Entrevista

A medicina natural visa mais a pessoa do que a doença

Geraldo Calala, especialista em iridologia, ramo que permite conhecer através da íris as doenças específicas dos órgãos, falou ao Jornal de Angola sobre a importância da medicina natural e da alimentação na prevenção e tratamento de doenças.

Geraldo Calala defende que é preciso educar o doente a conhecer a doença de que padece e os recursos que tem disponível para poder se curar
Fotografia: Nuno Flash

Geraldo Calala, especialista em iridologia, ramo que permite conhecer através da íris as doenças específicas dos órgãos, falou ao Jornal de Angola sobre a importância da medicina natural e da alimentação na prevenção e tratamento de doenças.

Domingos dos Santos |

Jornal de Angola - Qual é a importância da medicina natural?

Geraldo Calala - A medicina natural é importante para o tratamento de doenças porque aborda os aspectos nutricionais do doente. Um doente que tem diabetes não se cura só com medicamentos, cura-se tambem com mudança de comportamentos. É preciso educar o doente a conhecer a doença, as causas e os recursos que tem disponíveis para se curar. Em países como a Alemanha, Inglaterra, China, Estados Unidos, Japão e Brasil, já se começa a pensar que o medicamento não pode ser o primeiro recurso para o tratamento do doente.

JA - Qual é a alimentação ideal por dia para uma pessoa?


GC – Primeiro, consumir á­gua. As pessoas que têm gastrite devem evitar as frutas ácidas, e as que têm prisão de ventre, que também é uma doença, devem comer frutas com fibras, como é o caso da maçã. Ao almoço, antes do alimento cozido, comer uma salada de alface, beterraba, cenoura, a­grião. Antes do jantar também uma salada com alface, cebola, alho, principalmente para a­quelas pessoas que têm insónias, ou então comer frutas como a banana.

JA - Qual é a importância do consumo de verduras?

GC –
Para a digestão precisamos de enzimas que são substâncias que aceleram este processo. Muitas pessoas comem e ficam empanturradas e resolvem isso com uma bebida estimulante, gaseificada ou até mesmo alcoólica para acelerar a digestão, o que não está correcto. A pessoa deve ingerir alimentos que estimulam a digestão, como as verduras e as frutas.

JA - Como educar as pessoas para bons hábitos alimentares?


GC – É preciso uma frente que envolva os profissionais de saúde, professores, a sociedade civil, as Igrejas e a comunicação social, porque é muito importante fazer chegar mensagens sobre as opções e os investimentos que se fazem na agricultura. As pessoas não têm o hábito de consumir produtos saudáveis, por isso devemos focar-nos na educação. Há países onde há jardins urbanos ou hortas, para atender as necessidades imediatas de consumo.

JA - Ter uma horta em casa é importante?

GC - Temos que retomar este hábito de cultivar uma horta próximo de casa. Penso que é o bom senso, o equilíbrio, a moderação que vão ajudar as pessoas a aproximarem-se do mais saudável possível. Precisamos de nutrientes, principalmente aqueles que estimulam o raciocínio e a criatividade, que encontramos essencialmente nas frutas e nas sementes, nos óleos polissaturados ou insaturados, o caso do azeite doce, linhaça, castanha de caju e jinguba, alimentos que promovam a saúde mental, intelectual e física.

JA - Há alguma diferença entre medicina natural e medicina tradicional?

GC - O tradicional é natural. Hoje o tradicional, tal como ele é visto, é considerado em muitos países um termo pejorativo. O uso de raízes que não tem uma explicação científica é uma tradição que foi passando de gerações para gerações, mas que hoje já é científico. Hoje existe uma reputada indústria de suplementos alimentares.

JA - Os medicamentos tradicionais perdem o princípio activo se forem fabricados?


GC – É preciso conferir a idoneidade do fabricante, também é assim com os fármacos. Se olhar­mos bem para as indústrias ­farmacêuticas há os sérios e os charlatães, porque não há moral e o dinheiro fala mais alto. Por isso, foram criados conselhos científicos internacionais que vão às fábricas verificar se o que está no produto e no rótulo corresponde aos constituintes químicos, actividade biológica e farmacológica.

JA - Qual é a sua relação com o doente?


GC -
Aquilo que nos foi ensinado é que na medicina natural a consulta visa a pessoa e não a doença. Na medicina natural, nós trabalhamos a pessoa. Para nós não é mais um doente, mas sim um amigo.

JA - Visa a pessoa para evitar a doença?


GC – Sim, para evitar a doença e para caminhar em direcção à cura. O remédio é para remediar. Para curar, o doente tem que participar. Vamos dizer que 90 por cento do sucesso de qualquer tratamento recai sobre o doente nem tanto sobre o profissional de saúde, porque conhece o que vai indicar, sabe porque é que está indicar.

JA - A alimentação saudável deve constar dos currículos escolares?

GC – Sim. Temos que trabalhar novos hábitos para eliminar os vícios alimentares. O Estado tem o seu papel, mas temos que voltar ao período em que a comida não era comprada porque todo mundo era camponês. Temos de evitar alimentos que não têm valor nutricional nenhum, pelo contrário são alimentos que diminuem a vida, matam mesmo, como é o caso das batatas fritas, refrigerantes, gelados, que na lista da Organização Mundial da Saúde são considerados como os piores alimentos.

JA - É saudável comer cascas de algumas frutas?

GC - As cascas têm nutrientes. A ciência evoluiu ao ponto de perceber que na casca existem nutrientes. A casca da banana é boa. No caso da casca da banana é preciso observar algum critério de preparação, aí tem que ser um profissional a indicar como preparar. No maracujá e na batata encontramos fibras que melhoram a digestão e diminuem a absorção de gordura, a glicemia. Antes não se conhecia isso, mas em ciência não há nada acabado, porque ela é dinâmica.

JA – Como ajudar as pessoas que perderam bons hábitos alimentar?

GC -
Há um ditado chinês que diz que nós somos aquilo que comemos. O preço de estar doente, é muito alto. A prisão de ventre pode desencadear diabetes, hemorróidas, o cancro do intestino, insónias, stress, agressividade, problemas na pele, afectar a auto estima. A solução é comer fibras, enzimas. Estamos a comer mal porquê? A que preço? Devemos olhar para o binómio custo-benefício. Não adianta comprar veneno para depois procurar o antídoto.

PERFIL

Nome completo:

Geraldo Frutuoso Calala

Data e local de nascimento:

08/07/64, município da Ganda, Benguela

Estado civil:

Casado

Habilitações Literárias:

Curso médio  na Escola Agrária de Tchivinguiro, Huíla
Cursos técnicos
Cidade de São Paulo no Instituto Avalon de Terapias Naturais. Em Londres na Global Innvation & Research in Iridology fez Naturopatia, Iridologia e Nutrição e o curso avançado de Iridologia Moderna e Nutrologia

Hobbies:

Leitura, programas de televisão, canais nacionais e internacionais, principalmente os que fazem abordagem sobre empreendedorismo, finanças, economia, liderança, pequenos negócios, terapias naturais integrativas e filantropia, ao nível do país e do mundo.

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