Entrevista

“A Matemática não é um bicho de sete cabeças”

José Luís Mendonça

Maria de Natividade é uma professora universitária dispensada pela Faculdade de Ciências da Universidade Agostinho Neto. O facto de ser docente de uma disciplina que representa o “Calcanhar d’Aquiles” para a maioria dos estudantes angolanos acresce à sua exoneração um factor de incompreensão sobre os rumos que o Ensino Superior em Angola está a tomar. Quando chegou à direcção do Departamento de Matemática, a professora adoptou algumas reformas, que exigiam maior empenho dos estudantes. Em face do seu fraco empenho e das consequentes reprovações, os estudantes adoptaram uma posição de força, tendo a direcção da Faculdade de Ciências constituído uma comissão de inquérito que conduziu à sua exoneração e à suspensão da actividade docente na faculdade.

Fotografia: DR

Qual foi o resultado final da sua defesa de tese?

Summa Cum Laude, a classificação mais alta que se obtém no Doutoramento.

Qual a sua visão do Mundo e as suas crenças filosóficas?

Como cristã, católica praticante, a minha visão do Mundo está baseada nos fundamentos cristãos, ou seja, nas Escrituras Sagradas. Eu creio que a sabedoria humana é dada pelo seu Criador, tal como dizem as Escrituras. Penso que qualquer pessoa tem várias crenças e quer que estas sejam verdadeiras, racionais e baseadas em provas.

Dra. Natividade, pode, por favor, dizer o que na verdade se passou consigo na Faculdade de Ciências da UAN?

O que se passou na realidade é que a direcção da Faculdade cedeu às exigências dos estudantes. Quando cheguei à direcção do Departamento, comecei por implementar algumas reformas, tais como: a contratação dos licenciados em Matemática com  média mínima  de 14 valores e de professores convidados, especialistas em Matemática, nacionais ou estrangeiros e ir substituindo paulatinamente os professores não especialistas, mas que, entretanto, faziam parte do corpo docente do Departamento, fundamentalmente os engenheiros geógrafos e especialistas em Ensino das Ciências.
O envio dos melhores estudantes e docentes nas categorias de assistentes estagiários e assistentes para as melhores universidades do mundo para a formação pós-graduada em Matemática e, de forma paulatina e segura, a médio e a longo prazos, teríamos  docentes especialistas em Matemática no Departamento,  capazes de responder às exigências do curso de Matemática, de todos cursos da Faculdade de Ciências e de todos os cursos que têm no seu plano curricular as disciplinas de Matemática.
A aplicação das prescrições, constantes no Regime Académico da UAN e que nunca foram aplicadas no Departamento e em alguns departamentos da Faculdade de Ciências. O regime de prescrição consiste no seguinte: os estudantes do ciclo básico que reprovam duas vezes na mesma disciplina ou ano entram na condição de prescritos e só terão direito a inscrição em apenas um ano lectivo, durante o qual poderão ser admitidos aos exames que nele se realizam (época normal e de recurso), mediante um requerimento dirigido ao Decano da Unidade Orgânica. Se, no decorrer deste ano, o estudante não sair da situação de prescrito, ser-lhe-á cancelada definitivamente a matrícula na Universidade Agostinho Neto. Em relação aos restantes anos, a prescrição aplica-se quando o estudante reprova três vezes no mesmo ano curricular.

São reformas demasiado exigentes para os estudantes?

Estas reformas exigiam maior empenho dos estudantes, mas, como isto não acontecia, o número de reprovações aumentou consideravelmente em quase todas as disciplinas do curso. Perante este quadro, os estudantes, fundamentalmente, finalistas do Ciclo Básico, ou seja, do 3º ano, e do Ciclo de Especialidade, apresentaram uma carta à direcção da Faculdade, datada de 28 de Setembro de 2018, com o título “O Fim do Curso de Matemática e a Insatisfação Total dos Estudantes”. Uma posição de força, como se de trabalhadores em posição de greve geral se tratasse, só permitida legalmente a funcionários e trabalhadores e diziam que deveriam ser ouvidos, sob pena de paralisarem as aulas, um autêntico abuso das suas atribuições e deveres. A Faculdade, ao invés de tomar medidas sancionatórias, pactua com elas, numa atitude de inactividade e neutralidade, ou seja, “em cima do muro”.

