Entrevista

Aeroportos estão a ser modernizados

Josina de Carvalho|

Até ao final deste ano, a maioria dos aeroportos do país vão estar completamente remodelados, equipados e modernizados, garante o director de Infraestrutura da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), Nataniel Domingos. No âmbito do Programa de Reabilitação das Infraestruturas Aeroportuárias estão a ser remodelados os aeroportos de Luanda, Soyo, Saurimo, Dundo, Catumbela, Menongue, Luena e Cuito Cuanavale.

Passageiros são atendidos nas instalações provisórias da sala de embarque do aeroporto doméstico de Luanda preparada para garantir atendimento com eficiência
Fotografia: Kindala Manuel

Até ao final deste ano, a maioria dos aeroportos do país vão estar completamente remodelados, equipados e modernizados, garante o director de Infraestrutura da Empresa Nacional de Exploração de Aeroportos e Navegação Aérea (ENANA), Nataniel Domingos. No âmbito do Programa de Reabilitação das Infraestruturas Aeroportuárias estão a ser remodelados os aeroportos de Luanda, Soyo, Saurimo, Dundo, Catumbela, Menongue, Luena e Cuito Cuanavale. A remodelação inclui a construção ou reparação completa da área de movimento, nomeadamente da pista, caminho de circulação e da placa de estacionamento, além da melhoria das infraestruturas dos terminais de embarque e desembarque e o seu apetrechamento, com equipamentos modernos de transporte, controlo de passageiros e de bagagem, entre outros serviços.

Jornal de Angola - O que prevê o programa de remodelação do terminal de embarque do aeroporto doméstico de Luanda?

Nataniel Domingos -
A remodelação desse terminal de embarque está a ser feita com base no Programa de Reabilitação das Infraestruturas Aeroportuárias. Começou com a construção de instalações provisórias, onde foram colocadas todas as facilidades para que o embarque decorra com normalidade. Tem uma sala de pré check-in, outra de check-in com 12 balcões, com sistemas electrónico e de rastreio de bagagem, uma sala de embarque, outra para os passageiros da executiva e uma especial para os passageiros de empresas petrolíferas, que usam helicópteros e precisam de espaços para breefings. Temos ainda salas para as companhias aéreas, bares e restaurantes.

JA - Como vai ficar o novo terminal, após as obras?

ND –
Vai ter dois pisos normais e um mezanino (um piso que não ocupa a totalidade da área do edifício). O número de balcões para o check-in vai aumentar de 12 para 25, e dos Serviços de Emigração e Estrangeiros de dois para seis. Teremos uma sala de embarque com capacidade para receber passageiros de três boeings, que estejam a sair ao mesmo tempo. Quer dizer que vamos poder atender diariamente e na hora de mais movimento à volta de dois mil passageiros. Três vezes mais do que agora.

JA - Que outras estruturas e serviços vai ter o novo terminal?

ND -
Vamos ter uma sala de trânsito no segundo piso, uma sala de passageiros da classe executiva e continuaremos a ter salas para as companhias que utilizam helicópteros. De três portas de embarque passamos para cinco e vamos aproveitar o espaço do mezanino para acomodação dos passageiros que vão voar em helicópteros. Teremos também sistemas de controlo por televisão/CCTV e o sistema integrado para o check-in, que permite fazer essa operação por via electrónica.

JA - O que já foi feito em termos de obras?

ND -
Havia uma grande preocupação com as instalações provisórias, porque o aeroporto tinha de continuar a operar. Depois de concluídas em tempo quase recorde, fizemos a demolição do edifício antigo e estamos a remover os destroços. Em seguida vamos iniciar as escavações para fazer as fundações. As obras começaram em Janeiro e o fim está previsto para Julho.

JA - Além do terminal de embarque, que outras áreas vão ser remodeladas?

ND -
Neste momento, estamos a concluir a remodelação do complexo presidencial. Depois vamos construir um edifício de apoio a este complexo. A nível dos pavimentos estamos a reforçar, numa primeira fase, parte da placa de estacionamento, onde normalmente estacionam os boeings 737, para posteriormente aumentarmos a sua extensão. Neste momento, há uma parte que não está alinhada com a área de estacionamento dos aviões de grande porte. Por isso, vamos estende-la para fazer esse alinhamento.

JA- Que constrangimentos estão a causar as obras?

ND -
Um dos grandes constrangimentos é a ocupação de parte da placa de estacionamento pelas instalações provisórias do terminal de embarque. Essa área ocupada era reservada ao parqueamento de helicópteros e aviões ligeiros. Significa que diminuímos o número de posições de parqueamento de helicópteros. É uma situação que depois tem de ser gerida com as operações aeroportuárias. Este constrangimento não é visível para o público, mas às vezes dificulta a gestão, porque são muitas as aeronaves para uma placa pequena.

