Entrevista

“A Alemanha quer mais angolanos a estudarem nas suas universidades”

Roque Silva

O reduzido número de estudantes que concorrem a bolsas de estudo por via do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico trouxe recentemente a Angola a responsável pelo Departamento para a África Subsaariana da instituição alemã, que dialogou com responsáveis de quatro estabelecimentos de ensino superior e com estudantes. Em Luanda e no Lubango, Gudrun Chazotte falou, detalhadamente, do sistema de ensino universitário alemão e do desejo de a Alemanha receber mais estudantes angolanos. No final da sua visita de trabalho a Angola, Gudrun Chazotte concedeu ao Jornal de Angola uma entrevista, na qual disse esperar que, na sequência da visita que efectuou, “mais angolanos se candidatem ao programa de bolsas de mestrado e de doutoramento ou decidam estudar na Alemanha por conta própria.” O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico foi criado em 1925 e actua no financiamento de bolsas de estudo e na facilitação da cooperação académica entre universidades alemãs e estrangeiras. Anualmente, disponibiliza 120 bolsas de estudo, distribuídas por 250 programas, para mestrado, doutoramento e para pesquisa pós-doutoramento.

Gudrun Chazotte destacou que há um grande comprometimento por parte do Governo alemão em contribuir para a formação académica de jovens africanos
Fotografia: Eduardo Pedro | Edições Novembro

A sua vinda a Angola pode ser entendida como o início de um processo que visa o relançamento da cooperação a nível da Educação entre Angola e a Alemanha, interrompida por altura da desintegração da República Democrática Alemã (RDA), em 1990?

Obviamente. Para o Serviço Alemão de Intercâmbio Académico, é importante retomar a cooperação que já existia. Gostaríamos de poder contar e aproveitar, como interlocutores, os angolanos que se formaram na antiga República Democrática Alemã (RDA).

Antes de chegar a Luanda, que informações tinha sobre o ensino universitário de Angola?

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico tem um departamento que recolhe informações sobre o sistema académico de todos os países do mundo.

Quando é que Angola vai dispor de escritório do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico?

Temos muitas representações e escritórios espalhados pelo mundo. No continente africano, os escritórios estão divididos por regiões. Temos um escritório central, em Nairobi, Quénia, para atender a África Subsaariana, e, ainda no continente africano, vários escritórios informativos que servem de suporte para a recolha de mais pormenores sobre o sistema estudantil. Esperamos abrir um escritório em Angola num futuro próximo, à semelhança do que fizemos na África do Sul e no Ghana. Nos países onde não há escritórios, as embaixadas alemãs fazem esse trabalho.

Os candidatos a bolsas de estudo concedidas pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Académico têm de ter conhecimentos básicos da língua alemã?

Não, necessariamente. Basta que tenham domínio da língua inglesa, por ser outro idioma com cursos disponíveis na Alemanha. São, no total, 1.900 cursos na língua inglesa disponíveis em universidades alemãs. Até hoje, são poucos os angolanos que solicitaram bolsas de estudo ao Serviço Alemão de Intercâmbio Académico.

O desconhecimento da língua alemã pode ser uma das razões do reduzido número de bolsas de estudo concedidas a estudantes angolanos?

Quero acreditar que não, embora a língua seja crucial para um candidato conseguir uma bolsa. Mas temos muitos cursos em inglês. Prefiro acreditar noutras razões, como o desconhecimento do sistema académico alemão e dos programas de bolsas de estudo.

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico vai estabelecer parcerias com universidades angolanas?

É uma das razões da minha visita a Angola. O assunto foi abordado com as direcções das universidades que visitei e onde orientei palestras. Falei sobre uma possível parceria destinada à atribuição de bolsas gratuitas de mestrado, doutoramento e para pesquisas pós-doutoramento. Sugeri que as universidades identifiquem congéneres alemães como futuros parceiros para que sejam intermediários no processo. Além das bolsas, o nosso foco é também a promoção de parcerias entre as universidades alemãs e de outros países.

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico facilita os processos burocráticos para a atribuição de bolsas de estudo, desde o apoio a estudantes para encontrarem um plano de estudos até à forma de como chegarem à Alemanha?