 A senhora sentiu-se pressionada?

Perante este “braço de ferro”, entre estudantes e a direcção da Faculdade de Ciências, fui coagida a demitir-me, mas neguei-me a fazê-lo, porque não via motivos para me demitir. A partir deste momento, fui vítima de tortura psicológica. Neste sentido, o Reitor da UAN orientou a constituição de uma comissão de inquérito neutra e que dela fizesse parte um jurista que não fosse da UAN, o que não aconteceu.

A senhora resistiu mesmo ao convite para se demitir?

Sucessivamente, foram feitas montagens para justificar a minha exoneração de chefe do Departamento de Ensino e Investigação de Matemática e para a suspensão da actividade docente na faculdade. Na realidade, eu não sou a única professora que está suspensa da actividade docente. Todos os professores das disciplinas em que os estudantes alegavam existir muitas reprovações, como são os casos dos professores de  Teoria de Medida e Integração e de Metodologia de Investigação Científica. Foram substituídos por professores não especialistas, não docentes do Departamento, muitos deles simples licenciados, sem qualquer experiência, nem acompanhamento. Uma situação bastante grave e de difícil reparação para o curso de Matemática.
 Quero realçar que a licenciatura em Matemática na Faculdade de Ciências, a única que forma Matemáticos no país, existe há mais de 50 anos, entretanto só formou até agora um único Doutor em Matemática,  que sou eu. Uma situação bastante grave, por um lado, para a qualidade das licenciaturas de todos os cursos  na Faculdade, porquanto todos os cursos da Faculdade têm no seu programa curricular disciplinas de Matemática, por outro, para o desenvolvimento da investigação da  ciência e da tecnologia no país, porquanto a Matemática é a base.

Por que se deve a falta de Mestre e Doutores, na disciplina?

O motivo da falta de Matemáticos (Mestres e Doutores) é a má qualidade da licenciatura. Quando os estudantes terminam a licenciatura em Matemática não possuem bases suficientes para fazer uma pós-graduação em Matemática e muitos optam por fazer uma outra. Com as reformas que tínhamos implementado, conseguimos estudantes bem  preparados, capazes de realizar as teses de licenciatura e fazer cursos de Mestrado em Matemática em Universidades de renome. É o caso de estudantes finalistas que são enviados anualmente à Universidade de Múrcia (Espanha), para estágios de trabalhos de fim de curso, no âmbito do convénio de cooperação entre a Universidade Agostinho Neto e a Universidade de Múrcia, sobre mobilidade de estudantes, docentes e pessoal administrativo de ERASMUS+ e que eu coordeno, um mestre pela Universidade Autónoma de Madrid (Espanha), que é docente do Departamento, e outro pela Universidade Exter (Reino Unido), que obteve um título com distinção.

Há outros exemplos bem sucedidos ...?

No plano da formação dos jovens para o quadro docente do Departamento, também se formou um outro mestre na Universidade de Exter e um terceiro que estudou em Cuba e que contactou o Departamento na altura em que estava a estudar o mestrado para o seu enquadramento, quando terminasse. Estes três mestres, devido à situação criada no Departamento, não aceitaram fazer parte do quadro docente, estando um deles a trabalhar numa empresa de seguros. O segundo, devido ao seu resultado no Mestrado, ganhou uma bolsa de estudos do Governo da Alemanha, para fazer o doutoramento, tendo preferido aceitar esta oferta do que vir para o Departamento. Disse que, se a situação do curso de Matemática na Faculdade de Ciências não se regularizasse, preferirá  não regressar para o país e o terceiro foi para a província de Benguela. Ou seja, o curso de Matemática em Angola voltou ao ponto zero ou pior.  O Governo investiu na formação de quadros, mas, devido à interferência política na academia, estes preferem fugir para fora do país e para empresas privadas.
 
