Economia

Sonangol termina este mês com o voo “Houston Express”

Armando Estrela

A SonAir, uma subsidiária da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), deixa de realizar voos directos para Houston, Estados Unidos, a partir do dia 29, por não garantirem o retorno pretendido.

A ligação directa para A ligação directa para Houston é das rotas em que mais se investiu, mas com uma taxa máxima de ocupação de 38 por centoHouston é das rotas em que mais se investiu, mas com uma taxa máxima de ocupação de 38 por cento
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

A ligação directa Luanda - Houston, através do pacote “Houston Express”, é uma das rotas onde a empresa investiu com dedicação, para apoiar a actividade petrolífera nacional, que apenas oferece uma taxa de ocupação de 38 por cento, indicador que, deduzidos na contabilidade operacional da SonAir, garante prejuízos na ordem de 2,5 milhões de dólares mês.
A pensar nessa perda, a administração da Sonangol decidiu pela descontinuidade do “Houston Express”. Além disso, a administração está a avaliar junto da SonAir qual deverá ser o melhor modelo de negócios para essa subsidiária aérea, com ênfase nos helicópteros que apoiam a indústria petrolífera.
“Tivemos de tomar uma decisão na Sonangol a bem pouco tempo e os colegas da SonAir têm estado a pôr isso na mesa e apelar para que haja coragem para implementar alguma coisa que impeça que o dinheiro da SonAir continue a desaparecer”, disse há dias o presidente do Conselho de Administração da Sonangol, Carlos Saturnino.
“É difícil, mas a administração tomou a decisão de aproximar o ministro de tutela, aproximar o ministro das Finanças, pedindo autorização para essa ideia, pois, os aviões são velhos, temos uma dívida com a operadora Atlas, precisamos de comprar novos aviões, há rotas mais competitivas, há muitas alternativas para ir para os Estados Unidos, de maneira que a decisão foi terminar com o ‘Houston Express’ e, nesse quadro, o último voo será feito no dia 29 de Março”, indicou Carlos Saturnino.
Inaugurado a 6 de Novembro do ano 2000, o “Houston Express” é a única ligação aérea directa entre Angola e os Estados Unidos da América, com um serviço assegurado com todo o conforto e qualidade. Até a bem pouco tempo, esteve limitado a passageiros da indústria petrolífera. Mas, desde o ano passado, o serviço foi alargado a todos que desejam viajar para os Estados Unidos.
O “Houston Express” oferece, desde 1 de Maio de 2017, serviços nas classes “Executiva Premium”, “Executiva”, “Económica Premium” e “Económica”. A SonAir SA é subsidiária da Sonangol para a aviação comercial e corporativa.

Venda de blocos petrolíferos

A nova administração da Sonangol propõe-se a analisar os negócios da empresa em toda a sua cadeia de valores e definir, posteriormente, se precisa de uma, de duas, de três ou de quatro parceiras para um determinado negócio.
Segundo Carlos Saturnino, “o que estamos aqui a tentar resumir, é que vamos fazer um percurso por esses aspectos todos”, ao mesmo tempo que a empresa discute com os ministérios de tutela (Ministério dos Recursos Minerais e Petróleos) e das Finanças, para haver uma única sintonia de ideias.
Nesse âmbito, Carlos Saturnino diz que a Sonangol “está a analisar a redução do seu nível de participação em cada uma das concessões petrolíferas, incluindo as concessões em produção”, facto raro e novo em Angola, pois, normalmente, não se tem vendido blocos em produção.
À data, a Sonangol tem percentagens pequenas em determinadas participações e grandes noutras, como é o caso do Bloco 21 que é detido 100 por cento pela Sonangol. A pensar em valores, a administração da Sonangol questiona porque não vender uma parte dos interesses, “para arranjar dinheiro fresco”.
Diz Carlos Saturnino que, enquanto o seu proprietário toma a decisão, a Sonangol “vai rever a existência das subsidiárias que tem, os negócios nucleares e não nucleares e as empresas participadas”. Portanto, “a Sonangol vai reduzir a participação que tem nas participadas”, admitiu.
Actualmente, está a ser feita uma análise de todas as participadas, sem excepção, para se determinar quais são as que continuarão a existir e aquelas que deverão ter uma percentagem maior ou uma percentagem menor e as que, necessariamente, deixarão de existir.

Banca comercial

A Sonangol tem, presentemente, investimentos em cinco bancos comerciais: Banco Angolano de Investimentos (BAI), Económico, Millennium Atlântico, Caixa Totta e de Comércio e Indústria (BCI). A pensar também nestes negócios, a petrolífera procura uma estratégia para a banca comercial.
À partida, o que ocorre com a Sonangol nesses cinco bancos do mercado nacional, é que os investimentos são corroídos pelos investimentos que têm cada uma destas participadas. Pois, em vez de criarem sinergias ou arranjarem complementaridade, agregam outros problemas. “Então, temos de ter uma estratégia para a banca comercial, se ficamos nesses bancos ou não, já que é possível fazer a alienação desses bancos e sair”, previu o PCA da Sonangol.
Garantia evidente, é que a “galinha de ovos de ouro” angolana está mesmo a analisar um cenário diferente para o futuro, “que é o nosso preferido, mas isso vai ser decidido depois, quando se discutir com o Governo”, disse Carlos Saturnino.
O que a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola quer, é fazer uma análise de cada banco, o nível de participação, o valor do banco, os rendimentos que o banco tem dado, dá ou pode dar à Sonangol e que sinergias podem ser criadas com cada uma destas participações.
Em relação ao negócio da Sonangol no geral, a administração já identificou segmentos ou nichos de negócios onde intervir e só depois vai propor a forma de alienação ou escolher onde a empresa vai ficar. “Porque os montantes envolvidos nesses bancos é muito grande e só estamos a falar de Angola”, sublinhou Carlos Saturnino.

  Clínica Girassol incluída nas prioridades da petrolífera

A única coisa que o presidente do Conselho de Administração da Sonangol deixou clara, é a contínua participação e a implementação de novos investimentos da empresa na Clínica Girassol.
“É um investimento com impacto social grande, um investimento em termos de dinheiro grande, em termos de pessoas - capital humano - grande e que continua a ser feito e é um investimento para ser mantido”, garantiu Carlos Saturnino. Ou seja, a Clínica Girassol vai continuar a estar dentro das prioridades da petrolífera, mas, observou o PCA da empresa, “a Clínica Girassol gasta muito dinheiro por mês e nós temos de procurar qual é o modelo de negócio apropriado para a Clínica”.
“Conseguimos gerir a Clínica Girassol sozinhos ou será mais apropriado procurar unidades ou empresas especializadas na gestão de unidades hospitalares, para fazer uma melhor parceria com a Sonangol e realmente pôr essa unidade na liderança do sistema de saúde em Angola?”, questionou Carlos Saturnino, para depois admitir que são perguntas que a instituição não tem respostas.
“Achamos que devemos ter todos humildade, porque nós não temos estado muito bem. A administração recebe muitas reclamações, muitas cartas, muitos telefonemas; os colegas que estão na Sonangol, acredito, ‘fazem das tripas coração’, mas, o resultado é que a Clínica Girassol não está a funcionar bem, pois, os trabalhadores queixam-se, as pessoas da rua queixam-se, mas o dinheiro é gasto. E, em termos de administração, nós temos que ter resultados em relação aos dinheiros gastos.” - expressou o presidente do Conselho de Administração.

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