Economia

Tesouro dos EUA pretende facilitar acesso aos dólares

Madalena José

O Governo norte-americano, através do Departamento do Tesouro, está a trabalhar com o Executivo angolano para facilitar o acesso da banca nacional aos dólares, anunciou, ontem, em Luanda, o director para os Assuntos Africanos da Casa Branca, Cyril Sartor.

Director para os Assuntos Africanos da Casa Branca apresentou ideias para aumentar o comércio
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Ao apresentar, em Luanda, a “Nova estratégia da política externa dos EUA para África, nos domínios político, social, de negócios e comércio”, Cyril Sartor acrescentou que, além do Departamento de Tesouro, a Agência Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID) está a treinar técnicos angolanos em matérias de Finanças, no sentido de facilitar o processo.
O diplomata explicou que a nova estratégia da política externa dos EUA tem como objectivo desenvolver a capacidade empreendedora africana, fornecer a assistência técnica e melhorar o comércio intercontinental.
Os Estados Unidos, disse, estão abertos para receber sugestões do tecido empresarial angolano, no sentido de identificar os sectores que vão beneficiar do referido apoio. “Queremos ser para Angola uma alternativa à China, no âmbito do financiamento dos projectos”, disse, para acrescentar que Angola integra a lista dos 50 países africanos escolhidos.
A nova estratégia da Administração do Presidente Donald Trump, disse Cyril Sartor, tem em vista a abertura do mercado, criação de alternativas e obtenção de uma prosperidade mútua e sustentável. “a América vai dar apoio, assistência técnica e desenvolvimento comercial promovendo a segurança internacional, transparência e competência”, disse.
Cyril Sartor disse acreditar que Angola tem capacidade para transformar e desenvolver a economia com o investimento americano, que garante apoiar projectos do sector privado e na área social. A ideia é também dar continuidade a projectos anteriores, iniciados por administrações anteriores.

Reformas motivam a escolha de Angola

Cyril Sartor disse que a decisão dos EUA de apoiar Angola é resultado das reformas que o Presidente João Lourenço está a efectuar, ao longo da sua governação, que tem como principais bandeiras o combate à corrupção, nepotismo e ao amiguismo.
O diplomata acredita que a governação de João Lourenço vai melhorar o ambiente de negócios, captar novos investimentos, entre outras acções para a melhoria das condições de vida dos cidadãos. “Vim transmitir ao Presidente angolano que Angola será um país próspero se aceitar a iniciativa da Administração do Presidente Donald Trump. Angola é uma prioridade, um desafio e estamos ansiosos para receber contribuições”, afirmou.
O director para os Assuntos Africanos da Casa Branca disse que o Governo americano tem boas relações com os Governos africanos, mas o mesmo não se pode dizer da relação com o sector privado. Além de Angola, a Nigéria e o Quénia também fazem parte da lista de países africanos a serem financiados e apoiados tecnicamente pelos Estasos Unidos, bem como para cimentar as relações económicas.
Sem avançar o valor do financiamento a ser disponibilizado para os respectivos países nem os sectores que vão beneficiar deste apoio, Cyril Sartor disse que os dois Governos devem identificar as áreas prioritárias para investir e desenvolver a economia.

Impulsionar o comércio

O presidente da Câmara de Comércio Americano em Angola (AmCham-Angola), Pedro Godinho, apontou a agricultura como o principal sector que deveria beneficiar do apoio dos Estados Unidos, para permitir que o país atinja a auto-suficiência alimentar e diminua consideravelmente a taxa de desemprego.
As trocas comerciais entre Angola e os Estados Unidos atingiram o pico em 2008, período em que Angola exportou 18,9 mil milhões e importou produtos avaliados em dois mil milhões. De 2008 a 2018 houve um declínio de 17 mil milhões de dólares.
No ano passado, a exportação de Angola atingiu 2,8 mil milhões de dólares e as importações a partir dos Estados Unidos 400 milhões. Perante o cenário, Pedro Godinho considera ser grande o declínio, mas acredita que com o anúncio do apoio vindo do representante do Presidente dos Estados Unidos as trocas comerciais vão conhecer novo impulso.
O embaixador de Angola nos Estados Unidos, Agostinho Tavares, que também esteve no evento, afirmou que o facto de Angola fazer parte de uma lista estreita de países africanos a beneficiar de apoio dos americanos vai permitir manter relações estratégicas em vários domínios.
Participaram no evento, o secretário de Estado do Comércio, Amadeu Leitão Nunes, e a embaixadora dos EUA em Angola, Nina Maria Fite, além de membros do Executivo angolano, empresários e líderes de associações empresariais.

Tempo

Multimédia