A Matemática é um “bicho-de-sete-cabeças” para os estudantes? É mito ou realidade?

É mito. A Matemática não é nenhum “bicho”, nem de uma, nem de sete cabeças. A Matemática oferece-nos um conjunto de ferramentas poderosas para compreender e mudar o mundo. Joga um papel fundamental no desenvolvimento da ciência e da tecnologia. A formação em Matemática desenvolve e fortalece habilidades pessoais, como é a capacidade do pensamento lógico, de analisar e sintetizar, a abstracção e a resolução de problemas. Estas capacidades são muito valorizadas, tanto nos contextos académicos, como profissionais ou para colaboração em equipas interdisciplinares.

Onde é que reside o problema da aprendizagem dessa disciplina? Existe alguma chave secreta para aprender Matemática?

O problema  reside na preparação dos professores. Por exemplo, no nosso contexto, o que se verifica na maioria dos casos é que muitos professores que leccionam Matemática, tanto no ensino de base, como no ensino superior, não têm formação em Matemática. Os resultados não animadores obtidos por alunos em vários países em Matemática têm suscitado atenção dos órgãos de decisão para o ensino e certamente dos professores e justificam a urgência na procura de soluções definitivas e sobretudo eficazes. Neste sentido, o Ministério do Ensino Superior desenvolveu um projecto de identificação de talentos, nos anos 2013-2016, destinado a estudantes angolanos que tivessem concluído o ensino secundário, superior ou mestrado. Este projecto tinha sido concebido para a selecção de talentos que servissem  de base para a melhoria do ensino da Matemática, Física e Química e visava também servir de suporte na facilitação e aprofundamento de seus conhecimentos científicos e pedagógicos e desenvolver as suas competências profissionais. Por outro lado, visava ainda enquadrar aquele cujo empenho se diferencie nas áreas de investigação académica e científicas das universidades públicas.

Como funcionava o projecto?

O projecto de identificação de talentos consistia em identificar 108 talentos por ano académico, sendo 6 por província, apurados em função do rendimento escolar do ano em causa e, posteriormente, por concurso, seriam apurados os que tivessem melhor classificação. Estes seriam enviados às melhores universidades do mundo para a sua formação, beneficiando, desta feita, de uma bolsa de estudos externa. O projecto  tinha um horizonte temporal contínuo de 5 anos para a formação.
Para o desenvolvimento deste trabalho, foi criada uma comissão sob minha coordenação e composta por coordenadores de todas regiões académicas. Em Janeiro de 2015, foram seleccionados os candidatos a talentos em todas as regiões académicas, pelo expediente académico, respeitando os critérios estabelecidos no regulamento interno do projecto. Estes foram submetidos a uma prova nacional, realizada em todas as regiões académicas no mesmo dia e à mesma hora, com a supervisão dos técnicos do Ministério do Ensino Superior e as coordenações regionais, no dia 16 de Dezembro de 2015. Foram seleccionados apenas 25 estudantes, dos 593 avaliados a nível nacional. O passo seguinte seria envia-los às melhores universidades do mundo, para a sua formação, licenciatura e pós-graduação. Terminada a formação fariam parte do quadro docente das instituições do ensino superior nas suas províncias de origem. Entretanto, isto nunca aconteceu, ou seja,  nem sequer concluiu-se a primeira edição do projecto. Penso que este projecto seria um ponto de partida para a melhoria da qualidade do ensino e a iniciativa foi muito apoiada pelas universidades estrangeiras parceiras no projecto, ou seja, para onde seriam enviados os talentos.

