Economia

Relatório aponta pobreza em 41 por cento da população

Victorino Joaquim

A incidência de pobreza de Angola é de 41 por cento, afectando perto de 12 milhões de pessoas, segundo números do Relatório sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA 2018-2019), apresentado ontem, em Luanda, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Pobreza incide mais sobre o meio rural, onde os rendimentos predominantes são de origem laboral
Fotografia: DR

O director-geral adjunto do INE, Paulo Fonseca, declarou que o inquérito realizado para produzir o relatório identificou 41 por cento da população em condições de pobreza, correspondendo a 11.947.270 pessoas com nível de consumo abaixo da linha da pobreza.

A taxa da pobreza ocorre com grandes diferenças entre as áreas urbanas e rural e entre as províncias, agrupadas em 11 regiões: na zona rural, a taxa é de 57,2 por cento, incidindo sobre 6.643.811 pessoas, enquanto na zona urbana é de 29,8 por cento, afectando 5.303.459 pessoas.
As regiões que possuem a incidência mais elevada são a zona rural do Sul do país, correspondente às províncias do Namibe, Cunene e Huíla, bem como as zonas urbanas do Centro e Norte do país, em que se situam as províncias do Huambo, Bié, Benguela e Cuanza-Sul e Cabinda, Uíge e Zaire, segundo Paulo Fonseca.
Em termos de rendimento, o documento indica que a receita média total em Angola está acima de 15 mil kwanzas por mês e por pessoa, sendo estes valores adquiridos, principalmente, por via laboral. Por via não laboral, o valor atinge cerca de três mil kwanzas por mês e por pessoa.
Deste modo, estima-se que a desigualdade, em termos de receitas, é de 0,51 por cento, demonstrando que um determinado grupo da população tem concentrado maior quantidade de receitas que os restantes grupos.
O consumo médio real de alimentos, como carne, peixe, queijo, legumes, fruta, bebidas alcoólicas e refeições fora de casa por pessoa e por mês ronda os sete mil kwanzas, sendo na zona urbana acima dos oito mil kwanzas e acima de seis mil kwanzas para a zona rural.
Já o consumo médio não alimentar de produtos como vestuário, calçado, habitação, saúde, transporte, educação e comunicações por pessoa e por mês ronda perto dos 10 mil kwanzas, sendo que 14 mil na zona urbana e de algo mais de quatro mil kwanzas na zona rural.
O consumo médio total mensal por pessoa e por mês está acima de 17 mil kwanzas, que representa cerca de 22 mil para a zona urbana e acima de 10 mil para a zona rural.

Outros indicadores sociais
Ao complementar a apresentação sobre o relatório, financiado pelo Banco Mundial, a directora adjunta do INE, Ana Paula Machado, referiu que a taxa de actividade do país é de cerca de 87 por cento, sendo maior na área rural, 90 por cento.
A nível nacional, a taxa de emprego no país é de cerca de 62 por cento, sendo na área rural de 76 por cento, devido ao sector agrícola, que está sempre disponível.
Cerca de 61 por cento dos desempregados procuram emprego há mais de dois meses e 46 por cento continuam à procura de emprego.
A média de agregado familiar no país é de cinco pessoas, o que se mantém desde 2009. Em termos de habitabilidade, as condições não são as mais aconselháveis. Algumas casas, principalmente nas zonas rurais, são casas construídas com material não apropriado.
Cerca de 53 por cento do agregado da população usa um quarto para três membros, perto de 62 por cento da população continua a auto-construir as residências e cerca de 70 por cento dos agregados vivem em residências próprias, usando, no seu dia-a-dia, combustíveis sólidos como o carvão e a lenha.
Cerca de 51 por cento da população ainda usa combustível sólido, havendo um uso bastante reduzido de gás butano. Houve um progresso no consumo de electricidade da rede pública, que o relatório considera não ser suficiente, pelo que cerca de 60 por cento da população ainda não possui electricidade da rede pública.
Cinquenta e dois por cento da população tem acesso à fonte de abastecimento de água potável para o consumo.
O trabalho de campo do IDREA terminou em Fevereiro, depois de iniciado em Março de 2018 e de ter atingido os 1.368 aglomerados previstos na amostra.

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