Economia

Sonangol e petrolíferas juntas para baixar custos de produção

João Dias |*

A Sonangol prometeu ontem à indústria petrolífera angolana a manutenção da estabilidade contratual, que não vai rever os contratos de partilha de produção e vai evitar que a reestruturação afecte as operações de produção e exploração em curso.

Parceiros da indústria petrolífera nacional consideram Angola um dos raros países que tem criado soluções legais para identificar oportunidades
Fotografia: Dombele Bernardo

A promessa foi feita pelo presidente da comissão executiva da Sonangol, Paulino Jerónimo,  numa reunião com os operadores da indústria angolana de hidrocarbonetos para explicar o plano de reestruturação da companhia.
Paulino Jerónimo anunciou aos operadores a decisão da Sonangol, enquanto concessionária nacional de hidrocarbonetos, de trabalhar com os operadores para reduzir os custos de produção dos actuais 14 dólares por barril para dez ou oito dólares.
O presidente da comissão executiva da Sonangol disse que nenhum projecto de produção tem sucesso em Angola, caso não se reduzam os custos. “Saímos de uma época em que o preço era de cem dólares por barril. Hoje está nos 50, pelo que os custos devem ser reduzidos para dar lugar a novos projectos”, disse.
Em declarações à imprensa, no final do encontro, o administrador executivo e presidente da comissão executiva da Sonangol disse esperar que essa reestruturação seja feita sem afectar as operações normais do sector. Paulino Jerónimo referiu que a reestruturação pretendida se baseia na redução de custos e na melhoria de eficiências.
Outros princípios de trabalho adoptadas pela concessionária e anunciados aos operadores são a transparência, eficiência no processo de investimento, trabalho e resultados. “Os operadores são nossos parceiros e têm que ter conhecimento do que se passa realmente”, afirmou.
A administradora executiva da Sonangol Eunice Carvalho admitiu haver dificuldades da parte dos operadores e apontou a reestruturação da companhia como factor de superação do quadro actual, em combinação com a redução de custos e aumento de eficiência.

Operadores aplaudem

Em declarações à imprensa no final da reunião, os operadores aplaudiram a nova postura da concessionária e anunciaram disponibilidade para avançarem associados às linhas mestras apontadas pela Sonangol.
O director-geral da BP Angola, Darryl Willis, disse que o país tem grande potencial e as companhias vão trabalhar com o conselho de administração da Sonangol para o alcance dos objectivos.
Darryl Willis anunciou que a companhia está interessada em progredir na parceria de exploração de gás, “encorajado” com a perspectiva apresentada pela administração da Sonangol. O director da BP disse  que, com base nas novas práticas, existem muitas possibilidades de se encontrar novos campos de petróleo e gás e para desenvolver campos mais pequenos, considerados marginais, bem como a exploração de gás natural. “A BP Angola vai continuar a operar no mercado, uma vez que há possibilidade de se descobrir mais petróleo e gás e de se desenvolver os campos mais pequenos que são marginais e o gás natural”, salientou.
O director-geral da BP advertiu que a melhor maneira de reduzir os custos é assegurar que os contratos sejam eficientes e haja partilha de logística entre os vários operadores e blocos, mas, o mais importante, é a comunicação entre a indústria e a concessionária.
John Baltz, director-geral da Chevron em Angola, considerou que a perspectiva dos preços do petróleo se manterem baixos, obriga a que a Sonangol e parceiros insistam em trabalhar juntos para reduzir os custos no processo de produção de hidrocarbonetos no país. “Falamos da redução de custos, transparência e eficácia: penso que estes são aspectos importantes para Angola, pois estão alinhados com a Chevron”, afirmou John Baltz.
John Baltz notou que o futuro de Angola é promissor, pelo facto da nova direcção da Sonangol trabalhar na contenção de custos, na transparência e na eficácia. “A realidade mostra ainda muitas oportunidades em Angola”, sublinhou.
O director-geral da Total, Jacques Azibert, disse estar satisfeito com a reunião e a organização apresentada pela nova administração da Sonangol, considerando Angola “dos raros países que mudou a forma de trabalhar e que por isso tem criado soluções legais que  permitem continuar a trabalhar e identificar oportunidades na presente realidade da indústria”.

(*) Com Angop

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