Entre os estudantes estrangeiros que se formam na Alemanha há bolseiros e os que estudam por conta própria. Nós ajudamos os bolseiros, dando-lhes aconselhamento e ajuda com os processos burocráticos e sobre como encontrar um curso à sua escolha. Mas, também, já auxiliámos muitos estudantes que se deslocaram à Alemanha por conta própria. Gostaríamos de poder ajudar mais estudantes, mas não dispomos de recursos humanos para acudir à grande procura. Porém, temos escritórios em alguns países, onde os interessados podem ser informados e ver a sua intenção facilitada. Gostaríamos de contar com o apoio de ex-estudantes angolanos neste processo, devido ao elevado grau de conhecimento do sistema de ensino alemão. Sabemos que, em breve, vai ser criada uma associação de antigos estudantes na Alemanha, pelo que queremos contar com o seu apoio, fazendo recomendações e dando conselhos aos angolanos interessados em estudar na Alemanha.

Neste ano, que está prestes a terminar, o Serviço Alemão de Intercâmbio Académico recebeu quantas candidaturas de estudantes angolanos?

O programa de intercâmbio existe em 15 países africanos. Até hoje, são muito poucos os angolanos que tiveram acesso a uma bolsa de mestrado e ou de doutoramento facilitado pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Académico. Este ano, não recebemos qualquer candidatura e, no ano passado, recebemos apenas uma, o que nos surpreende. A falta de informação sobre a existência de vários programas académicos de facilitação de bolsas de estudo para cursos de mestrado, doutoramento e de pesquisas pós-doutoramento e o desconhecimento do sistema de ensino académico alemão podem estar entre os factores que contribuem para o reduzido número de candidaturas de estudantes angolanos.

Os estudantes africanos que se candidatam em maior número são de que países?

Os africanos de países anglófonos são os que se candidatam em maior número por via do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico. Na lista aparecem à frente estudantes do Quénia, África do Sul e da Nigéria. Devido ao domínio da língua alemã, muitos jovens camaroneses estudam na Alemanha por conta própria.

As equivalências entre as universidades alemãs e estrangeiras fora da Europa podem ser uma “dor-de-cabeça” para os estudantes angolanos?

Em África, existem universidades com a qualidade de ensino equivalente à das europeias. O problema é que não há, na Europa, conhecimento sobre o ensino das universidades africanas, razão pela qual as universidades europeias não conseguem facilmente avaliar. Isto cria um certo obstáculo ao estabelecimento de uma possível cooperação no campo da pesquisa. Não digo que seja uma “dor-de-cabeça”. O que se deve fazer é adequar a formação por via do estudo de outras matérias que integram o plano curricular do mesmo curso na Alemanha e que não são estudadas em Angola, por exemplo. Além disso, os bolseiros devem recapitular o que aprenderam no nível de ensino anterior para dirimir possíveis insuficiências, ou seja, o refrescamento é indispensável porque os temas e matérias para os mesmos cursos são diferentes em universidades africanas e europeias, neste caso as alemãs.

Quais são as perspectivas de um bolseiro angolano na Alemanha?

Qualidade de vida e de formação académica, mas sem compromisso de garantia de emprego pelo Serviço Alemão de Intercâmbio Académico, porque o nosso foco é a promoção e a garantia de formação. Somos uma organização puramente académica. Mas existe uma grande possibilidade de ex-estudantes arranjarem emprego por haver sempre na Alemanha áreas de trabalho em que há défice de mão-de-obra. O mercado de trabalho alemão é vasto e precisa sempre de pessoas. Mas achamos que é uma mais-valia os ex-bolseiros voltarem para os seus países de origem a fim de contribuírem para o seu desenvolvimento em ramos como o do ensino.

Na sequência da sua visita a Angola, acredita que o Serviço Alemão de Intercâmbio Académico vai conseguir atrair para universidades alemãs mais jovens angolanos?

Acredito que sim, uma vez que a minha visita a Angola é feita na sequência de solicitações que chegaram ao Serviço Alemão de Intercâmbio Académico por e-mail, provenientes de universidades angolanas. Na verdade, o nosso propósito é o estreitamento das relações com as instituições académicas angolanas de ensino superior e atrair mais jovens angolanos para as universidades alemãs. O domínio da língua alemã ou inglesa é preponderante.

Antes de formalizar um pedido de bolsa ao Serviço Alemão de Intercâmbio Académico, é recomendável que o interessado entre em contacto, primeiro, com a universidade alemã onde deseja estudar?

Os procedimentos para bolsas de doutoramento e de mestrado são diferentes. A maior parte das bolsas são para doutoramento. O candidato a um curso de doutoramento deve contactar, primeiro, uma universidade alemã, identificar um supervisor (orientador) de tese, apresentar uma proposta para tema de pesquisa e fazer a candidatura junto do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico. Já o acesso às bolsas para mestrado é feito por candidatura directa feita às universidades alemãs que fazem parte do programa académico. O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico facilita apenas nas questões burocráticas ligadas à documentação, tão logo o candidato receba uma resposta positiva de acesso à bolsa. As vagas para os cursos de mestrado são sempre limitadas. Os requisitos e os contactos estão disponíveis na página do programa académico e as candidaturas podem ser feitas por qualquer licenciado ou mestre.