Como deve ser ministrado o aprendizado da Matemática no Ensino de Base?

Na primária, devem ensinar professores preparados para este nível, como é o caso dos formados nos magistérios primários, devendo-se, para o efeito, rever os seus programas. Para o I Ciclo, os formados pelas escolas de formação de professores, e, para o II Ciclo, professores com licenciatura em Matemática, como ciência e com agregação pedagógica. Neste sentido, pensamos, com os colaboradores da Universidade de Aveiro (Portugal), em 2016, num projecto de superação de professores de Matemática do Ensino Médio, que foi submetido à União Europeia, em Fevereiro deste ano, para o financiamento. É um projecto de formação de formadores com a duração de três anos e visa preparar especialistas angolanos e moçambicanos por profissionais da Universidade de Aveiro, da Universidade de Coimbra e da Universidade Autónoma de Madrid, para a superação dos professores de Matemática do ensino médio, ou seja, professores da 10ª, 11ª e 12ª classes.

Porquê apenas estas classes?

Porque estes níveis? Estes professores são os que preparam os novos estudantes para as universidades e também os professores dos níveis inferiores do ensino de base. Portanto, penso que, se esta franja de professores estiver bem preparada, como consequência, teremos os estudantes que entram nas universidades com boas bases e os professores da primária e do I ciclo também bem preparados. A formação consistirá em 60% da parte científica, isto é, de Matemática e 40% da Didáctica e Pedagógica, porque, pelas constatações feitas, fundamentalmente, no meu trabalho de docência e orientação das teses de mestrado do ISCED-Huila e Luanda, a grande dificuldade dos professores está nos conteúdos de Matemática.  

Nunca pensou em publicar algum manual sobre este tópico?

Eu sou Matemática, não do ensino da Matemática. Portanto, primeiro penso escrever um manual em Matemática e também já tenho publicado um capítulo de um livro a nível de investigação em Matemática pura. Mas, como disse, colaboro nos mestrados do ensino das ciências, na especialidade de Matemática, e também sou co-directora de teses de doutoramento nesta área, em colaboração com a Universidade de Aveiro. Por isso, existe muita possibilidade de escrever algum manual sobre este assunto.


