Economia

Tensão entre EUA e China impulsiona a integração

A economista-chefe do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), Hanan Morsy, disse ontem que a tensão comercial entre os Estados Unidos e a China fortalece a necessidade de os países africanos avançarem para uma maior integração regional.

A egípcia Hannah Morsy que o BAD contratou no ano passado
Fotografia: DR

“O contexto global de aversão ao multilateralismo e até uma reversão desse modelo, fortalece a necessidade de o continente africano reforçar a integração regional, para contrariar o impacto global dessas tendências”, disse Hanan Morsy, no âmbito dos encontros anuais do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), que decorrem, até sexta-feira, em Malabo, a capital da Guiné Equatorial.
“O que vimos neste e no último ano foi histórico, em termos de esforço de integração regional em África”, disse a economista, lembrando que o facto de o acordo de livre comércio em África ter sido lançado no último ano e já ter chegado a 22 ratificações, “é um progresso enorme, um momento histórico em termos do empenho no caminho para mais integração”.
Hannah Morsy vincou que, para a África Austral, o crescimento previsto de 1,2 por cento para 2019 é modesto, devido aos efeitos do abrandamento económico na África do Sul, que tem impacto em outros países. “Num cenário ambicioso, a África Austral deve ter um aumento de 3,00 por cento em termos de rendimento com a implementação do tratado, o que compara com cerca de 7,00 por cento para a África Central, dado o facto de muitos destes países serem isolados do mar”, explicou a economista.
“Nem todos beneficiam na mesma medida, mas todos os países africanos estarão bem melhor do que sem integração regional”, acrescentou a egípcia que o BAD contratou, no ano passado, ao Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento, em Londres, onde estava desde 2012 e que ontem lançou, oficialmente, o relatório com as Perspectivas Económicas Africanas.
Hanan Morsy disse ainda que não tem havido um foco suficientemente forte na criação de postos de trabalho e explicou que o continente perde 2,3 milhões deles anualmente, devido a constrangimentos empresariais, que poderiam reduzir-se em um milhão. “As quatro maiores dificuldades sentidas pelas empresas estão relacionadas com os governos, como aquisição de licenças, mau funcionamento dos tribunais, instabilidade política e corrupção”, afirmou.
Resolvendo apenas estes quatro principais problemas relacionados com os governos, o continente reduziria a perda de postos de trabalho em mais de um milhão por ano, para menos de 1,3 milhões, sublinhou.

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