Entrevista

Banco Millennium Angola lança Academia Financeira

Carlos Santos Ferreira é o presidente do Banco Millennium Angola, que faz hoje cinco anos. Ao mesmo tempo é líder do maior banco privado português.

Carlos Santos Ferreira
Fotografia: Jornal de Angola

Carlos Santos Ferreira é o presidente do Banco Millennium Angola, que faz hoje cinco anos. Ao mesmo tempo é líder do maior banco privado português. A sua aposta pessoal é colocar o BMA no mercado financeiro angolano ao nível do seu “irmão” em Portugal. “Ao mesmo tempo estou empenhado em desenvolver a Academia Financeira, que já está a formar quadros angolanos do sector financeiro, mas queremos alargar a todas as áreas de actividade”, disse Carlos Santos Ferreira em entrevista exclusiva ao Jornal de Angola.

Jornal de Angola - O Banco Millennnium Angola faz hoje cinco anos: o percurso foi difícil?

Carlos Santos
Ferreira - Lançar um banco é sempre difícil e exige muito trabalho e empenho. Mas estes cinco anos foram mais intensos do que difíceis.

JA - Foram intensos em que fases da vida do banco?

CSF
– A evolução foi notável. O percurso foi intenso. Começámos com 75 trabalhadores e hoje temos 700. No arranque do banco tínhamos três balcões e hoje temos 40, em Luanda e nas outras províncias. Os resultados dos clientes, no primeiro ano, foram de 100 milhões e hoje temos 900 milhões. É uma evolução intensíssima e demonstra um trabalho bem feito.

JA - Qual foi a evolução na atribuição de crédito?

CSF
- Foi igualmente muito intensa. No primeiro ano o crédito atingiu os 70 milhões de dólares e no final de 2010 já atingimos os 700 milhões.

JA - Os resultados também foram elevados?

CSF
- No primeiro ano de actividade os resultados foram de três milhões de dólares e só no primeiro trimestre deste ano atingimos os dez milhões. A evolução do número de clientes foi igualmente notável. Partimos com 6.600 e hoje temos 700.000 clientes activos A evolução global do Banco Millennium Angola foi intensa mas também fora do habitual.

JA - Fora do habitual em que aspectos?

CSF
-Nos primeiros anos de um banco os accionistas perdem dinheiro. No Banco Millennium Angola houve enormes investimentos, uma grande expansão e ao mesmo tempo ganhou-se dinheiro. Isto é claramente fora do habitual. Os resultados surgiram em paralelo com a expansão do banco. Por isso eu digo que vivemos cinco grandes anos.

JA - A meta é ser o maior banco privado de Angola?

CSF
- Não estou preocupado com isso, mas evidentemente que gostava de atingir esse patamar. A minha maior preocupação como presidente do banco é sermos bons naquilo que fazemos. Se conseguirmos ser os melhores no sector financeiro, tudo pode acontecer, até virmos a ser o maior banco privado em Angola.

JA -Os quadros já são bons naquilo que fazem?

CSF
- Estamos a evoluir. O Banco Millennium Angola ganhou no ano passado o Prémio Marca de Excelência, Prémio Melhor Banco Estrangeiro e o Prémio Banco do Ano. Já em 2011 recebemos o Prémio Melhor Grupo Bancário.

JA - Está nos vossos horizontes apoiar com crédito uma rede nacional de comércio rural?

CSF
- Se conseguirmos ser bons naquilo que fazemos, podemos entrar em tudo e apoiar tudo. Temos consciência de que a rede de comércio rural é muito importante para o aumento da produção de bens alimentaeres e para garantir melhores condições de vida às comunidades rurais.

JA - quais são os objectivos imediatos do seu conselho de administração?

CSF
- Definimos três objectivos para os próximos dois anos: atingirmos as 100 sucursais, sermos uma referência no universo financeiro e proporcionarmos aos nossos clientes um serviço de excelência. Penso que vamos concretizar estes objectivos embora saiba que vamos ter muito trabalho e enfrentar muitas dificuldades.

