Economia

Reserva Federal sinaliza novo aumento dos juros

A Reserva Federal (Fed), banco central dos Estados Unidos, sinaliza um aumento gradual das taxas de juro, uma vez que os factores da desaceleração da inflação estão a “desaparecer” e os fundamentos da economia estão sólidos, declarou ontem o presidente do Fed de Nova Iorque.

Presidente do banco central dos Estados Unidos defende o aumento gradual das taxas de juros
Fotografia: América | AFP

William Dudley, entre os primeiros do banco central a prestar declarações públicas desde a decisão na semana passada de manter os juros, apontou o dólar fraco e o crescimento económico robusto no estrangeiro entre as razões pelas quais espera uma actividade económica ligeiramente acima da média do país e um aumento dos salários.
“Com uma tendência de preços de importação mais firme e o desaparecimento dos efeitos de uma série de factores temporários e idiossincráticos, espero que a inflação avance e estabilize próximo da meta de 2,00 por cento da Fed a médio prazo”, disse a estudantes e professores na Onondaga Community College.
“Em resposta, a Reserva Federal provavelmente continuará a remover a política monetária expansionista gradualmente”, acrescentou William Dudley, conhecido como um aliado muito próximo da presidente da Fed, Janet Yellen, e um votante permanente em questões de política monetária.
Os comentários de William Dudley foram semelhantes aos do discurso que pronunciou no início do mês e reforçaram a crescente expectativa de que a Fed deve aumentar os juros pela terceira vez neste ano, em Dezembro.
William Dudley lembrou os três furacões devastadores que atingiram partes do sul dos EUA e das Caraíbas, observando que os efeitos devem dificultar a interpretação dos dados económicos nos próximos meses.
Alertou, no entanto, que os efeitos serão provavelmente de curta duração e observou que tais acontecimentos tendem a impulsionar a actividade económica na medida em que a reconstrução inicia.

Fim dos estímulos

Na quarta-feira, 20, a Fed anunciou o começo do fim da era de estímulos à economia dos Estados Unidos iniciada na crise de 2008 e demonstrou mais optimismo sobre o crescimento da maior economia mundial.
A partir de Outubro, a Fed reduzirá os investimentos nos títulos do Tesouro e títulos hipotecários, segundo um comunicado emitido pela Fed depois de dois dias de deliberações sobre política monetária.
Medidas monetárias excepcionais, como a compra de activos, conhecidas como QE (flexibilidade quantitativa), foram adoptadas pela Fed para vitalizar a maior economia do mundo na esteira da crise de 2008.
A Fed também não alterou a taxa de juros, mantida entre 1,00 e 1,25 por cento, declarou  o comunicado do Comité de Política Monetária da Fed (FOMC), por estar mais inclinada a fazer aumentos mais graduais.
A entidade começa a reduzir gradualmente o seu balanço, que chegou a um recorde histórico de 4,5 triliões de dólares (750 triliões de kwanzas) em activos como títulos do Tesouro e títulos apoiados em créditos hipotecários.
O montante desses investimentos é três vezes maior que o que havia antes da crise. Em vez de começar a vendê-los, o banco central norte-americano, fortemente influenciado pela sua presidente, optou por parar de reinvestir os ganhos.
Dessa forma, o balanço de investimentos da Fed diminuirá com o tempo, encerrando uma fonte de liquidez e operando quase como um pequeno aumento da taxa de juros.
O ritmo de desinvestimento da Reserva Federal norte-americana será de dez mil milhões de dólares mensais durante três meses e depois será de 10 mil milhões de dólares (1,667 triliões de kwanzas) em cada três meses.

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