Uma sobrevivente da invasão sul-africana

Maria de Natividade nasceu em 20 de Julho de 1962, em Nankuiu, na província do Cunene. É filha de camponeses, Jerónimo Emiliano Tyamukueni e Olímpia Munekova.
“Na cidade onde nasci não havia escola. Por isso, tínhamos de caminhar muitos quilómetros para chegar à Missão de Chiulo, onde só pudemos estudar até à 4ª Série do Ensino Fundamental. Em 1974, começa a guerra pela Independência de Angola e não pude continuar a estudar até ao ano de 1977, em que meu tio pensou em enviar-me para Cuba. No entanto, quando cheguei a Luanda, não fui seleccionada. Em 1979, o meu tio queria que eu voltasse para o Cunene e lá estudei o 3º e o 4º anos do Ensino Secundário em 1980 e 1981.
Em 1981, a minha província sofreu a maior das suas guerras, a invasão da África do Sul, que entrou em Ondjiva, a capital. A guerra começou aproximadamente às 6h30 do dia 23 de Agosto de 1981 e foi por terra e pelo ar. Assim que o combate terrestre parou, o aéreo começou. Todos corremos sob o bombardeio. Muitos morreram e os outros continuaram a correr. Quando voltámos à cidade, não havia uma casa de pé.
 Depois disso, fui para a província de Huíla e trabalhei no sector artístico da Delegação Provincial de Cultura.  Em 1985, terminei o ensino médio e passei a leccionar por dois anos e só depois disso eu teria o direito de ingressar na universidade.
Em 1987, fui enviada para o curso pedagógico de Matemática. Neste mesmo ano, o Governo búlgaro ofereceu algumas bolsas de estudo para fazer Medicina e, mais uma vez, não pude ir. Naquela época, como eu já estava a caminho do curso pedagógico, comecei a estudar, já em Luanda. Nos anos 1990-1991, as modalidades de admissão à universidade já haviam mudado e matriculei-me na Faculdade de Ciências para o curso de Matemática, em 1992. Mas em Angola não existiam as condições apropriadas. Os alunos que terminaram o 3º ano tiveram de concluir o curso fora do país. A única licenciatura em Ciências Matemáticas, após a Independência de Angola, foi minha, em 1997, na Universidade Agostinho Neto e publicámos, eu e o meu tutor de trabalho de fim de carreira, um artigo numa revista portuguesa de Matemática.
Depois de terminar a minha licenciatura, fui contratada como professora de Matemática e Engenharia Geográfica na UAN. Depois de uma luta árdua, a direcção da faculdade apoiou-me e autorizou o mestrado no país que eu queria. Através de um amigo, pude inscrever-me na Universidade Autónoma de Madrid, em 2001. Naquela época, eu já era mãe de três filhos. Dividia a casa com alguns conterrâneos, porque ninguém em Espanha aceitou arrendar-me um apartamento, porque eu tinha filhos.
 Depois de dois anos e meio, o DEA (Diploma de Estudos Avançados), que é agora o mestrado, terminou, com a apresentação de dois trabalhos: ‘Comportamiento Asintótico en una Ecuación de Difusión con Término e La Integral de Henstock-Kurzweil’, respectivamente. Em Julho de 2010, terminei a minha tese de doutoramento em Análise Harmónica, ‘Abordagem Não-Linear com Wavelets’.
Naquela época, eu era a segunda pessoa a obter um doutoramento na área de Matemática em Angola e a única doutora em Matemática até hoje. Esteve sempre claro para mim dar a minha contribuição para melhorar a qualidade do ensino e, em particular, o ensino da Matemática em Angola. Foi por isso que, em Julho de 2011, voltei definitivamente para o meu país.”


Perfil

Maria de Natividade Maria de Natividade lecciona desde 1985.
Começou no Ensino de Base (II e III níveis), no Lubango; passou para o Ensino Médio, em Luanda, e finalmente para a Faculdade de Ciências, para onde entrou como monitora.
É docente na Faculdade de Ciências desde 1997. Enquanto estudante de mestrado e doutoramento na Universidade Autónoma de Madrid, colaborava dando aulas práticas, organizando congressos, nacionais e internacionais.  Foi membro dos grupos de investigação do Departamento de Matemática da referida universidade, colaborou com os mestrados do ISCED-Huíla e ISCED-Luanda, desde 2010 e 2018, respectivamente, como professora dos módulos de complementos de Matemática e orientadora das teses de Mestrado no ISCED-Huíla.
É co-directora de teses de Doutoramento em Ensino da Ciências, na especialidade de Matemática, na Universidade de Aveiro (Portugal), desde 2016, e professora no mestrado de Múrcia, no âmbito da ERASMUS+ sobre a mobilidade de docentes e investigadores.
Foi convidada a dar aulas nos mestrados de Matemática, numa Universidade do Benin e da Nigéria. É secretária da Comissão de Educação de Matemática da União Africana para o período 2017-2021. Foi investigadora principal de um projecto de pesquisa conjunta Angola-África do Sul, cujo nome é: “Estudo de Códigos Lineares Obtidos a Partir de Grupos Finitos Simples, e Modelagem de Doenças Transmissíveis” (2013-2016) e coordenou um projecto de identificação de talentos em Matemática, Física e Química do Ministério do Ensino Superior de Angola, de 2014 a 2016.
Devido à sua participação em congressos de Matemática em África, particularmente no 9º Congresso Pan-Africano de Matemática, em 2017, foi nomeada secretária da Comissão de Ensino da Matemática da União Africana, por um período de  4 anos.

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