JA - Como foi a transição dos serviços do terminal antigo para as instalações provisórias?

ND -
A transição foi feita com muita tranquilidade, porque felizmente ganhámos alguma experiência com trabalhos anteriores. Nesse dia não houve atraso de voos, nem outra contrariedade de maior para as operações do dia. Temos estado a melhorar a cada dia que passa e a eliminar todos os problemas e defeitos que surgem.

JA -Como está a ser executado o programa a nível das outras províncias?

ND -
Neste momento, estamos a fazer a reabilitação global do aeroporto do Soyo. Já foi reabilitada a pista e a placa de estacionamento. Falta a pintura e, muito brevemente, vai ser possível realizar operações com os boeing 737 e 700 da TAAG e da SONAIR, se as companhias assim entenderem, após a homologação deste trabalho pelo Instituto Nacional de Aviação Civil. Foi construído um terminal de carga provisório e já fizemos a transição das instalações antigas para as provisórias com normalidade. Foram ainda construídas instalações para os bombeiros e neste momento está a ser erguida a torre de controlo e a ser feitas as fundações dos novos terminais de embarque e desembarque, com todas as facilidades. Essas obras também começaram em Janeiro e terminam em Julho.

JA - Em que condições está o aeroporto de Mbanza Congo, que já funciona, depois de ter estado encerrado por muito tempo?

ND -
O aeroporto de Mbanza Congo está localizado mais ou menos no meio da cidade, onde foram feitas muitas construções, o que penalizou bastante o próprio aeroporto. Para operação do boeing 737 precisamos de uma margem de segurança na pista de 150 metros no mínimo e temos uma margem de 60 a 70. Por isso é que não há operação do boeing 737 em Mbanza Congo. A pista está em condições, mas não há operações de aviões de médio porte do tipo boeing 737. Só há operações com aviões com menos velocidade, cujo nível de exigência é menor.

JA- Qual é a situação dos outros aeroportos?

ND -
Os de Saurimo, Dundo e Catumbela estão ao mesmo nível em termos de execução das obras de remodelação. Está a ser feita a reparação completa da área de movimento, que é a pista, o caminho de circulação e a placa de estacionamento. Em alguns casos estamos a fazer a construção de novas placas e de caminhos de circulação. Além destes, estão em reabilitação os de Menongue e do Luena, e estamos a terminar a reabilitação do aeroporto do Cuito Cuanavale. Em parceria com o Ministério de Urbanismo e Construção vamos iniciar a construção de uma nova torre de controlo no de Ondjiva e a reparação das bermas da pista.

JA - Há garantias de que até ao final do ano esses aeroportos estão remodelados?

ND -
Prevemos que estejam completamente modernizados até ao final do ano: com os pavimentos em condições, com balizagem luminosa para que se possa fazer a operação tanto de dia como de noite, se as companhias assim entenderem. Os aeroportos vão ter áreas confortáveis para os passageiros, com elevadores ou escadas rolantes para o acesso vertical aos pisos de cima; sistemas de CCTV, de rastreio de bagagem e de controlo de metais, bares, restaurantes, lojas e outros serviços. Portanto, vamos ter, à semelhança do que temos hoje nas províncias de Cabinda, Huíla e Huambo, aeroportos completamente modernizados e com uma arquitectura bonita, principalmente o do Soyo.

JA - Porque razão o de Ndalantando está inoperacional?

ND -
O aeroporto de Ndalatando foi reabilitado e está em condições de operar. As condições meteorológicas é que às vezes não ajudam para que a operação seja feita com normalidade. Talvez também as operadoras não tenham optado por Ndalatando por ser um aeroporto muito próximo da capital e ter uma procura de passageiros muito baixa. Mas acreditamos que a estratégia vai mudar e vamos transformar aquele aeroporto num ae­roporto utilizável.

JA - O aeroporto do Cuito é contemplado com obras?

ND -
A remodelação dos aeroportos começa com a reabilitação das pistas. Neste momento, o do Cuito tem a área de movimento (a pista, caminho de circulação e placa de estacionamento) em perfeitas condições. É um aeroporto que não está esquecido, mas a reabilitação feita anteriormente não contemplou a instalação dos sistemas que vão ser montados nos que estão em reabilitação. Mas estamos em contacto com o Ministério do Urbanismo para fazermos a actualização do projecto e tornar este aeroporto igual aos outros em reabilitação.

Tempo

Multimédia