Entrevista

Alemanha celebra a reunificação

Bernardino Manje|

O embaixador da Alemanha em Angola considera que as trocas comerciais entre os dois países ainda não satisfazem. Em entrevista ao Jornal de Angola e à RNA, por ocasião do 21.º aniversário da unificação da Alemanha, que se assinala hoje (3 de Outubro), Jorg-Werner Marquardt revelou que, em 2010, as trocas comerciais entre os dois países foram de cerca de 500 milhões de euros.

Embaixador anunciou para breve a realização de uma reunião da comissão mista bilateral
Fotografia: Mota Ambrósio

O embaixador da Alemanha em Angola considera que as trocas comerciais entre os dois países ainda não satisfazem. Em entrevista ao Jornal de Angola e à RNA, por ocasião do 21.º aniversário da unificação da Alemanha, que se assinala hoje (3 de Outubro), Jorg-Werner Marquardt revelou que, em 2010, as trocas comerciais entre os dois países foram de cerca de 500 milhões de euros, valor muito baixo, se comparado ao de 2008, que esteve perto de um bilião de euros. O diplomata alemão justifica a queda nas trocas comerciais com a crise económica e financeira mundial, mas acredita que os números sejam melhores em 2011, pois Angola e a Alemanha têm economias fortes.

Jornal de Angola – Qual é o programa das comemorações do 21.º aniversário da unificação da Alemanha?

Jorg-Werner Marquardt –
Este ano, as comemorações vão decorrer de uma forma especial. O aniversário é no dia 3 de Outubro, mas preferimos transferir a comemoração para o dia 7, altura em que chega a Luanda uma fragata alemã, no quadro da nossa cooperação. Neste dia, vamos organizar uma recepção não só para assinalar a chegada do navio, mas também o 21.º aniversário da unificação da  Alemanha.

JA – Depois de 21 anos, podemos falar numa efectiva unificação da Alemanha?

JWM –
Sim, sem dúvida nenhuma! Depois de 40 anos de separação, tivemos grandes diferenças, mas temos agora uma nação alemã e uma sociedade viva. Mas é verdade que continuam os esforços para se ultrapassar algumas assimetrias.

JA – Que assimetrias existem e quais os planos para as corrigir?

JWM –
Por exemplo, no emprego. É verdade que a taxa de desemprego está a baixar na parte oriental, mas ainda ronda os cerca de 12 ou 13 por cento. Acho que devemos melhorar neste sentido, se tivermos em atenção que a taxa de desemprego em toda a Alemanha está na ordem dos 6,6 por cento.

JA – Que outras assimetrias podem ser apontadas?

JWM –
Temos, por exemplo, no domínio dos transportes e das telecomunicações. Mas não restam dúvidas de que aumentou o número de carros e de telefones na antiga Alemanha Oriental.

JA – Falando em carros, como anda a indústria de automóveis da Alemanha, tendo em conta a crise económica e financeira mundial?

JWM -
Podemos afirmar que a indústria automóvel é a pérola da Alemanha. A demanda que se verifica em relação aos nossos automóveis estende-se pela Europa, Ásia e o mundo inteiro. Por exemplo, a Volkswagen tem uma grande aceitação na China, assim como a Mercedes e a Porsche.

JA – Falemos agora da cooperação entre os dois países. Que efeitos práticos trouxe a visita da chanceler alemã a Angola?

JWM –
Primeiro, devo dizer que foi uma visita que abriu uma nova página nas relações entre Angola e Alemanha. Aumentou muito o interesse dos dois lados. Por isso, podemos dizer que foi uma visita histórica.
No âmbito da visita assinámos uma declaração comum sobre a necessidade de uma parceria abrangente. Tivemos também um memorando no domínio dos correios.
Também no quadro da visita foi acreditado o adido militar alemão, com residência fixa na República Democrática do Congo.

JA – Em quanto estão avaliados os investimentos da Alemanha em Angola?

JWM –
Não há um número concreto. A única coisa que temos agora é a cooperação puramente económica e industrial. Em 2010, as trocas comerciais entre Angola e a Alemanha atingiram cerca de 500 milhões de euros. Este ano, Angola exportou para a Alemanha sobretudo petróleo e gás, que custaram cerca de 230 milhões de euros. Por sua vez, a Alemanha exportou máquinas e alimentos, na ordem dos 270 milhões de euros.

JA – Estes números satisfazem as autoridades dos dois países?

JWM –
Devemos admitir que os números já foram melhores, se tivermos em atenção que em 2008 as trocas comerciais foram de quase um bilião de euros. O intercâmbio, em 2010, ficou afectado pela crise económica e financeira mundial, mas fazendo fé nas economias de Angola e da Alemanha, que são fortes, acredito que estes números venham a melhorar. Vamos ver quais são os resultados de 2011.

JA – Quais são as áreas de cooperação entre os dois países?

JWM –
São várias! Mas podemos apontar a construção de estradas, formação profissional, agricultura, energia e recursos naturais. Apostamos muito na formação profissional porque acreditamos que sem um povo qualificado não teremos desenvolvimento sustentável. O processo de democratização de Angola depende de uma população qualificada e é nesse sentido que prestamos essa contribuição à República de Angola.

JA – A Alemanha manifestou o interesse de apoiar Angola na construção de três grandes barragens…

JWM –
Temos um grande interesse em desenvolver o sector da energia. De resto, esse foi um assunto discutido durante a visita da chanceler Angela Merkel. Sua Excelência o Senhor Presidente José Eduardo dos Santos defendeu, diante da imprensa angolana e alemã, o reforço da cooperação. Mas, no caso particular da construção das barragens, deve haver um concurso público e a Alemanha tem todo o interesse de participar nele e, se Deus quiser, vamos conseguir uma participação nessas obras. Até porque temos já uma certa experiência. Participámos nos projectos de instalação eléctrica na Barragem de Cambambe.

JA – Quando é que vamos ter uma comissão mista Angola-Alemanha?

JWM –
Penso que o primeiro passo para tal foi a assinatura da declaração comum atrás referida. Agora temos de dar início aos trabalhos que nos levem à criação da comissão bilateral, que deve decidir sobre a selecção dos grupos por sectores, como a política, a social, a económica e a cultural. O primeiro encontro para a constituição da comissão bilateral deve ter lugar brevemente.

JA – Em que cidaa comissão bilateral vai reunir?

JWM –
Ainda não foi decidido, mas a parte alemã tem muito gosto em acolher o encontro.

JA – Há em vista a assinatura de algum acordo entre a companhia aérea nacional de Angola e a sua congénere alemã?

JWM –
Há já ligações aéreas entre Luanda e Frankfurt. Há uma boa cooperação com a TAAG nos voos da Lufthansa. Mas deve haver uma negociação no âmbito do trânsito aéreo. Durante a visita da chanceler alemã, foi manifestado também o interesse de se aumentar a frequência de voos, que actualmente é de duas vezes por semana.

Tempo

Multimédia