Economia

Sementes e equipamento importado elevam custos de produção agrícola

André dos Anjos| Luena

O recurso à importação da quase totalidade dos insumos e equipamentos agrícolas, está na origem dos elevados custos de produção, que retiram competitividade à Agricultura angolana, concluiu o I Conselho Consultivo Alargado do sector, realizado quarta e quinta-feira, no Luena, Moxico.

Participantes ao I Conselho Consultivo da Agricultura adoptam nova estratégia de actuação
Fotografia: Daniel Benjamim ! Edições Novembro

A baixa percentagem de vacinação do efectivo pecuário, constatou  o Conselho Consultivo, coloca o país numa situação zoosanitária pouco confortável. Neste particular, os participantes manifestaram satisfação com o lançamento da vacina contra a “Newcastle”, produzida na Huíla, que se espera contribuir para a redução dessa doença das aves.
Ao conjunto de constrangimentos que afectam o sector,  junta-se, ainda, a insuficiência de quadros, resultante, entre outros factores, da inexistência de carreiras técnicas no Ministério da Agricultura e Florestas. Os participantes ao primeiro Conselho Consultivo Alargado do Ministério da Agricultura e Florestas registaram, com satisfação, que as facilidades criadas pelo Executivo para o acesso às charruas de tracção animal contribuíram, significantemente,  para o alargamento da área cultivada no país.
A redução dos preços de fertilizantes, fruto de uma estratégia de subvenção do Executivo, foi apontada como tendo ajudado, também, o aumento da produção de cereais, ao lado de outras medidas implementadas pelo Ministério da Agricultura, que incluem a correcção dos solos.
Para garantir que, num período relativamente curto, a Agricultura responda substancialmente às necessidades do país, o conselho recomendou a instalação, no país, de linhas de montagens de tractores, sistemas de irrigação e outros equipamentos agrícolas. Os participantes recomendaram, ainda, que o Governo implemente uma estratégia de atracção de investidores nacionais e estrangeiros para a instalação no país de fábricas misturadoras de fertilizantes e de melhoramento de sementes.
Uma maior articulação institucional e técnica entre os diversos departamentos ministeriais que concorrerem para o desenvolvimento agrícola no país, também figura entre as recomendações saídas do encontro.
O conselho recomendou a inclusão do chamado “gasóleo verde”, designação genericamente atribuída ao combustível subvencionado pelos Estados para fins agrícolas, que o ministro de Estado para o Desenvolvimento Económico e Social, Manuel Nunes Júnior, chegou a admitir como estando nas equações do Executivo, por ocasião da cerimónia de abertura do  evento.
Ao Executivo, os participantes recomendaram a continuidade da estratégia da redução dos custos de produção, através da redução dos preços de fertilizantes, da introdução no país de sementes melhoradas e da facilitação do acesso às charruas de tracção animal.
Tendo em conta o sucesso alcançado com o processo de correcção dos solos com calcário dolomítico, o conselho recomendou, ainda, a expansão desse trabalho à todas a regiões do país.

Admissão de quadros
Para minimizar a escassez de quadros, o Conselho concluiu ser necessário pedir autorização ao Titular do Poder Executivo, para a abertura de um concurso público destinado ao recrutamento e admissão de pessoal.
Tendo em conta a importância do sector agro-pecuário no actual contexto económico, notaram os participantes ao conselho, é urgente a aprovação do estatuto de carreira técnica no sector, para atrair maior número de pessoas formadas na área, alguns dos quais a exercer actividades fora do âmbito das suas especialidades.  Referindo-se aos recursos florestais, o conselho deliberou que os mesmos passem a ser explorados em estrita obediência ao Regulamento Florestal recentemente aprovado e que as concessões florestais sejam reservadas a empresas de reconhecida idoneidade e com capacidade técnica para o repovoamento dos espaços desmatados.
Para as culturas do café, palmar e cacau, a recomendação foi no sentido de se prosseguir com os esforços destinados ao fomento da produção e estender a todo o país uma experiência piloto utilizada na província de Cabinda com resultados “extremamente positivos”.
Recomendação similar foi feita em relação à apicultura, cuja prática os participantes consideram passível de ser estendia a todo o território nacional, com reflexos na vida dos camponeses.
Apesar de possuir enormes potencialidades para agricultura, Angola ainda importa uma parte considerável dos produtos agrícolas que consome, sobretudo cereais, situação que o Executivo quer ver invertida progressivamente, com o aumento da produção interna.

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