Economia

Tecnologia elimina postos de trabalho

Victorino Joaquim |

Cerca de sete milhões de postos de trabalhos de diversas áreas vão deixar de existir em todo o mundo e cerca de dois milhões de novos empregos poderão surgir até 2020, em consequência da evolução tecnológica, a chamada 4ª Revolução Industrial, afirmou ontem, em Luanda, o professor e consultor empresarial Lúcio Fonseca, durante o Seminário Internacional de Gestão de Negócios e Oportunidades (SIGNO) 2018.

Consultor adverte sobre evolução do emprego
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Lúcio Fonseca, que dissertava sobre o tema “ A 4ª Revolução Industrial e seu impacto”, no SIGNO-2018, que termina hoje, citou dados do Fórum Económico Mundial para afirmar que, até 2020, cerca de sete milhões de empregos nas áreas da construção e extracção, indústria transformadora, escritórios e administrativos, bem como instalação e manutenção de equipamentos vão deixar de existir e poderão surgir cerca de dois milhões de novos empregos nas áreas educação e formação, venda, arquitectura e engenharia, gestão, computação e matemática, negócios e finanças, em consequência da evolução tecnológica.
O consultor chamou a atenção dos governos, principalmente africanos, sobre a necessidade de se transformar em desafios as ameaças de redução do emprego, em consequência da evolução tecnológica nos próximos tempos.
A 4ª revolução industrial, alertou, vai transformar a forma como se vive, de trabalhar e de relacionamento entre as pessoas. Traz consigo uma tendência para a automatização total das fábricas, disse o professor, tendo acrescentado que esta última acontece através de sistemas ciberfísicos, que se tornaram possíveis graças à Internet das coisas e à computação.
Os sistemas ciberfísicos, que combinam máquinas com processos digitais, são capazes de tomar decisões descentralizadas e de cooperar - entre eles e com humanos - mediante a Internet das coisas.  O professor e consultor empresarial estima que, nos próximos tempos, o contributo da economia digital da África Subsahariana tende a subir de 95,5 para 111 mil milhões de dólares e que a cifra de 75 por cento da população mundial que actualmente tem acesso ao telemóvel, cresce, até 2019, para 90 por cento.  Lúcio Fonseca reprovou a ideia de se apostar na agricultura para gerar  empregos nos dias de hoje, por já não ser a melhor estratégia para diminuir o desemprego.
Hoje, a prática da agricultura, disse Lúcio Fonseca, é feita com os melhores recursos tecnológicos, como equipamentos que preparam e irrigam a terra, tractores para semear, bem como a aplicação de diversas máquinas que recolhem os produtos depois de prontos para o consumo.
No combate às pragas, acrescentou, são utilizados os drones, que têm sido um recurso melhorado. Por meio de GPS, os drones sobrevoam longas extensões de campo cultivado, identificam as zonas afectadas pelas pragas e lançam, com precisão, as substancias para o tratamento, ao passo que a produção manual acarreta mais custos e é menos produtiva.  Para Lúcio Fonseca, o empreendedorismo digital em África enfrenta muitas barreiras por falta de infra-estruturas e qualidade da rede de transmissão, pelo que os governos devem fomentar a criação de infra-estrurturas tecnológicas, criar canais de acesso à Internet de banda larga em quase todos os pontos e apostar na educação de qualidade para os jovens.
Destacou a África do Sul, Quénia, Nigéria e Rwanda como os países africanos que estão em melhores condições, por realizarem investimentos em inovação, tecnologia, aprendizagem por projectos, robótica educacional e alfabetização digital.

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