Economia

Taxa de desemprego cresce oito por cento

Edivaldo Cristóvão

A taxa de desemprego no país registou um aumento de 8,8 por cento nos últimos dois anos, tendo passado de 20 para 28,8 por cento, segundo conclusões divulgadas ontem, em Luanda, do mais recente Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA).

Director-geral do INE, Camilo Ceitas testemunhou a divulgação dos números do desemprego
Fotografia: Maria Augusta| Edições Novembro

Actualmente, de acordo com o IDREA, o desemprego atinge 3.675.819 de pessoas, num universo de 14.735.487 indivíduos em idade activa, das quais apenas 9.073.321 trabalham.
Conduzido pelo Instituto Nacional de Estatística (INEA), os resultados do Inquérito sobre Despesas, Receitas e Emprego em Angola (IDREA) apresentados ontem referem-se ao período de Maio de 2018 a Janeiro de 2019, cujos números são comparados com um estudo anterior, que abarca os anos 2015 e 2016.
De acordo com o estudo, o país tem uma população economicamente activa, que integra empregados e desempregados com 15 ou mais anos de idade, estimada em 12.749.140 de pessoas, sendo 6.104.537 homens e 6.644.603 mulheres.
A directora adjunta do INE, Ana Paula Machado, que fazia apresentação do relatório, disse que a taxa de emprego na área rural é de 75,7 por cento e na área urbana de 53,5 por cento, apresentando uma diferença de 22,2 pontos percentuais.
Os sectores da Agricultura, Pecuária, Caça, Florestas e Pescas são os que maior número de pessoas empregam, 4.148.682, o que representa cerca de 46 por cento, seguido dos sectores dos serviços com 43,3 por cento, e Indústria, Construção, Energia e Água com 8,1 por cento.
Os dados do IDREA indicam, ainda, que cerca de 42 em cada 100 pessoas empregadas trabalham por conta própria e cerca de 19 em cada 100 no sector privado. A percentagem de pessoas economicamente activas em actividades informais é de 72,6 por cento, apresentando o valor mais elevado entre as pessoas com idades entre 25 e 64 anos.
Ana Paula Machado lembrou que a taxa de desemprego é o indicador do mercado de trabalho mais usado para a tomada de decisão e referência para os programas de desenvolvimento.
Actualmente, disse, cerca de 37 por cento dos jovens angolanos com idade compreendida entre 15 e 24 anos estão inseridos no mercado de trabalho. Um quarto dos jovens com idade entre os 15 e 17 anos, prosseguiu, comprometem a sua formação escolar básica, estando precocemente inseridos no mercado de trabalho.
A directora adjunta do INE garantiu que os conceitos utilizados para esse estudo resultam das recomendações da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que permitem quantificar os indicadores de emprego de forma harmonizada. De acordo com estes conceitos, a população de um país, no período em referência, pode ser dividida em três distintas condições perante o trabalho, nomeadamente, população empregada, desempregada e inactiva.

Programas para emprego

O director nacional para Economia, Competitividade e Inovação, Marcelo Pinto, reconheceu que os dados apresentados pelo IDREA são assinaláveis, mas não tão altos como parecem e garantiu que o Executivo tem vários programas que promovem a empregabilidade para melhorar esse quadro em menos de dois anos.
Marcelino Pinto assinalou que o emprego e o desemprego têm uma relação com o desempenho da actividade económica e os efeitos prolongados da crise tiveram impacto nos dados capturados até 2018, mas existem vários instrumentos com destaque para o PDN 2018-2022, que trazem respostas claras para estes números.
“Gostaria de destacar programas como incubadoras de empresas e reconversão da economia informal, que têm medidas claras para repescar todos que ainda se encontram na informalidade, como as empregadas domésticas, vendedores ambulantes e a própria operação resgate, que já começou em algumas províncias, cujos resultados ainda não foram reflectidos nesta avaliação", disse.

 

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