou que  Angola é um país que depende muito da contratação pública, sendo o Estado o maior comprador dos serviços, embora a grande maioria dos empresários não receba atempadamente pelos serviços prestados.
“ Mesmo sem receber, somos penalizados pela autoridade tributária que nos aplica multas e ajuda a agravar ainda mais a nossa situação”, assegurou.
A CEA inicialmente constituída por 51 associações empresariais e união de cooperativas das 18 províncias do país visa fortalecer a plataforma de diálogo entre o sector empresarial e Governo.
A instituição, que tem como presidente de direcção Francisco Viana e 12 vice-presidentes, é a mais representativa desta classe no país, por absorver homens de negócios dos mais variados sectores, como, entre outros, agrícola, pecuário, hoteleiro, panificação, mecanização agrícola, dentre outros.

Tempo

Multimédia