Entrevista

“A UE contribui para melhorar a situação dos povos”

Rodrigues Cambala |

O embaixador da União Europeia (UE) em Angola, Gordon Kricke, disse, em entrevista ao Jornal de Angola, que Bruxelas prevê disponibilizar 210 milhões de euros até 2018 para apoiar projectos no sector das águas, saneamento, desminagem, ensino e tecnologia.

Embaixador Gordon Kricke falou sobre os investimentos da União Europeia em Angola
Fotografia: Dombele Bernardo

A boa governação e o respeito pelos direitos humanos são exigências da organização para apoiar aos países africanos.

Jornal de Angola - Qual é o orçamento da União Europeia para projectos em Angola?

Gordon Kricke
- A União Europeia tem estreita cooperação com Angola há vários anos e vamos continuar a estreitar esta parceria, sobretudo no apoio aos principais sectores: agricultura, água, saneamento, formação profissional e ensino superior. Para os próximos cinco anos, a cooperação está avaliada em 210 milhões de euros. Mas Angola pode beneficiar de linhas orçamentais temáticas e de programas de cooperação regionais. Esta é uma cooperação ampla.

JA - Como avalia as relações políticas entre Bruxelas e Luanda?
  

GK - As relações políticas são muito importantes. Em 2012, foi assinado um acordo conjunto, por ocasião da visita de Durão Barroso a Angola, com o objectivo de reforçar e aumentar as áreas de cooperação. O país tem progressos. Podemos ainda cooperar nas áreas da ciência e tecnologia, energia e trânsito. São apenas exemplos e temos várias outras áreas para aprofundar as relações políticas.
 
JA - Qual foi o apoio da União Europeia ao registo de nascimento?
 
GK - Este é um projecto elaborado para apoiar as crianças menos favorecidas. A União Europeia em parceria com o Governo angolano está interessada em contribuir para a melhoria de vida das comunidades. Este projecto visa garantir cidadania às crianças. É importante que todas as crianças sejam registadas. Estamos dispostos a apoiar o registo gratuito de população. Estamos satisfeitos em ter a UNICEF neste projecto.

JA - A União Europeia continua a ser um dos principais doadores do processo de desminagem em Angola?


GK - Há muito que a União Europeia tem apoiado o sector da desminagem. Somos o maior actor externo neste domínio. Vamos continuar com o apoio até que o país esteja livre das minas terrestres e espero que seja o mais breve possível. A União Europeia disponibilizou 40 milhões de euros para um período de três anos. O apoio mantém-se neste processo de desminagem, principalmente nas províncias onde há maiores áreas com minas.

JA - O sector das águas e saneamento básico continua a ser prioridade?

GK - Esses são sectores mais importantes que queremos trabalhar no futuro, além da agricultura. Temos muita experiência nestas áreas. A cooperação no passado teve êxitos e penso que a União Europeia é uma boa parceira para Angola e devo afirmar que a água e saneamento são muito importantes, por serem indispensáveis para a saúde das pessoas.

JA - De que forma a cooperação funciona no ensino superior e tecnologia?

GK - Temos de definir com o Governo angolano as prioridades para estas áreas. Um dos maiores desafios em Angola é a qualificação institucional em várias áreas. Temos na União Europeia muita experiência na área de formação, qualificação e vários programas de ensino superior. Temos programas para melhorar a qualidade académica em Angola.

JA- Como analisa as relações entre Angola e a União Europeia?

GK - As relações são excelentes em todas as áreas. Uma boa prova é o acordo conjunto assinado há dois anos, com as visitas de alto nível que foram feitas. Angola vai participar na cimeira Europa-África entre os dias 2 e 3 de Abril. Já nos foi confirmada a presença do Vice-Presidente Manuel Vicente com uma delegação de alto nível. Nos últimos anos, depois da guerra civil, Angola teve progressos impressionantes e um programa de reconstrução nacional com sucesso. A reconstrução de infra-estruturas é crucial e a economia influenciou o crescimento social.

JA - O que se espera da cimeira?


GK
- Os dois continentes partilham histórias e valores. Temos muitos europeus a viver em África e africanos na Europa. É preciso aprofundar essas relações e a União Europeia apresenta-se como a parceira mais importante de África. Para mim, existe uma relação privilegiada e que deve ser utilizada também no futuro. Estamos satisfeitos com esta cimeira onde todos os países de África vão participar ao mais alto nível. É uma ocasião para os povos de África e da Europa fortificarem as relações.

JA - Como os africanos podem ultrapassar os conflitos armados se muitas vezes são manipulados a partir da Europa?


GK - Penso que o importante é o fortalecimento das organizações africanas, das organizações regionais. A União Africana e as organizações regionais têm um papel importante na resolução dos conflitos. Estas organizações fazem um trabalho excelente e a Europa está disposta a cooperar com elas para prevenir e resolver os conflitos. Temos vários países europeus com um papel importante na resolução de conflitos em África, mas sempre com o apoio das organizações africanas.

JA - Como avalia o desempenho da Conferência da Região dos Grandes Lagos?


GK- É muito positivo o empenho de Angola nesta organização regional. Angola assumiu grande responsabilidade que, além de saudarmos, achamos ser positiva para que haja estabilidade política e livre circulação das populações. A paz é fundamental para o desenvolvimento do continente africano e a redução da pobreza.

JA – O que é para a União Europeia a boa governação?

GK - A boa governação é um dos elementos centrais da nossa política externa e de cooperação, porque só com uma governação melhor é possível relançar o desenvolvimento sustentável e um crescimento da economia. A União Europeia tem em todos os seus projectos elementos para ajudar à boa governação. A qualificação dos representantes de instituições nacionais é um elemento importante para que estejam bem formados para exercerem melhor as suas funções. Estamos dispostos a cooperar com os nossos parceiros.

JA – E os direitos humanos?

GK
- São elementos cruciais da União Europeia para manter uma parceria sólida com qualquer Estado. Um Estado moderno deve ser democrático e com um sistema de justiça eficiente, onde os direitos do homem são respeitados.

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