Entrevista

A preservação da paz é um dever de todos

Guilhermino Alberto|

O Bispo da Diocese de Ndalatando, D. Almeida Kanda, afirmou que “temos o dever de preservar a paz e a liberdade, conquistadas com muito sacrifício de todos os angolanos”. Em entrevista ao Jornal de Angola, por ocasião do 36º aniversário da Independência Nacional, que amanhã se assinala, D. Almeida Kanda diz que a paz “está a dar alegria e a permitir que as pessoas pensem na sua vida e lançar projectos para o futuro”. Bispo da Diocese de Ndalatando desde Julho de 2005, D. Almeida Kanda fala ainda da missão da Igreja no Kwanza-Norte, das relações da Igreja com o Estado, da vida material e espiritual das populações e da juventude.

Bispo D. Almeida Kanda
Fotografia: Dombele Bernardo

O Bispo da Diocese de Ndalatando, D. Almeida Kanda, afirmou que “temos o dever de preservar a paz e a liberdade, conquistadas com muito sacrifício de todos os angolanos”. Em entrevista ao Jornal de Angola, por ocasião do 36º aniversário da Independência Nacional, que amanhã se assinala, D. Almeida Kanda diz que a paz “está a dar alegria e a permitir que as pessoas pensem na sua vida e lançar projectos para o futuro”. Bispo da Diocese de Ndalatando desde Julho de 2005, D. Almeida Kanda fala ainda da missão da Igreja no Kwanza-Norte, das relações da Igreja com o Estado, da vida material e espiritual das populações e da juventude.

Jornal de Angola -  D. Almeida Kanda como vê o desenvolvimento económico e social da província do Kwanza-Norte?

D. Almeida Kanda
- A província está a renascer e há boa vontade da parte das pessoas para colaborarem com as estruturas do Governo Provincial no processo de reconstrução das suas infra-estruturas. Queremos que este processo aconteça quanto antes para atendermos às preocupações das nossas populações. É um processo lento, mas há melhorias e a província vai encontrar o rumo certo para atingir um patamar mais alto, à semelhança de outras províncias de Angola. As coisas estão a mudar. Há acções concretas.

JA - Pode indicar que acções são essas?

DAK - Naquilo que se refere à reabilitação das vias, sobretudo, e também à reconstrução de estruturas destruídas durante a guerra, as coisas têm avançado. Estive na área da Banga e vi que a administração está a fazer um esforço muito grande para recuperar todas as estruturas destruídas durante a guerra e erguer novas estruturas para os funcionários da administração local. É bom sinal e esperamos que isto aconteça em todos os municípios da província.

JA - O crescimento económico e social no Kwanza-Norte é visível?

DAK - Como dizia, é um processo lento, mas há boa vontade da parte dos responsáveis da província, que estão a criar condições propícias para que haja investimento e com isso crescimento económico e social. Os que querem investir, venham para engrandecer a nossa província. Que este investimento venha quanto antes é o nosso desejo.

JA - Como têm sido as relações entre a Igreja e o Governo Provincial? 

DAK - Desde a minha tomada de posse, a 20 de Novembro de 2005, sempre primei pela aproximação efectiva, colaborando com as estruturas do governo. Posso dizer que as relações são excelentes. Estamos todos unidos para engrandecermos a província sob o ponto de vista religioso, social e económico. Queremos todos trabalhar para que a província tenha desenvolvimento e possamos atender às preocupações das nossas populações. Espero que o processo continue no futuro.

JA - Há unidade entre todas as forças políticas e sociais? 

DAK – Espero que possamos criar a consciência de que todos nós estamos ao serviço das populações, que não há razões para criarmos divergências, para estarmos de costas viradas. E porque todos estamos ao serviço das populações, devemos falar uma única linguagem: colaboração, entrega e trabalho para o desenvolvimento da província.

JA - Enquanto responsável da comissão da juventude da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé o que tem a dizer sobre a sua diocese? 

DAK - Estamos a levar toda a juventude diocesana para identificar o caminho da fé, o caminho do bem. Queremos que cada jovem, em cada paróquia, reflicta seriamente sobre o desafio lançado pelo Papa nas Jornadas Mundiais da Juventude: serem mais activos e levarem a fé e a esperança a outros jovens.

JA - Que leitura faz da campanha para o resgate dos valores morais e cívicos? 

DAK
- Nós gostaríamos que ao falarmos dos valores essenciais, voltássemos às fontes da nossa vida, que é Jesus Cristo, e àquilo que o Evangelho nos propõe a cada momento da nossa vida, que é amar ao próximo como a nós mesmos. Se isso for feito, estamos à altura de resgatar os valores fundamentais da sociedade. 

JA - Que propostas tem a Igreja para a educação dos jovens?

DAK - As escolas católicas têm como missão o assumir da sua identidade e dar aos nossos jovens uma formação integral, sob todos os pontos de vista, não apenas religioso, que lhes permita crescer em estatura e em sabedoria, com Jesus Cristo.

JA - A proliferação de seitas preocupa a Igreja no Kwanza-Norte?

DAK
- É preocupação da Igreja angolana, mas esperamos que os cristãos procurem aprofundar a doutrina para não serem enganados, porque essas seitas vêm com uma linguagem dócil, aliciando todo mundo. Então esperamos que os cristãos estejam preparados para darem razão da sua fé, e que não se deixem aliciar, que não se deixem enganar, que sigam aquilo que aprenderam desde crianças, seguindo os passos de Jesus Cristo.

JA – Há algum trabalho de consciencialização dos cristãos? 

DAK - Queremos intensificar o nosso trabalho, sensibilizando todas as comunidades para que possam ir ao encontro da doutrina verdadeira e não se deixarem enganar ou seguir ilusões que não dão nenhuma felicidade. Nós queremos que os cristãos trabalhem para alcançar a santidade.

JA -O que significam para si os 36 anos de independência?

DAK
- A paz alcançada é um dom de Deus que dá aos angolanos muita alegria e está a permitir às pessoas pensar na sua vida e também lançar projectos para o futuro. Penso que devemos conservar esta paz que Deus nos deus e defender esta liberdade que alcançamos com muito sacrifício. Preservar a paz e a liberdade é tarefa de todos.

Uma diocese pujante e um bispo experiente

Em 23 de Julho de 2005, o Papa Bento XVI aceitou a renúncia ao governo pastoral da Diocese de Ndalatando, apresentada por D. Pedro Luís Guido Scarpa, em conformidade com o Código de Direito Canónico. O Papa nomeou como bispo de Ndalatando monsenhor Almeida Kanda, então vigário geral da Diocese do Uíge.
D. Almeida Kanda nasceu no Cangola, diocese do Uíge, em 10 de Maio de 1959. Realizou estudos humanísticos no Seminário do Uíge, Filosofia e Teologia no Seminário Maior do Huambo. Licenciou-se em Direito Canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma. Foi ordenado sacerdote em 6 de Julho de 1986 e colocado na Diocese do Uíge, onde desempenhou os cargos de chanceler da cúria, pároco da catedral, director do secretariado diocesano de pastoral, professor do seminário maior e director do secretariado diocesano da pastoral.
A diocese de Ndalatando, criada em 1990, encontra-se na província de Kwanza-Norte, tem 2.159 quilómetros quadrados, 359.000 habitantes, dos quais 189.000 católicos, oito paróquias, 23 sacerdotes (sete diocesanos e 16 religiosos), 58 religiosas e 20 seminaristas maiores.

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