Entrevista

Aposta da Holanda no sector alimentar

Graciete Mayer |

A embaixadora da Holanda em Angola, Susanna Terstal, considerou “excelentes” as trocas comerciais entre os dois países e garantiu que o seu país pretende aumentar o volume de investimentos.

Diplomata holandesa reafirmou o aumento do volume das trocas comerciais com Angola
Fotografia: Cedida pela Embaixada

Em entrevista ao Jornal de Angola, por ocasião da visita de dois dias que a ministra do Comércio Internacional e Cooperação, Lilianne Ploumen, começou ontem, a diplomata disse que a Holanda quer investir em grande escala no sector agrícola, com o objectivo de potenciar Angola no sector alimentar. 

Jornal de Angola (JA) - Qual o objectivo da visita da senhora ministra do Comércio Internacional e Cooperação ao nosso país?

Susanna Terstal (ST) - O objectivo da visita é reforçar os laços de amizade que os nossos países já têm há muitos anos. A Holanda foi um dos países que apoiaram Angola na luta de libertação nacional e abrimos a nossa Embaixada logo após a independência, em 1976. O objectivo é também o de aprofundar as relações políticas e económicas e o reforço da amizade entre os nossos países.

JA -Qual é a avaliação que faz das relações comerciais entre os dois países?


 ST
- As relações comerciais são excelentes. No que toca às trocas comerciais, no ano passado, a Holanda exportou para Angola produtos no valor de 480 milhões de dólares. São maioritariamente produtos alimentares, máquinas de transporte e produtos químicos. A exportação de Angola para a Holanda foi de um valor total de 1,35 mil milhões de dólares, sobretudo produtos petrolíferos. Mas as trocas comerciais não ficam limitadas à questão de importação e exportação. Os investimentos e a transferência de conhecimento também fazem parte das nossas relações económicas e são aspectos que não se reflectem nas estatísticas de importação e exportação.

JA - A Holanda tem investimentos em Angola. Em que áreas, concretamente, e em quanto estão avaliados?

ST
- Neste momento, temos conhecimento de aproximadamente 15 empresas holandesas activas no país. As primeiras empresas já aqui se estabeleceram nos anos 80, como é o caso da Nile Dutch. Nos últimos anos, este número tem registado um aumento significativo. Grande parte das empresas holandesas que opera em Angola tem investimentos consideráveis. Ainda não temos acesso aos dados mais recentes, mas gostava de realçar aqui o investimento mais recente que a empresa holandesa Heerema realizou, num valor de 1,5 mil milhões de dólares, no âmbito de uma parceria com a petrolífera Total, no projecto Kaombo.
O Kaombo está situado a cerca de 260 quilómetros ao largo de Luanda, numa plataforma com cerca de dois mil metros.
O montante destina-se a desenvolver seis dos 12 poços de petróleo encontrados na parte central e sudeste do Bloco 32 e que se estendem por 800 quilómetros quadrados.
 O projecto Kaombo inclui 59 poços submarinos de petróleo e conta com uma produção diária de 115 mil barris.

JA - Angola definiu, no seu Plano Nacional de Desenvolvimento, a diversificação da economia e abre boas perspectivas para o investimento estrangeiro. Em que sectores os empresários holandeses que acompanham a ministra pensam actuar?

ST - De facto, temos acompanhado com muito interesse a divulgação e aplicação do Plano Nacional de Desenvolvimento e encorajamos o rumo à diversificação da economia do país. Em termos de sectores, achamos que queremos investir em grande escala, principalmente na área de agricultura, para potenciar o país em matéria de alimentação. O sector das águas é igualmente uma das nossas apostas, visto que as empresas holandesas têm um vasto conhecimento nesta área. E, pela sua experiência valiosa, queremos que elas venham partilhar com os empresários angolanos.

JA - Os sectores da agricultura e das águas são prioritários?


ST - Como já fiz referência, há alguns sectores onde achamos que podemos contribuir, como são agricultura e água. Mas também podemos afirmar que as empresas holandesas, qualquer que seja o ramo onde trabalham, são conhecidas pela abordagem de transferência de conhecimento. O nosso conhecimento, por exemplo, a nível do sector avícola ou horticultura, pode beneficiar Angola, se encontrarmos modelos de negócios que são sustentáveis para ambas as partes.

JA - Grande parte das missões empresariais que se deslocam a Angola apenas quer estabelecer parcerias para ser mero fornecedor de produtos. Não acha que a Holanda, pela experiência que tem em tecnologia, devia deslocar algumas das suas indústrias parao país?

ST
- Já temos bons exemplos de transferência de conhecimento e tecnologia da Holanda para Angola. Um exemplo é a empresa holandesa Fugro, que tem investimentos em Angola na área da geociência. A empresa estabeleceu uma parceria com empresas angolanas, para a construção de um laboratório geotécnico nos arredores da cidade de Luanda. A inauguração do empreendimento é feita pela ministra do Comércio Internacional e Cooperação, Lilianne Ploumen. O laboratório vai formar 60 quadros angolanos.
O projecto foi implementado com o apoio do Governo da Holanda, no âmbito do Programa de Investimento Privado.

JA - Pode apontar outro exemplo de transferência de tecnologia holandesa?

ST - Outro projecto parecido é o da empresa holandesa AVIT, que trabalha no ramo das tecnologias de informação (ICT). A AVIT é uma joint venture com angolanos e tem projecto para a construção de um centro de dados, onde são formados 20 engenheiros angolanos no ramo das tecnologias de informação. Foi apoiado igualmente pelo Programa de Investimento Privado (PSI) do Governo da Holanda.

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