Quais são os programas ou bolsas a que os estudantes angolanos mais se candidatam?

As poucas candidaturas feitas até hoje foram para cursos de mestrado. Mas gostaríamos que houvesse muito mais solicitações até para doutoramento e para pesquisas pós-doutoramento.

A apresentação de uma “proposta bem estruturada” sobre o tema que se pretende desenvolver a nível de estudo superior, seja mestrado ou seja doutoramento, é “meio caminho andado” para que um candidato seja bem-sucedido e bem recebido pelo professor ou professores de uma universidade alemã?

Com certeza. Se a proposta de tema de pesquisa for boa é já um passo, porque é um dos requisitos exigidos, mas nunca uma garantia de bolsa.

“Queremos parcerias entre universidades alemãs e angolanas”

As universidades alemãs têm áreas de apoio aos estudantes estrangeiros para facilitar a integração e um bom ambiente de trabalho académico?
As universidades alemãs têm, na sua maioria, áreas próprias para o efeito, sendo que, em muitas delas, são chamadas de “escritórios internacionais”. Elas são muito inclusivas e internacionais, uma vez que agregam estudantes de todo o mundo com o mesmo grau de dificuldade de adaptação. Os escritórios prestam serviços de apoio, dando recomendações e aconselhamento. Na maioria das universidades, existem também programas específicos, em que os estudantes alemães ajudam os estrangeiros, nos primeiros meses, a conhecerem a cidade onde se encontram e a comunicarem-se em alemão. Os bolseiros do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico têm também um curso de integração, no qual recebem informações sobre o sistema académico e a vida em geral na Alemanha.

Ficou subjacente, nos contactos com estudantes, o interesse de muitos em estudar na Alemanha?

Sentimos que há um grande interesse, que ficou subjacente nas palestras concedidas por mim nas universidades Agostinho Neto, Lusíada de Angola e Mandume ya Ndemufayo e também no Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (Isptec). Os auditórios ficaram lotados em período de pausa pedagógica e ao sábado. Espero que a minha visita faça com que mais angolanos se candidatem ao programa de bolsas de mestrado e de doutoramento ou decidam estudar na Alemanha por conta própria.

Com que impressão sai de Angola, um país que, depois de ter vivido um período prolongado de guerra civil, está num processo de reconstrução nacional?

Não vi muitos traços da guerra civil, por, somente, ter estado nas cidades de Luanda e do Lubango. A minha visão é limitada. Confesso que, enquanto preparava a minha visita a Angola, pensava que fosse encontrar muitos escombros. A minha impressão é positiva, porque noto que as pessoas são abertas, cordiais, simpáticas e acolhedoras. Notei um grande interesse das pessoas em saber mais sobre a Alemanha, o que, para mim, foi uma surpresa. Daí pensar que as relações académicas devem tornar-se mais estreitas.

Há perspectiva de estabelecimento de parcerias com as universidades angolanas?

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico está disponível para dar um passo adiante nas relações. É possível que isto aconteça, caso regresse novamente a Angola. Importa acentuar que somos apenas intermediários e facilitadores no que diz respeito ao intercâmbio académico, mas existe sempre a possibilidade de as universidades angolanas poderem estabelecer parcerias de forma directa com as congéneres alemãs, que giram à volta de 400 universidades.

O papel de facilitador do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico é extensivo a todos os cursos e universidades existentes na Alemanha?

Colaboramos com todas as universidades na Alemanha e procuramos facilitar a entrada de estudantes estrangeiros nas melhores instituições de cada formação específica.

Já atenderam estudantes alemães com interesse em fazer pesquisas académicas em Angola?

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico nunca intermediou, mas sabemos da existência de alguns casos pontuais em que estudantes alemães estiveram a fazer pesquisas em Angola. Mas seria bom que houvesse com regularidade, pois Angola tem uma história cultural muito rica.

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico é uma das mais antigas organizações do género no Mundo e concede bolsas a estudantes alemães que queiram estudar fora do país e a estudantes estrangeiros que queiram estudar na Alemanha. Qual é o orçamento anual da organização e de onde vem o dinheiro?

O orçamento do ano passado foi de 558 milhões de euros. É um valor proveniente do Governo alemão, por via de vários ministérios entre os quais os das Relações Exteriores e da Cooperação para o Desenvolvimento, e da população alemã, por via do pagamento de impostos.

