Entrevista

Agostinho Neto triplica as vagas

João Dias|

A Universidade Agostinho Neto tem disponíveis este ano lectivo o triplo das vagas, mercê da conclusão da primeira fase do Campus Universitário, na Camama, município do Kilamba Kiaxi, em Luanda.

Vice-reitor da UAN Maria Augusta Martins
Fotografia: Kindala Manuel

A Universidade Agostinho Neto tem disponíveis este ano lectivo o triplo das vagas, mercê da conclusão da primeira fase do Campus Universitário, na Camama, município do Kilamba Kiaxi, em Luanda. Estão disponíveis cinco mil vagas. Em entrevista ao Jornal de Angola, a vice-reitora para os Assuntos Académicos da UAN, Maria Augusta Martins, informou que as inscrições para o exame de acesso podem ser feitas das 8h00 às 15h00, a partir do dia 10 e até 25 de Janeiro. Todas as inscrições são feitas na Cidade Universitária.

Jornal de Angola - A cidade Universitária simplificou o trabalho das inscrições de alunos?

Maria Augusta Martins -
Claro que sim. Temos um sistema informático que vai facilitar todo o processo de inscrições. Por isso, achamos por bem fazê-las num único local, que é a Cidade Universitária. Com este sistema obtemos automaticamente o relatório dos exames de acesso, logo após a inscrição. Optamos pela Cidade Universitária para facilitar a introdução do sistema informático que vai operar no processo de inscrições.

JA - As provas onde são feitas?

MAM –
Vamos fazer três provas apenas. Os candidatos que queiram ingressar nas faculdades de Direito, Economia, Ciências Sociais e Letras vão fazer uma prova única de Ciências Sociais. Para os que queiram ingressar nas faculdades de Ciências e Engenharia vão fazer a prova única de Ciências Exactas. Para os que queiram fazer Biologia na Faculdade de Ciências vão fazer a prova única de Biologia e Ciências da Saúde juntamente com os candidatos que queiram entrar para a Faculdade de Medicina e no Instituto Superior de Ciências da Saúde.

JA - Quantas vagas a UAN abre este ano lectivo?

MAM -
Este ano estamos bem, vamos abrir cinco mil vagas, embora este número não seja ainda suficiente. Mas são três vezes mais vagas em relação aos anos anteriores. Este ano não vamos admitir este número para o primeiro ano, pois além dos que vão entrar para os primeiros anos das faculdades de Ciências e de Engenharia, vão também entrar estudantes dos segundos anos dessas faculdades, exceptuando os cursos da Faculdade de Ciências que vão ainda ficam nas instalações actuais porque precisam de laboratórios próprios.

JA - E onde fica o curso de Arquitectura?

MAM -
O curso de arquitectura também deve permanecer nas instalações actuais porque precisa de laboratórios próprios. De resto, todos os segundos anos das Faculdades de Ciências e Engenharia vão para a Cidade Universitária. Alguns cursos vão ser transferidos completamente para a Cidade Universitária desde o primeiro ao último ano.

JA - O primeiro ano fica com quantas vagas?

MAM -
Em toda a Universidade, o primeiro ano fica com 4.500 vagas no primeiro ano, distribuídas pelas oito unidades orgânicas da UAN. Temos sete faculdades e um Instituto Superior e todas estas unidades perfazem 4.500 vagas. Uma e outra têm números de vagas diferentes. A Faculdade de Ciências tem 1.800 vagas e a de Engenharia tem 1.480. Há este número de vagas para estas faculdades porque vão ser transferidas para a Cidade Universitária que tem maior capacidade de absorção. Mas outras vão ter de manter o mesmo número de vagas dos anos anteriores porque não aumentaram a capacidade de absorção de mais estudantes.

JA - Este número de vagas é razoável para o nível de procura?

MAM -
Ainda não é suficiente mas melhorou em relação aos anos anteriores. Estamos convictos de que com a continuidade da construção da Cidade Universitária aumenta substancialmente o número de vagas para os próximos anos.

JA - O aumento de vagas vai ser acompanhado com mais professores para o ensino superior?

MAM -
Estamos a fazer tudo para admitir mais professores universitários. As condições estão minimamente preparadas na Cidade Universitária para o arranque. Já estamos lá instalados e há muitos departamentos instalados. Temos as salas apetrechadas e em relação ao refeitório tudo está a ser feito para que no início das aulas esteja a funcionar. Vamos ter autocarros a circular a partir de determinados pontos para onde vão convergir com os autocarros públicos. O objectivo é transportar os estudantes para a Cidade Universitária.

JA - As faculdades de Ciências Socais e a Faculdade de Letras estão contempladas?

MAM -
Ainda não. Para esta primeira fase, vão apenas as faculdades de Ciências e Engenharia porque têm nos dois primeiros anos as quatro disciplinas básicas, Física, Química, Matemática e Informática e são estas quatro grandes áreas que o Campus Universitário tem os departamentos devidamente organizados e acho que é só por isso que estão contempladas para esta primeira fase.

JA - Como é que caracteriza o estado do Ensino Superior em Angola?

