Entrevista

Banco Kwanza Investimento pronto para entrar na SADC

Edivaldo Cristóvão|

O director executivo do Banco Kwanza Investimento define a instituição como "um banco sem balcões", mas com uma atarefada carteira de negócios, que inclui a contratação de fundos no mercado internacional. Marcel Kruse declarou ao Jornal de Angola que o banco está disposto a financiar empresas angolanas que queiram listar-se na futura Bolsa de Valores e Derivados de Angola e que vê com bons olhos o financiamento de instituições e organizações públicas e privadas em domínios como o imobiliário e a agricultura.

Director executivo do Banco Kwanza define a instituição como "um banco sem balcões"
Fotografia: José Cola

O director executivo do Banco Kwanza Investimento define a instituição como "um banco sem balcões", mas com uma atarefada carteira de negócios, que inclui a contratação de fundos no mercado internacional. Marcel Kruse declarou ao Jornal de Angola que o banco está disposto a financiar empresas angolanas que queiram listar-se na futura Bolsa de Valores e Derivados de Angola e que vê com bons olhos o financiamento de instituições e organizações públicas e privadas em domínios como o imobiliário e a agricultura. De 2008 para cá, a instituição já viabilizou financiamentos da ordem dos 300 milhões de dólares no mercado angolano. Os países da SADC são aqui apontados como um mercado apetecível.

Jornal de Angola – Como é que podemos definir um banco de investimento?

Marcel Kruse –
A diferença com a banca comercial é a sua maneira de operar. Trabalhamos mais com instituições, o trabalho é mais especializado, exige todo o tipo de especialistas para várias áreas de trabalho e de investimento.
Um banco de investimento financia empresas e empresários públicos ou privados. Somos um banco sem balcões.

JA – Como surgiu a ideia da criação de um banco de investimento em Angola?

MK –
Estamos orgulhosos de sermos o primeiro banco de investimento em Angola. Somos os primeiros a implementar integralmente uma função independente de verificação de conformidade com os termos exigidos pela FAFT/GAFI e Basileia II. A concretização deste passo permitiu-nos lançar a nossa operação comercial e bancária em Janeiro de 2011 e dar acesso aos nossos clientes a novos serviços relacionados com transacções bancárias.

JA – O presidente do Conselho de Administração do Banco Kwanza já foi presidente do Banco Central da Alemanha Federal. O que isso significa para o vosso banco?

MK –
A escolha do nosso presidente para o conselho de administração deu-se por ser uma pessoa que representa o acesso ao mercado internacional e a contactos com especialistas estrangeiros no ramo da banca. O dinheiro que por vezes investimos nem sempre vem de Angola: em muitos casos recorremos ao mercado financeiro de capitais estrangeiros, daí a importância do envolvimento de um presidente com este potencial para a banca de investimento. Dentro da equipa, cada especialista tem a sua função.

JA – O Banco Kwanza tem facilidade de captar fundos no mercado internacional?

MK –
Com certeza. O banco já solicitou financiamentos nos mercados internacionais, como o de Nova Iorque, na América do Sul, Europa Continental, Inglaterra e Ásia. O dinheiro dos financiamentos nem sempre vem de Angola e já fizemos esse tipo de operações para clientes angolanos que apostaram em projectos de infra-estruturas em Angola. Um investimento desses chegou a uma cifra superior aos 200 milhões de dólares.

JA – Quem é o vosso principal cliente?

MK –
A instituição dirige-se a clientes institucionais ou empresariais, tanto públicos como privados, governos e empresas com estruturas bem definidas no mercado financeiro, com apresentação de projectos e com garantia de reembolso credível.

JA – O que acha da banca angolana?

MK –
Acho que a banca angolana tem um mercado universal diferente do que vejo na maior parte dos bancos internacionais. Noto que aqui existe uma grande dinâmica dos serviços bancários, com um crescimento muito grande e boa estratégia.

JA – O mercado angolano está preparado para ter uma bolsa de valores?

MK –
Acho que as bolsas de valores são feitas para listar acções e obrigações sobre títulos de dívida e existem acções que têm a participação da sociedade. As empresas do mercado angolano precisam ter apenas um bom plano de negócios, com uma auditoria bem feita e cooperante. Posto isto, penso que devem existir candidatos capazes para se alistarem na bolsa de valores. O que o mercado financeiro exige a uma empresa para entrar no mercado das bolsas de valores é que entre com as acções OPI (Oferta Pública Inicial), que facilita a liquidez.

JA – O que são acções Oferta Pública Inicial?

MK –
Acções OPI é um processo exigido para se colocar pela primeira vez as acções numa bolsa de valores. O Banco Kwanza Investimento está também em condições de investir em empresas que estão interessadas em entrar na bolsa de valores.

JA – Como devem os empresários angolanos aderir a um pedido de investimento ao banco?

