Economia

Taxa de ocupação de hotéis caiu abaixo de 10 por cento

André dos Anjos

Com uma taxa média de ocupação inferior a 10 por cento em algumas unidades e de zero por cento em todas elas no que à realização de eventos corporativos diz respeito, alguns hotéis de Luanda já começaram a despedir pessoal, enquanto outros equacionam a medida, face aos efeitos no sector da pandemia da Covid-2019.

A maior parte dos hotéis de quatro estrelas, na capital angolana, está localizada na Baixa, de onde desponta a Marginal de Luanda
Fotografia: DR

Localizado na Baixa de Luanda, o Hotel Diamante viu a taxa de ocupação cair, abruptamente, de 20 para 7,00 por cento em Março, com prejuízos financeiros acima dos 30 milhões de kwanzas, segundo o seu director-geral, António Simão. Quando a equipa do Jornal de Angola escalou o hotel, de um total de 147 quartos, incluindo suites, apenas 12 estavam ocupados. Ou seja, era para meia dúzia de pessoas que os serviços de restauração e afins se mantinham em pé, com tudo que isso significa.
À acentuada queda nos serviços de hospedagem, diz o gestor hoteleiro, junta-se o encerramento dos espaços reservados a eventos corporativos, como conferências, festas de casamento, aniversário e baptismo, que, no final das contas em muito contribuem para as receitas.
A continuar assim, não tem como não equacionar, para os próximos tempos, a redução de pessoal, vaticina o gestor, sem entrar em detalhes sobre as modalidades e número de efectivos a despedir, num universo de 142 trabalhadores, que asseguram o funcionamento daquele hotel de quatro estrelas.
No Presidente, outro hotel de quatro estrelas, localizado na Baixa de Luanda, a situação em nada ou pouco difere da que se observa no Diamante. Tal como naquele, aqui, a taxa de ocupação, que até antes da crise provocada pela pandemia de Covid-19, se situava nos 50 por cento, caiu para cerca de 7,00, como conta o seu director-geral. Pedro Portugal afirma que, com a taxa de ocupação reduzida a 7,00 por cento e os espaços para eventos corporativos encerrados, a unidade hoteleira que gere “já só trabalha para pagar salários”.
Com prejuízos financeiros calculados acima de 200 milhões de kwanzas, só em Março, o Hotel Presidente reduziu de 220 para 203 o número de trabalhadores, medida a que, segundo Pedro Portugal, dará sequência, com a cessação natural dos contratos de trabalho, não os renovando à medida que chegam ao fim. Nos próximos tempos, adianta, prevê-se que a medida atinja entre 30 e 40 por cento do quadro de pessoal.
Sorte diferente tem o Hotel Skyna. Também localizado na Baixa de Luanda, aquele hotel de quatro estrelas, em meio a crise, apresenta uma taxa de ocupação de 20 por cento, relativamente próxima da habitual (entre 30 e 35 por cento), em comparação a outras unidades hoteleiras.
O quadro, como conta o seu director-geral, Joaquim Duque, resulta do facto de o hotel ter contratos com empresas petrolíferas que aí hospedam o seu pessoal em terra. Com o Estado de Emergência, em vigor desde a semana passada, que impede a circulação inter-provincial de pessoas, os trabalhadores que já se encontravam no interior não mais saíram.
Para assegurar o atendimento ininterrupto aos hóspedes, segundo o chefe de Departamento Comercial do Hotel Skyna, Kelson Luís, a direcção colocou, desde a entrada em vigência do Estado de Emergência, cerca de 50 por cento dos trabalhadores em "regime de internato".
Joaquim Duque lembra que o sector hoteleiro no país vem de um "tombo muito grande", resultante do choque que, em 2014, afectou economias fortemente dependentes de petróleo, como a angolana.
"Pena é que alguns gestores não compreenderam que o mercado mudou e continuam com práticas que, em vez de atrair, afastam clientes", lamenta.
Com 232 quartos, suites incluídas, o Hotel Skyna é, seguramente, das poucas se não única unidade hoteleira, em Luanda, com taxa de ocupação de 20 por cento. Nos hotéis onde, por diversas razões, o Jornal de Angola não chegou à fala com as respectivas direcções, como o Alvalade, Trópico, Baía e Épic Sana, nos halls, frequentemente movimentados, reina agora um silêncio nada habitual.

Capacidade instalada no sector de hotelaria

Com 187 hotéis, mil 200 estabelecimentos similares e mais de quatro mil restaurantes, o país tinha, há quatro anos, 24 mil 390 quartos, 32 mil 844 camas, 200 agências de viagens e 200 rent-a-car. Até 2016, o sector empregava 219 mil 349 pessoas. Com a queda do preço do petróleo no mercado internacional, em 2014, cujas consequências o país ainda vive, os hotéis viram afectadas, em grande medida, as suas receitas.
As previsões das autoridades, que apontavam para um incremento de 0,34 por cento para 3,00 por cento da contribuição do sector para o Produto Interno Bruto (PIB) este ano, em consequência da pandemia da Covid-19 e outras razões, pedem agora uma revisão por baixo.

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