Economia

Serviços de Apoio ao Crédito regista 4,3 mil novos pedidos

Adérito Veloso

O serviço de apoio ao crédito e às vendas registou, na semana passada, um total de quatro mil trezentos e oitenta e nove (4.389) pedidos, mais 205 que no período anterior, dos quais 2.749 se encontram em estado activo na base de dados e representam cerca de 80 por cento dos processos em fase de montagem do dossier de crédito.

Negócio de salão de beleza ou outro empreendimento de baixo risco não carece de Alvará
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Na semana finda não houve aprovação de novos projectos, mantendo-se os 188 anteriores, dos quais 34 já desembolsados (mais cinco que na semana anterior). Os cinco desembolsos estão avaliados em 1,07 mil milhões de kwanzas, efectivados através do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), no âmbito das medidas de alívio económico.

No habitual “briefing semanal”, realizado ontem, em Luanda, o secretário de Estado para a Economia, Mário Caetano João, destacou que, desde 2019 até ao momento, foram desembolsados um total de 75,7 mil milhões de kwanzas, correspondentes a 34 projectos, sendo 4,5 mil milhões das medidas de alívio, 3,9 mil milhões do Programa de Apoio ao Crédito (PAC) e 67,5 mil milhões através do Aviso 10/20 do Banco Nacional de Angola (BNA).

Sobre o acompanhamento aos projectos, o sector procedeu visitas a oito empresas, entre essas a Foodtec, localizada em Luanda, que viu aprovado um crédito junto do Standard Bank Angola (SBA). O pedido de financiamento foi já desembolsado na ordem de 90 por cento e a execução física a 30 por cento. Também, a visita incluiu a Basel, que está a ser instalada em Luanda, cujo crédito foi aprovado pelo SBA, num desembolso feito a 100 por cento e com execução física na ordem dos 30 por cento.

Na Huíla, está a ser montada a empresa Agri-Mumba, cujo crédito foi aprovado pelo banco BIC, com um desembolso na ordem dos 76 por cento e a execução na mesma ordem. A empresa Águas Lunda está a nascer na Lunda-Sul, com um financiamento do BIC, cujo desembolso até ao momento é de 95 por cento e a execução em igual percentual.

No âmbito do fomento à produção nacional, um total de 350 produtores foram inseridos no portal, passando de 1.082 para 1.428 inscritos, um crescimento de 31,98 por cento.

Balanço

Para facilitar o escoamento de produtos, na semana passada começou o levantamento das empresas transportadoras de mercadorias, a nível de todas as províncias, tendo sido registadas 72 no Bengo, 18 no Bié, 107 em Benguela, 12 em Cabinda, uma no Cuando Cubango, 352 no Cuanza-Sul, 85 no Cunene, 22 no Huambo, 105 na Huíla, uma na Lunda-Norte, outra na Lunda-Sul, 318 em Luanda, duas no Moxico, 30 no Namibe, uma no Uíge, 57 em Malanje e 24 no Zaire.

Ainda na semana passada, foram compradas 30 toneladas de arroz a 300 famílias agrícolas do município de Luquembo, província de Malanje, pela empresa Agrocan Songo.

No quadro da solicitação de apoio institucional para o desbloqueio de constrangimentos que as empresas vivem, de conformação dos processos de solicitação de crédito à banca comercial, foram solicitados 129 certificados de não devedores ao Instituto Nacional de Segurança Social, mais 17 que na semana anterior. Destes, 16 certificados foram entregues. Também, foram cedidos 14 Alvarás Comerciais e outros 28 certificados de não devedor da Administração Geral Tributária (AGT).

Quanto à emissão de Títulos de Concessão de Terra, peça fundamental para que as empresas possam conformar os respectivos processos, no período em referência o sector solicitou 102 títulos, mais 49 face ao balanço anterior, mas ainda nenhum foi passado.


Empreendedores
com mais facilidades

O Executivo está a desenvolver um projecto que visa massificar a aquisição do Bilhete de Identidade (BI), cujo objectivo é facilitar os empreendedores a montarem negócios. Nessa batalha, a prioridade vai recair para as actividades de baixo risco, onde o Alvará Comercial não será necessário.

Segundo o secretário de Estado para a Economia, Mário Caetano João, os empresários, mediante um historial de empreendimento, podem recorrer ao apoio do INAPEM, para que lhes possa ajudar a aceder ao mercado financeiro ou bancário.

“Numa primeira fase, serão os negócios simplificados, nomeadamente salão de beleza, barbearia ou qualquer empreendimento de baixo risco, cujo Alvará já não é necessário. Estarão na linha da frente, para iniciarem o negócio”, avançou o governante.

Quanto ao risco na cedência de financiamento ou ao endividamento descontrolado, por força do segmento oriundo da informalidade, o secretário de Estado para a Economia é de opinião que nem todo empreendedor tem dificuldades em pagar as suas dívidas, numa altura em que neste segmento de negócio existe o micro-crédito informal.

Como exemplo, sublinhou a experiência do Banco Sol, onde vários operadores recorreram ao micro-crédito para financiar os projectos. “Ninguém deve ter medo de ir buscar financiamento à banca comercial. Se for um promotor com disciplina financeira e seriedade, serão encorajados, sendo que existe procedimentos para se aceder ao crédito bancário, como é o caso do historial de crédito”, frisou.

Contudo, acrescenta ser importante que os promotores acedam primeiro aos micro-créditos, para criarem um histórico, e só depois aos financiamentos maiores. Quanto ao receio de que haverá empreendedores que poderão recorrer ao crédito em várias instituições bancárias, o governante assegurou existir um serviço de apoio ao produtor para o acompanhamento de todas as solicitações de crédito.

“O micro-crédito, ao abrigo das medidas de Alívio Económico, será operacionalizado pelo Fundo Activo de Capital de Risco de Angola (FACRA), via banca comercial ou operadores de micro-crédito, sendo que estes ins- trumentos estarão dentro de um ecossistema que terá um acompanhamento”, tranquiliza.

No âmbito da implementação do plano de acção da estratégia de transição da economia informal para a formal, realizou-se um encontro no Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos, onde foi passada a informação sobre os termos de referência para a massificação do BI e inclusão financeira dos operadores ambulantes.

 

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