Economia

Província de Cabinda recebe energia da RDC

Angola e a República Democrática do Congo (RDC) assinaram um Acordo-Quadro de cooperação no domínio de energia, que vai viabilizar a construção de uma linha de transporte de energia de 220 kv, da barragem do Inga à província de Cabinda.

Turbinas existentes em Cabinda são insuficientes para a procura
Fotografia: Rafael Tati | Cabinda|Edições Novembro

Foram signatários do acordo rubricado na cidade de Cabinda, na quarta-feira, os ministros da Energia e Águas de Angola, João Baptista Borges, e da Energia e Recursos Hídricos da RDC, Ingele Ifoto.
A linha de transporte deve partir da barragem do Inga na RDC, passando pelas vilas congolesas de Boma e Mu-anda, até chegar em Cabin-da, numa extensão de 225 quilómetros.
Na acta do encontro, ficou o compromisso de estabelecer-se bases gerais para a cooperação entre os dois governos no domínio da electricidade, com vista a contribuírem para o bem estar das respectivas populações e reforçar a cooperação por meio de acções concretas a serem implementadas.
Presente na cerimónia, o governador de Cabinda, Eugénio Laborinho disse que a assinatura do acordo mar-ca o início de um caminho importante para a efectivação do sonho da população desta província em ver solucionado o problema da energia eléctrica.
Com a chegada da energia do Inga, disse, a província de Cabinda vai desenvolver a sua actividade industrial, com destaque para o Pólo Industrial do Fútila e tirar maior proveito do Porto de Águas Profundas do Caio e dos projectos do sector da Agricultura.
O ministro angolano da Energia e Águas afirmou que o projecto Inga-Cabinda é  o primeiro de entre vários que se vão seguir em bases mutuamente vantajosas.

Parte congolesa
Da parte congolesa, o  ministro Ingele Ifoto mostrou-se satisfeito pelo acordo que, como disse, significa a concretização de mais um passo no sentido da consolidação das  relações entre os dois países, tendo recomendado, para o efeito, ao comité técnico para trabalhar para o avanço do acordo. Além da cidade de Cabinda, a linha de energia eléctrica vai servir, também, as localidades de Boma e de Muanda (RDC), por onde vai passar.
Desde 2006, os Governos de Angola e da RD Congo, no quadro da cooperação energética têm vindo a realizar encontros no sector energético para solucionar a situação de produção de energia na província de Cabinda, com a construção de uma linha de transporte de energia a partir da barragem hidroeléctrica do Inga.
A construção da linha de transporte, do Inga, passando pela vila portuária do Muan-da, estava inicialmente avaliada em cerca de 20 milhões de dólares.

Turbinas em Cabinda
Actualmente, Cabinda conta com três turbinas com sistema dual (gás e gasóleo) que fornecem  95 mw, insuficientes para as necessidades locais.
Localizada na cidade de Matadi, província do Congo Central, a barragem do Inga possui um potencial hidroeléctrico de 40 mil a 45 mil me-gawatts, dos 100 mil mw de que a RD Congo dispõe.
Actualmente, conta com duas centrais, a do Inga I e Inga II, de mil e 800 mw cada uma. As duas entraram em funcionamento há décadas. A primeira em 1972  e a segunda em 1982.
O ministro angolano da Energia e Águas adiantou que, com o tempo, se pretende igualmente criar condições técnicas e financeiras para a compra e venda de energia entre os dois países, Angola a partir do Cassai Ocidental e a RDC a partir de Maquela do Zombo.

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