Entrevista

As vantagens dos cursos técnicos e profissionais

Alexa Sonhi |

A maioria dos candidatos ao primeiro emprego tem formação em ciências humanas e sociais, quando as ofertas de emprego se dirigem sobretudo para pessoas com conhecimentos  sólidos em cadeiras como Física, Matemática,

Leonel Bernardo destacou que os centros de formação colocam à disposiçãos das empresas candidatos qualificados para o mercado de trabalho
Fotografia: Mota Ambrósio

Química, Mecânica, Tecnologia e Construção Civil, disse ao Jornal de Angola o director nacional do Trabalho e Formação Profissional, Leonel de Carvalho Bernardo.

Jornal de Angola-Qual é a estratégia usada pela Direcção Nacional de Trabalho e  Formação Profissional para ajudar as pessoas a conseguirem o  seu primeiro emprego?


Leonel Bernardo
-O conceito da procura do primeiro trabalho começa nos centros de empregos espalhados pelo país. É preciso que os cidadãos, ao procurarem trabalho, se dirijam aos centros, porque estes conhecem as necessidades das empresas, tendo em conta que estas colocam as suas ofertas nessas instituições. A depender das qualificações do candidato, ele pode ser de imediato encaminhado para a empresa que procura alguém com essa qualificação.

Jornal de Angola-Além de encaminhar o candidato a um posto de trabalho, é-lhe dada formação profissional?


Leonel Bernardo
-A ajuda passa, em primeiro lugar, pela informação e orientação profissional, processo pelo qual o candidato tem contacto com o mundo de trabalho. Ele toma  conhecimento das oportunidades que o mercado oferece, decide o ramo de formação a seguir e a Direcção de Trabalho e Formação Profissional encaminha-o ao centro profissional, onde ganha qualificações para ocupar os cargos que as empresas pedem.

Jornal de Angola-Esse processo está a surtir efeito?


Leonel Bernardo
-O processo é fiável e está a resultar por permitir que o cidadão escolha uma profissão de fácil integração no mercado de trabalho, tanto por via da criação do seu próprio negócio como por conta de outrem.

Jornal de Angola-Que relação existe entre a sua direcção e os centros de formação a nível nacional?


Leonel Bernardo
-Os centros de emprego têm a obrigação de proceder ao registo de todas as entidades empregadoras das suas áreas de jurisdição, recolher as ofertas de emprego e encaminhar os candidatos em função das necessidades. Devem informar com precisão a Direcção de Trabalho e Formação Profissional sobre todas as suas actividades e nós fiscalizamos e monitoramos.

Jornal de Angola-Quantos centros de emprego existem no país?

Leonel Bernardo-No país existem 59 centros de emprego, fruto da política contínua de expansão dos mesmos, que deu origem aos serviços municipais de empreendedorismo e emprego, uma componente que está também ligada à Segurança Social.

Jornal de Angola-São muitos os candidatos ao primeiro emprego?

Leonel Bernardo-Sim, mas porque os cidadãos não têm ainda a cultura de procurar os serviços de emprego, esse número é apenas uma amostra de quantos tencionam trabalhar, já que existem outros mecanismos de procura de trabalho, desde os anúncios nos jornais e afixados nas paredes, à informação boca a boca, à influência de familiares que  têm conhecimentos em determinadas instituições.
  
Jornal de Angola-A instituição já conseguiu trabalho para quantas pessoas?


Leonel Bernardo
-Já conseguimos trabalho para cerca de 119 mil pessoas,  em várias províncias.

Jornal de Angola-Quais as áreas de maior procura de trabalho?


Leonel Bernardo
-A maior procura recai nos sectores primários e secundários da economia. A maioria dos interessados no primeiro emprego tem formação na área das ciências humanas e sociais, mas o que as empresas e o mercado de trabalho mais solicitam são candidatos com formação técnico-profissional, pessoas que passaram por um instituto técnico e têm uma formação sólida em cadeiras como Física, Matemática, Química, Mecânica, Tecnologia e Construção Civil e que não precisam sequer de ter  licenciatura, basta saberem fazer.

Jornal de Angola- Quais os sectores que geraram mais empregos nos últimos tempos?


Leonel Bernardo
-Foi o dos Transportes, com 27 por cento, seguido do Comércio, com 24 por cento, da Energia e Águas, com 18 por cento, e a Agricultura, com 11 por cento.

Jornal de Angola-Quantos centros profissionais existem?

Leonel Bernardo-Temos 557 centros profissionais, dos quais 381 são privados. Apesar de serem em menor número, são os centros públicos que mais formam de acordo com as necessidades do mercado. Os cursos mais complexos e caros são deixados para o Estado.

Jornal de Angola-Quantas pessoas já foram formadas pelos centros de formação públicos?

Leonel Bernardo-Desde que este sistema de formação entrou em vigor, em 1998, formamos mais de quatro mil jovens. Só este ano, foram matriculados cerca de 30 mil formandos nas 105 especialidades disponíveis. Todos estes cursos são profissionalizantes e dotam o ­formando de habilidades para sustentar a família.

Jornal de Angola
-Tendo em conta a diferença entre a procura de emprego e a oferta das empresas, o que a Direcção faz para manter o equilíbrio?

Leonel Bernardo-Estamos a fazer um ajustamento do perfil de saída dos centros de formação profissional às necessidades reais das empresas e do mercado de trabalho. Daí o surgimento do programa  “Avanço”, que foi lançado, numa primeira fase, nas províncias de Luanda, Benguela e Huambo. Vamos agora estendê-lo às demais províncias do país. Com estes programas, já conseguimos formar mais de 500 pessoas em profissões que o sistema antes não incorporava.

Jornal de Angola-Quais são as profissões?

Leonel Bernardo
-As profissões são reparação e manutenção de geradores, barbeiro e cabeleireiro, cobrador de táxi e de autocarro, decoração de eventos, desenho gráfico, DJ, empregado de mesa e bar, empregada doméstica, fotógrafo, engraxador, gestão de cantinas, guias turísticos, jardinagem, montagem e reparação de antenas parabólicas, mototaxistas, operadores agrícolas, porteiros e recepcionistas. O programa “Avanço” administra cursos de acordo com as necessidades actuais do mercado.

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