MK –
Os empresários angolanos que pretendem aderir a um investimento do nosso banco primeiro têm de ser clientes; têm de ter um bom projecto, um plano de negócio sólido e viável, com estudo de viabilidade bem estruturado.
O pedido de um investimento não pode ser muito inferior a dez milhões de dólares, porque este tipo de investimento exige o envolvimento de muitos técnicos e especialistas, que têm de ser pagos durante o período que vão fazer o estudo de viabilidade do financiamento. Quer isto dizer que pequenos projectos não são viáveis para a banca de investimento.

JA – Quais são os critérios do investimento?

MK –
Para o financiamento de cada projecto é feita uma avaliação dos riscos das duas partes. A banca de investimento também pode solicitar à banca comercial uma avaliação dos projectos. O negócio da banca é sempre uma questão de risco e quanto maior for o custo mais elevado é o risco. Não existem normas pré definidas e os juros dependem do valor do capital.

JA – Como é feita a remuneração do cliente ao banco?

MK –
A remuneração é feita de forma clássica: o reembolso do nosso investimento depende do sucesso do investimento e o banco recebe a sua percentagem de acordo com os lucros obtidos. Os honorários são definidos através do desempenho e desenvolvimento do investimento.

JA – Qual é a estratégia do Banco Kwanza Investimentos para o mercado estrangeiro?

MK –
É intenção do Banco Kwanza trabalhar e investir em projectos de outros países da África Austral, países membros SADC, por exemplo. Consideramo-nos capazes de fazer investimentos noutros países para estender a nossa linha de investimento.

JA – Com a construção de novas centralidades o mercado imobiliário interno ficou suficientemente atractivo para as vossas aplicações financeiras?

MK –
O investimento no sector imobiliário é atractivo, mas ele depende muito do estudo de viabilidade que o projecto apresenta, o conhecimento de factos como quem é o cliente alvo, os riscos, se de facto é um investimento seguro e que quantias monetárias podem ser investidas.

JA – Qual é o valor já investido em Angola?

MK –
Já financiámos projectos avaliados acima dos 300 milhões de dólares e ainda temos muitos planos em curso que poderão ultrapassar mil milhões de dólares.

JA – Há a intenção de fazer investimentos no sector agrícola do país, que é aquele com vocação para proporcionar mais emprego?

MK –
Temos total interesse em investir no sector da agricultura: é dos que mais nos interessa, mas é pena que ainda não tenham aparecido propostas de investimento nessa área. Porque em Angola há terra fértil e água suficiente para viabilizar esse tipo de investimento que pode gerar muito lucro sem grandes riscos.

Perfil do Banco

O Banco Kwanza Investimento foi fundado em 2007 com a designação de Banco Quantum Capital.
 Iniciou a sua actividade em Novembro de 2008 como banco independente, prestando, sobretudo, serviços de banca de investimento e de finanças corporativas em Angola.
Neste momento, opera com uma rede de parceiros internacionais.A instituição passou a chamar-se Banco Kwanza Investimento no passado dia 22 de Julho.
Desde a sua existência, o Banco já empregou 40 trabalhadores efectivos de nacionalidade angolana. A vertente do banco é investir em grandes projectos a longo prazo, como infra-estruturas, barragens hidroeléctricas, hospitais, imobiliária, saúde, tratamento de águas residuais, transportes e constituição de fundos de capital de risco.
Sobre a instituição financeira, o  presidente da Agência Nacional para o Investimento Privado (ANIP), Aguinaldo Jaime, disse que o surgimento do Banco Kwanza Investimento aumenta as soluções financeiras para os empresários angolanos.
"Significa que o banco vai dar mais soluções financeiras para os empresários, mais negócio, emprego, modernidade e ofertas de bens e serviços", realçou. Aguinaldo Jaime, que se mostrou particularmente satisfeito com o aparecimento de mais uma instituição financeira, "sobretudo quando está voltada para investimentos de longo prazo". "A ANIP tem por missão captar investimentos para Angola, fazer a promoção das oportunidades que o país oferece ou entusiasmar investidores. Este banco vem facilitar a tarefa da nossa agência.
Assim, passamos a contar com mais um instrumento, que vai facilitar todos os que queiram investir no nosso mercado", disse, confiante.
O Banco Kwanza Investimento tem como objectivo potenciar e viabilizar projectos em Angola, passíveis de gerar benefícios locais, criando riqueza e contribuindo para o desenvolvimento social e económico do país.

Gestão administrativa

O banco é dirigido por um conselho de administração que tem como presidente não executivo Ernst Welteke (antigo presidente do Bundesbank).
Como vice-presidente executivo do conselho de administração, José Filomeno de Sousa dos Santos, e membro executivo do conselho de administração, Jean-Claude de Morais Bastos; um director executivo, Marcel Kruse, um chefe de operações, Gaetano Marino, directora financeira, Madeleine Waechter, e director comercial, Alberto Dias dos Santos.

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