Economia

Terrenos infra-estruturados começaram a ser vendidos

Natacha Roberto e Ana Paulo

A venda de terrenos infra-estruturados da centralidade do Kilamba foi lançada ontem, em Luanda, num acto em que os promotores anunciaram uma redução dos preços pela metade, com o corte do preço do metro quadrado de 214 para 115 dólares.

Membros do Executivo atentos à apresentação da estratégia
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O administrador para a área técnica da Empresa de Terrenos Infra-estruturados (EGTI-EP), Kilson Gouveia, adiantou que os lotes para construção de habitações na Centralidade do Kilamba constituem a primeira fase do projecto, em que estão previstos descontos de até 65 por cento. “A venda obedece aos critérios de valorização dos terrenos. Os lotes próximo ao Kero do Kilamba acabam por ser mais caros e, também, um terreno para comércio não tem o mesmo valor que as habitações multifamiliares”, advertiu.

Kilson Gouveia informou ainda que os lotes para habitação podem ser adquiridos com descontos de até 65 por cento e para habitação multifamiliar de 40, ao passo que, para as habitações de uso misto as taxas podem baixar a 30 e para empreendimentos dos sectores da Saúde e Educação de 55 e 40 por cento, respectivamente.
“Em função do pedido enquadramos o preço dentro do plano de urbanização da fase 1 que compreende uma área total de 1.343 hectares. Os custos dos lotes infra-estruturados são taxados em dólares, embora o pagamento seja realizado em kwanzas”, informou Kilson Gouveia.
O responsável garantiu que os clientes vão beneficiar de todo o apoio técnico, mesmo apresentando apenas o interesse em adquirir os lotes sem projectos em vista. O pagamento dos terrenos pode ser realizado com um período de carência que varia entre os três a 12 meses e em prestações mensais que variam os seis meses a cinco anos. “Damos a possibilidade dos clientes pagarem em prestações enquanto edificam as suas habitações”, esclareceu o administrador.
Os lotes infra-estruturados do Kilamba erguem-se sobre pavimento asfáltico, contando com espaços para estacionamento alinhados ao mosaico urbano. Está previsto o mesmo procedimento para todas as províncias. “O padrão de construção é de livre criatividade, seguindo apenas os parâmetros exigidos legalmente”, disse.
A ministra do Ordenamento do Território e Habitação, Ana Paula de Carvalho, disse que os preços praticados pela a empresa EGTI reflectem todas condições de habitabilidade e as regras de sustentabilidade urbanística.
“Os terrenos prontos a construir têm na mira mais de 20 cidades de 12 das 18 províncias do país, entre as quais as províncias de Luanda, Cabinda, Uíge, Lunda-Sul, Bié, Huíla, Benguela, Namibe, Moxico, Cuanza-Sul, Huambo e Bengo”, indicou.
A ministra lembrou que foram desenvolvidos estudos e acções concretas para o loteamento destes espaços que indicam novos preços, cujos os valores são mais viáveis do que se verifica no mercado. “O novo paradigma dos preços vai mitigar a especulação imobiliária e garantir a melhoria da qualidade de vida das populações e dinamização dos sectores do Comércio, segurança pública, Indústria e Turismo, bem como a geração de alta renda e emprego, além de arrecadação de receitas para o Estado”,disse.
Ana Paula de Carvalho apelou as entidades financeiras a apostarem no projecto que vai ajudar a diversificar a economia e promover um forte sentido de inclusão e oportunidade que todos angolanos merecem.
O presidente da Associação dos Profissionais Imobiliários de Angola (APIMA), Pedro Caldeira, considerou a redução dos preços como um passo significativo que vai impulsionar o mercado, dando maior poder aquisitivo das empresas do sector. “Acreditamos ser uma boa iniciativa, embora existam, no mercado, preços abaixo dos 50 dólares para aquisição de um metro quadrado.

Parcela 20/30
O director-geral da empresa Diakumbo Imobiliária, Massada Culembala considerou os preços dos terrenos comercializados na Centralidade do Kilamba como razoáveis, tendo em conta que o Estado terá de apostar nas infra-estruturas sociais, como luz, água, rede de esgotos.
Para Massada Culembala, com o preço do metro quadrado a 115 dólares, o comprador terá de pagar entre 60 e 69 mil dólares, equivalente a 31 milhões de kwanzas, por um terreno entre os 20/30 metros quadrados.
Com o preço anterior, de 214 dólares, um lote dessas dimensões rondaria os 138.400 dólares, equivalente em cerca de 65 milhões de kwanzas. “Depois de comprado o terreno, o comprador teria de desembolsar cerca de 70 milhões de kwanzas”, disse.
Apesar da redução do preço a 50 por cento, Massada Culembala afirma que o Estado poderia reduzir o valor do metro quadrado para 50 dólares, com o que ficaria a 30 mil dólares, o equivalente a 13 milhões de kwanzas. “A este preço, os terrenos esgotariam em fracção de segundos”, sublinhou.
De acordo com o vice-presidente da APIMA, Cléber Correia, o investidor no mercado imobiliário faz contas: caso compre o terreno a um preço mais caro, o produto final também ficará dispendioso e, dificilmente, o mercado terá cliente com capacidade de compra.
Além dos preços excessivos praticados pelo Estado, a demora no tratamento dos processos para a construção de habitações é um dos principais motivos da paralisação do sector imobiliário.
Cléber Correia explicou, por outro lado, quando o promotor imobiliário entra com um pedido de direito de superfície, o processo demora de um a dois anos para estar concluído, levando, em consequancia, à desistência dos diversos promotores nacionais e estrangeiros.

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