Economia

Recredit pode ter prejuízos com activos

Isaque Lourenço

Os três imóveis localizados em Luanda e que o Banco de Negócio Internacional (BNI) cedeu à Recredit como pagamento de uma dívida podem representar prejuízos nas contas financeiras deste ano, caso não se assuma uma posição sobre o destino a dar aos mesmos.

BNI é uma das instituições bancárias que opera no mercado financeiro nacional
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Esta análise do Conselho Fiscal da Recredit basea-se no facto de a actual dinâmica do mercado imobiliário indicar fortes possibilidades naquele sentido. No início de 2019, foi anunciado a recuperação de 24 mil milhões de kwanzas em atrasados negociados junto do Banco de Negócio Internacional, além de quase 300 mil milhões do público BPC.

Na ocasião, a gestão à frente da entidade negou-se precisar o valor da dívida do BNI para com a RECREDIT, avançando apenas o balanço anual como um indicador sobre como se procederam sobre o assunto. Relativamente às demonstrações financeiras, o Conselho Fiscal destaca a forte evolução dos resultados líquidos, resultante dos juros e rendimentos dos activos e do reconhecimento das variações cambiais dos mesmos.

No seu parecer, os membros do organismo encarregue de fiscalizar a conformação dos resultados, os actos da administração e o parecer do auditor externo lembram que a Recredit deverá proceder à devolução do montante remanescente das Obrigações do Tesouro, em cumprimento do Decreto Presidencial n° 165/17, de 12 de Julho. 

Por esta razão, recomendam à devida ponderação caso se pretenda fazer a distribuição de dividendos por formas a não agravar o reconhecimento de perdas este ano. Sobre as contas da entidade, o auditor independente emitiu um parecer sem reservas. Uma boa referência foi mesmo a captação no balanço de 2019 do valor de 10,8 milhões de kwanzas resultante da alienação de outros activos, conforme evidencia o relatório de balanço publicado há dias.

Resultado líquido
Em termos de resultados, o líquido anual de 2019 calculou-se em 105,1 mil milhões de kwanzas, 12 vezes superior aos 8,4 mil milhões de 2018. Os activos estimaram-se em 581,2 mil milhões também acima dos anteriores 448 mil milhões de kwanzas.

O total do passivo registado é de 158,4 milhões de kwanzas da qual uma dívida a terceiros de 11,8 milhões e 146,6 milhões junto de fornecedores.

Até 31 de Dezembro o balanço de 2019 da RECREDIT registou activos fixos de mais de 1,1 mil milhões, dos quais 821,2 milhões tangíveis (facilmente convertíveis) e 295,1 milhões intangíveis. Os outros activos não correntes calcularam-se em 31,5 mil milhões isto apenas no balanço de 2018.

Neste exercício de 2019, a entidade revelou ainda outras dívidas de terceiros no valor de 24,1 mil milhões, já bem abaixo dos 94,1 mil milhões com que fecharam 2018.

O activo financeiro ao justo valor, através de outro rendimento integral, que em 2018 foi de 319 mil milhões, no balanço em referência estimou-se em 539,8 mil milhões de kwanzas.

Para isso contribui, de igual modo, o desempenho dos resultados cambiais, onde totalizou-se um positivo de 154,3 mil milhões de kwanzas também acima dos 136,3 mil milhões do exercício anterior.

A margem financeira ficou nos 32 mil milhões, também muito acima dos 21,2 mil milhões de 2018.

Com o core business (negócio nuclear) de comprar dívidas, fundamentalmente crédito mal parado e fazer a sua boa cobrança hunto dos mutuários, a Recredit iniciou desde 2016 um processo de limpeza destes activos tóxicos na carteira de resultados do Banco de Poupança e Crédito (BPC).

Inicialmente estava vocacionado para a banca na sua plenitude, mas sob correcção do accionista Estado, apenas o banco público ficou na esfera desta entidade. Foi já neste papel que, recentemente, foi anunciado a compra de dívida de 951 mil milhões de kwanzas, 80 por cento da carteira do crédito mal parado do BPC.

Tempo

Multimédia