JA - A Academia Financeira é um projecto em que está empenhado pessoalmente. Em que ponto se encontra? />
CSF
- A Academia está a formar quadros angolanos do Banco Millennium Angola, da Sonangol e do Banco Privado do Atlântico. Nesta fase apenas fazemos formação na área financeira, através de uma parceria com o ISCTE, de Lisboa. Ainda não atingiu o ponto desejado, porque queremos que seja uma escola de formação superior para quadros angolanos do sector financeiro e não financeiro. Esta foi a melhor forma de exercermos a nossa responsabilidade social. Mas também de retribuir a forma como fomos recebidos em Angola. Quando a Academia tiver instalações próprias vai formar centenas de quadros por ano.

JA - Onde são as instalações?

CSF
– Na Cidade Financeira, que está a nascer em Talatona e deve ficar concluída até final do próximo ano. As obras estão muito avançadas.

JA - O que vai ser concretamente a Cidade Financeira?

CFS
- É um grande projecto do Banco Millennium Angola e do Banco Privado do Atlântico. A promotora imobiliária é a Finicapital. Trata-se de um investimento na ordem dos 100 milhões de dólares. A cidade está implantada numa área de dois hectares e tem cinco edifícios de sete andares cada um. Vão lá ficar os serviços centrais dos dois bancos e a cidade tem dois blocos residenciais com creches, auditórios e todos os serviços públicos essenciais para quem lá viver e trabalhar. O projecto é muito belo e posso revelar que se trata de uma arquitectura diferente do habitual, muito atraente.

JA - O mercado tem quadros para acompanhar o crescimento do banco?

CSF
- Estamos a formá-los desde o início da nossa actividade em Angola. Com a Academia a funcionar em pleno vai ser dado o grande salto na formação. Mas quando transferirmos os nossos serviços para a Cidade Financeira conto igualmente com quadros angolanos que trabalham no Millennium BCP em Portugal. Os nossos serviços já fizeram o levantamento de todos e de seguida vamos convidá-los a regressar a Angola. Espero que todos aceitem porque é um grande desafio profissional para eles e para o Banco Milllennium Angola.

JA - Como está a parceria com o Banco Privado do Atlântico?

CSF
- Está a correr muito bem e as duas partes estão a ganhar dinheiro. Gostamos muito de ser sócios deles.

JA - E a Sonangol?

CSF
- A presença da Sonangol no Banco Milllennium Angola tem sido fundamental para o êxito que obtivemos. Tivemos muita sorte com estas parcerias. As instituições e as pessoas que a Sonangol e o Banco Privado do Atlântico elegeram para os órgãos sociais do Banco Millennium Angola têm excelente qualidade. Não podíamos ser mais felizes.

JA - O banco já tem balcões em todas as províncias?

CSF
- Ainda não, mas vamos cobrir o país todo muito rapidamente. Queremos contribuir com uma fatia importante para a bancarização de Angola. Esse é o ponto de honra do meu mandato. Mas também vamos contribuir de uma forma relevante para o aumento do capital humano e não apenas no sector financeiro. A Academia vai formar muitos quadros e com elevada qualidade, em todos os sectores.

JA - Há algum grande projecto a anunciar durante a festa do quinto aniversário do banco?

CSF –
Temos grandes projectos a anunciar em breve, mas só posso anunciá-los com os meus parceiros ao lado. Por agora, posso revelar que são iniciativas de grande importância para Angola.

JA - Como presidente do maior banco privado português está satisfeito com os lucros do Milllennium Angola?

CSF
- Claro que estou muito satisfeito. Mas quero esclarecer que dos lucros do Banco Millennium Angola não foi transferido para Portugal um dólar ou um kwanza. Todos os lucros são reinvestidos aqui. E informo mais: não transferimos os lucros nem as mais valias. Tudo foi já ou ainda vai ser investido em Angola.

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