Economia

Reformas do Governo animam investidores

Armando Estrela

Os esforços do Governo angolano para a estabilização do quadro macroeconómico, como a gestão das taxas de câmbio, podem levar à condução de novos investimentos privados e um maior crescimento no futuro, assegurou ontem, em Luanda, o economista chefe do Banco Mundial para a África, Albert Zeufack.

“No caso específico de Angola, acreditamos que as reformas iniciadas pelo novo Governo acentuam-se no passo e no caminho certo”, sublinhou Albert Zeufack, ao reflectir sobre o novo quadro político e macroeconómico do país, ao mesmo tempo que admitiu que os esforços com vista a diversificação da economia atraindo mais investidores privados, sobretudo no sector não pe-trolífero, são passos bastante importantes para a sustentabilidade desse crescimento no futuro.
“As reformas estruturais, incluindo o melhoramento da governação, são bastante difíceis mas essenciais para sustentar o melhor crescimento”, disse o representante do Banco Mundial (BM) para a África. “Devemos sublinhar que a diversificação do sector petrolífero não é tarefa fácil, daí que tem de haver esforços sustentáveis, para que a economia angolana possa criar empregos”. Criar empregos para a juventude, disse, “é um passo bastante importante” e o “Governo deve criar mais oportunidades de emprego, manter o clima de reformas nos investimen-tos e continuar com investimento a nível de infra-estruturas, capital humano e inovação”.
Em visita de trabalho de três dias ao país, Albert Zeufack informou que um dos objectivos que “me traz aqui é saber que Angola é importante na economia subsaariana do continente”, tendo em linha de conta que Angola é a terceira economia da região a sul de África.
“Em Angola existe um desenvolvimento bastante positivo, do ponto de vista de transição política que conduz  a um novo quadro político e uma nova reforma económica e a nível do Banco Mundial temos real interesse no que se passa e acontece neste país”.
O economista chefe do Banco Mundial para a África, indicou que os factores extremamente importantes a ter em conta, tem a ver com a dependência do petróleo, já que o colapso dos preços, em meados de 2014, conduziu também ao colapso do crescimento económi-co angolano.

Angola contorna a crise

Ainda assim, referiu, “estamos satisfeitos por saber que o país está a contornar a situação”, pois, para o Banco Mundial o crescimento em Angola para 2018 está projectado em 1,8 por cento e para 2019 perspectiva-se entre 2,00 a 2,5 por cento. “Embora esses níveis sejam inferiores aos registados an-tes da crise, pensamos que se trata de uma recuperação que vem posicionando Angola em melhores patamares e resultados, do ponto de vista macroeconómico”, confirmou Albert Zeufack.
Do ponto de vista da mo-nitorização macroeconómica para África, o Banco Mundial projecta que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) esteja na base dos 3,2 por cento em 2018 contra os 2,4 de 2017. Comparativamente com o ponto mais baixo em 20 anos, atingido em 2016, a África cresceu apenas 1,5 por cento, isto no ano de 2016.
Com esses factores de crescimento Albert Zeufack diz-se satisfeito, “porque verificamos uma recuperação na região subsaariana que, mesmo que modesta, tem sido alimentada pelos preços da matéria-prima, além de outros bons indicadores do ponto de vista do melhoramento da estabilização macro ao nível do continente”.

O continente africano
A nível dos países africanos, a inflação baixou consideravelmente e essa tendência descendente também se verifica em Angola, onde havia alta de 40 por cento. “Hoje atinge 22 por cento em 2018 e, mesmo que se trate ainda de uma taxa bastante alta, considera-se haver progressos e estamos a trabalhar conjuntamente com o Governo com vista a assegurarmos que este declínio continue e a baixa da inflação continue”, sublinhou Albert Zeufack.
Segundo o economista chefe do Banco Mundial para a África, há actualmente uma pressão sobre a taxa de câmbio a nível do continente, verificando-se alguns países com um desalinhamento nas respectivas taxas.
Além disso, verifica-se igualmente uma redução do equilíbrio fiscal, ainda que se note um espaço fiscal bastante constrangedor e apertado. De uma forma global, a África tem estado a recuperar, embora a tendência vai num campo modesto. “A boa informação, a boa notícia é que em 2018 o PIB per capita da África Subsaariana vai ser novamente positivo”, admitiu Albert Zeufack.

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