Economia

Unitel reúne de emergência para eleger os órgãos sociais

A Unitel tem agendada para hoje uma assembleia-geral extraordinária que discute uma providência cautelar interposta pelos parceiros brasileiros da PT Ventures e a eleição dos órgãos sociais para o mandato 2018-2020.

A Unitel vota hoje um novo Conselho de Administração
Fotografia: DR

A reunião foi convocada na quinta-feira, em anúncio publicado nas páginas de classificados do Jornal de Angola subscrito por Leopoldino do Nascimento, um general reformado que detém uma participação da companhia de telecomunicações por intermédio da Geni e preside a Mesa a Assembleia-Geral.
A Unitel é detida, em partes iguais de 25 por cento pela Vidatel, de Isabel dos Santos, Geni, Mercury (Sonangol) e PT Ventures, da brasileira Oi, naquilo que informações disponíveis consideram ser uma aliança periclitante.
De acordo com o jornal português “Público”, a companhia lida desde há muito com uma disputa entre a PT Ventures - que antes era da antiga Portugal Telecom e hoje pertence à brasileira Oi - e a empresária Isabel dos Santos, no que deve conformar a providência cautelar que os sócios pretendem resolver de emergência nesta assembleia-geral extraordinária.
A PT Ventures reclama da Unitel cerca de 578 milhões de euros (dados do relatório e contas de 2017) em dividendos por pagar relativos aos exercícios de 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014, que a operadora começou a reter ainda no tempo da antiga Portugal Telecom.
A Oi iniciou mesmo um processo de arbitragem internacional em Paris – cujo desfecho deverá ser conhecido até ao final de Março - contra os parceiros na Unitel, mas também tem a correr na Justiça holandesa um processo que visa especificamente Isabel dos Santos.
A companhia brasileira acusa os parceiros angolanos de a estarem a prejudicar, com estes a procurarem provar na arbitragem internacional que a transferência pela antiga PT de uma participação minoritária na Africatel (a holding onde estavam reunidas todas as participações em activos africanos) para a Oi (em 2015) não respeitou o acordo de accionistas.
As informações do “Público” indicam que duas assembleias-gerais de accionistas realizadas nos últimos meses do ano passado resultaram em dois empates, gra-ças a um alinhamento entre a Mercury e a PT Ventures, em oposição à Vidatel e a Geni.
Se a Vidatel e a Geni querem a renovação dos mandatos da empresária e do general, a PT Ventures e a Mercury querem nomear outros responsáveis. A ideia seria escolher para o lugar de presidente do conselho um independente, uma figura proeminente da sociedade angolana sem nenhuma ligação especial aos accionistas, seguindo-se a mesma lógica para o cargo de presidente da mesa da AG.
A gestão executiva, que agora cabe a Antony Dolton, de acordo com o jornal português, um homem de confiança de Isabel dos Santos, seria também atribuída a um gestor profissional que reunisse a aprovação dos sócios.

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