Economia

Sonangol pretende facilitar o trabalho das operadoras

O gerente de concessões da petrolífera angolana Sonangol, António Feijó Júnior, afirmou  ontem, em Lisboa, que “o petróleo não pode ser o único recurso do país” e garantiu que as queixas das operadoras internacionais estão a ser resolvidas.

O gerente de concessões da petrolífera angolana Sonangol, António Feijó Júnior, afirmou ontem, em Lisboa, que “o petróleo não pode ser o único recurso do país” e garantiu que as queixas das operadoras internacionais estão a ser resolvidas.
Fotografia: Domingos Cadência | Edições Novembro

“O petróleo não pode ser o único recurso do país, porque limita o desenvolvimento e é um produto finito e poluidor”, disse. António Feijó sublinhou que “Angola não pode ter só esse produto em comercialização e lembrou que há políticas energéticas mundiais que vão restringir o financiamento à indústria petrolífera”.
Em entrevista à Lusa, antes do lançamento do livro “Petróleo, uma indústria globalizada”, na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o responsável do Departamento da Sonangol que negoceia as concessões com as grandes companhias internacionais, considerou que a importância do “ouro negro” vai diminuir com o passar dos anos.
António Feijó Júnior  disse que a matriz energética vai conhecer alterações. “Hoje o petróleo tem muita importância, mas não a terá daqui a alguns anos, o gás está a tornar-se mais importante, as centrais nucleares vão evoluir e as fontes renováveis também, por isso, Angola não pode continuar dependente desta matéria-prima”, sublinhou.
Questionado sobre a evolução da produção de petróleo em Angola, o maior produtor da África subsaariana, a par da Nigéria, com 1,8 milhões de barris diários, António Feijó Júnior previu que “as reservas podem alimentar o sistema para manter ou até aumentar a produção actual nos próximos anos”.
Sobre as críticas que alguns operadores têm feito à gestão da Sonangol e à relação com as petrolíferas, o autor do livro explicou que as queixas dos operadores estão a ser resolvidas. “Estamos a trabalhar nos procedimentos e regras para facilitar o trabalho desses operadores, para que possam trabalhar de forma harmoniosa e sustentar o nível de produção que lhes permita recuperar os investimentos, mas também dar ao Estado as receitas que lhe são devidas”.
“Se houve uma fase de maiores dificuldades, essa fase poderá ser ultrapassada, porque todos os agentes estão empenhados em encontrar o melhor caminho”, garantiu António Feijó Júnior.
O melhor caminho, acrescentou, passa também pela necessidade de diversificar a economia, um desígnio que é agora partilhado por todos os angolanos. “Neste momento sente-se que as pessoas, o país no seu todo, está muito interessado em produzir e pôr as outras riquezas ao serviço do próprio país, o interesse na diversificação é agora mais acentuado”.
António Feijó admitiu que “não fomos bem sucedidos na diversificação”, mas o caminho está traçado e agora continua com mais acutilância e necessidade desde o choque petrolífero de 2014.
“Antes tivemos outros choques, mas a lição não foi bem aprendida, talvez porque o choque (dos preços baixos do petróleo) não foi tão longo”.

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