MAM -
Temos de ser optimistas quando falamos da qualidade do Ensino Superior em Angola. Claro que ainda não é o melhor mas é para lá que estamos a caminhar. Falo pela Universidade Agostinho Neto, onde procuramos fazer tudo para que haja melhorias substanciais na qualidade de ensino. E esse trabalho tem sido feito a nível dos docentes e dos próprios estudantes. Em relação aos docentes, após a entrada na Universidade Agostinho Neto há a preocupação de continuarmos com a sua formação: pós-graduações, mestrados e doutoramentos. Temos também especialização em agregação pedagógica.

JA - Há bons resultados na elevação do nível dos docentes?

MAM -
Claramente. É em função disso que estamos preocupados na superação do corpo docente porque entendemos que um professor bem formado agrega maior qualidade ao próprio ensino. Além da superação do corpo docente há a preocupação da Universidade desenvolver projectos de investigação científica, que ajudam a melhorar a qualidade do próprio ensino na medida em que servem de factor de integração para estudantes. Um estudante inserido tem menos dificuldades em desenvolver competências.

JA - Há indicativos de que o Ensino Superior está a melhorar em Angola?

MAM -
Temos indicadores positivos. Prova disso reside no facto dos nossos estudantes serem bem acolhidos no mercado de trabalho. Há muitas instituições que recrutam estudantes desde o terceiro ano e muitos deles vão para o estágio em empresas de peso no país. Mas temos de resolver o problema dos estudantes que saem do ensino médio para a universidade com baixo nível de conhecimentos. Somos parte do sistema de ensino em Angola e não podemos estar alheios às questões do subsistema anterior. A UAN vai às instituições de ensino médio com determinados temas para que os estudantes do ensino médio comecem a ter uma orientação vocacional.

JA – Estão a evitar a entrada de alunos para o ensino superior  sem vocação?

MAM -
Actualmente os candidatos já estão melhor elucidados na questão da orientação vocacional e em função disso, já sabem mais o que querem. O exemplo mais acabado é o curso de Matemática. O candidato questiona para que fim vai fazer Matemática, sem saber que Matemática é a base da vida. Não se faz nada sem a Matemática, pois adapta-se perfeitamente a todos os ramos da vida e da ciência. Até no ramo da saúde existem modelos matemáticos que se adaptam a determinados tratamentos. Qualquer área da Física precisa de aplicar as matemáticas.

JA - Há forma de ultrapassar o fenómeno da “turbo docência”?

MAM -
Este é um fenómeno que vai ser ultrapassado com o aumento dos níveis de exigência de cada unidade orgânica face aos nossos professores. Há muitas unidades orgânicas que diminuíram a “turbo docência”. Semestralmente, o docente deve ser avaliado. Ainda não temos um sistema em que se avalia o docente a 100 por cento. Achamos que os docentes não devem ser avaliados apenas pelo departamento em que está inserido mas também pelos estudantes. A ficha de avaliação do docente também inclui uma parte em que o estudante avalia o docente. A “turbo docência” está a diminuir na Universidade Agostinho Neto, o que aumenta a qualidade do ensino.

JA - Este fenómeno é alimentado pelos maus salários?

MAM -
Temos estado a melhorar os salários. O docente cumpridor tem determinado subsídios como de orientação de trabalhos de fim de cursos, de investigação, de regência e de disciplina. Todos estes subsídios fazem aumentar os seus salários. Há ainda o subsídio de correcção de provas ou de exame. O docente que permanece na instituição e que trabalhe de verdade tem subsídios que fazem aumentar o seu salário.

JA - Como vai ser ultrapassada a questão da falta de organização nas secretarias de faculdades da Universidade Agostinho?

MAM -
A Universidade Agostinho Neto está a trabalhar para ver se resolve este problema com celeridade. A Faculdade de Ciências Sociais está num processo de reorganização, justamente para resolver em definitivo e com sustentabilidade esta questão. A faculdade de Direito está também nesse processo. Penso que as coisas vão entrar nos eixos em breve. O trabalho está a ser enorme mas vale a pena pois precisamos de ultrapassar esta situação. Temos conhecimento das dificuldades das secretarias das faculdades. Não é por acaso que estamos a informatizar as secretarias académicas. Todas as unidades orgânicas estão com a preocupação de se informatizar para evitar problemas como o desaparecimento de notas, pautas e fichas.

JA - Como estão as pós-graduações e os mestrados?

MAM -
Não respondo pelas pós-graduações mas estamos muito bem. Temos 15 mestrados em funcionamento na Universidade com perspectivas de abrir mais alguns em breve. A universidade está a fazer tudo para que haja de facto uma verdadeira superação do corpo docente. Temos dois programas de doutoramento. Um na faculdade de Direito e outro na Faculdade de Engenharia, também com perspectivas de abrirmos mais programas de doutoramento.

JA - A Faculdade de Ciências Sociais tem mestrados?

MAM -
Todas as outras seis unidades orgânicas, exceptuando a Faculdade de Ciências Sociais, têm mestrados. A Faculdade de Ciências Sociais deve abrir mestrados em breve. A Faculdade de Ciências tem neste momento três mestrados a funcionar e pretende abrir mais dois. Qualquer docente licenciado pode frequentar os cursos de mestrado. Estamos optimistas na melhoria do Ensino Superior em Angola e por isso vamos continuar a empenhar-nos para atingirmos bons níveis, pois este é um nosso grande objectivo para melhorar o ensino superior no país.

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