Há um grande comprometimento do Governo alemão em contribuir para a formação académica de jovens africanos?

Sim, porque a estratégia geral do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico também é coordenada pelo Governo alemão. Mas nós somos uma instituição com objectivos independentes, embora recebamos dinheiro do Governo. A selecção dos bolseiros é feita por peritos e docentes das universidades que têm os cursos à disposição.

“Queremos parcerias entre universidades alemãs e angolanas”

As universidades alemãs têm áreas de apoio aos estudantes estrangeiros para facilitar a integração e um bom ambiente de trabalho académico?

As universidades alemãs têm, na sua maioria, áreas próprias para o efeito, sendo que, em muitas delas, são chamadas de “escritórios internacionais”. Elas são muito inclusivas e internacionais, uma vez que agregam estudantes de todo o mundo com o mesmo grau de dificuldade de adaptação. Os escritórios prestam serviços de apoio, dando recomendações e aconselhamento. Na maioria das universidades, existem também programas específicos, em que os estudantes alemães ajudam os estrangeiros, nos primeiros meses, a conhecerem a cidade onde se encontram e a comunicarem-se em alemão. Os bolseiros do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico têm também um curso de integração, no qual recebem informações sobre o sistema académico e a vida em geral na Alemanha.

Ficou subjacente, nos contactos com estudantes, o interesse de muitos em estudar na Alemanha?

Sentimos que há um grande interesse, que ficou subjacente nas palestras concedidas por mim nas universidades Agostinho Neto, Lusíada de Angola e Mandume ya Ndemufayo e também no Instituto Superior Politécnico de Tecnologias e Ciências (Isptec). Os auditórios ficaram lotados em período de pausa pedagógica e ao sábado. Espero que a minha visita faça com que mais angolanos se candidatem ao programa de bolsas de mestrado e de doutoramento ou decidam estudar na Alemanha por conta própria.

Com que impressão sai de Angola, um país que, depois de ter vivido um período prolongado de guerra civil, está num processo de reconstrução nacional?

Não vi muitos traços da guerra civil, por, somente, ter estado nas cidades de Luanda e do Lubango. A minha visão é limitada. Confesso que, enquanto preparava a minha visita a Angola, pensava que fosse encontrar muitos escombros. A minha impressão é positiva, porque noto que as pessoas são abertas, cordiais, simpáticas e acolhedoras. Notei um grande interesse das pessoas em saber mais sobre a Alemanha, o que, para mim, foi uma surpresa. Daí pensar que as relações académicas devem tornar-se mais estreitas.

Há perspectiva de estabelecimento de parcerias com as universidades angolanas?

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico está disponível para dar um passo adiante nas relações. É possível que isto aconteça, caso regresse novamente a Angola. Importa acentuar que somos apenas intermediários e facilitadores no que diz respeito ao intercâmbio académico, mas existe sempre a possibilidade de as universidades angolanas poderem estabelecer parcerias de forma directa com as congéneres alemãs, que giram à volta de 400 universidades.

O papel de facilitador do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico é extensivo a todos os cursos e universidades existentes na Alemanha?
Colaboramos com todas as universidades na Alemanha e procuramos facilitar a entrada de estudantes estrangeiros nas melhores instituições de cada formação específica.

Já atenderam estudantes alemães com interesse em fazer pesquisas académicas em Angola?

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico nunca intermediou, mas sabemos da existência de alguns casos pontuais em que estudantes alemães estiveram a fazer pesquisas em Angola. Mas seria bom que houvesse com regularidade, pois Angola tem uma história cultural muito rica.

O Serviço Alemão de Intercâmbio Académico é uma das mais antigas organizações do género no Mundo e concede bolsas a estudantes alemães que queiram estudar fora do país e a estudantes estrangeiros que queiram estudar na Alemanha. Qual é o orçamento anual da organização e de onde vem o dinheiro?

O orçamento do ano passado foi de 558 milhões de euros. É um valor proveniente do Governo alemão, por via de vários ministérios entre os quais os das Relações Exteriores e da Cooperação para o Desenvolvimento, e da população alemã, por via do pagamento de impostos.

Há um grande comprometimento do Governo alemão em contribuir para a formação académica de jovens africanos?

Sim, porque a estratégia geral do Serviço Alemão de Intercâmbio Académico também é coordenada pelo Governo alemão. Mas nós somos uma instituição com objectivos independentes, embora recebamos dinheiro do Governo. A selecção dos bolseiros é feita por peritos e docentes das universidades que têm os cursos à disposição.

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