Entrevista

BCI tem activo líquido de mil milhões de dólares

André da Costa|

O Banco de Comércio e Indústria (BCI) detém um capital superior a mil milhões de dólares, afirmou em entrevista ao Jornal de Angola o presidente do Conselho de Administração, Filomeno Ceita, que destacou também o facto da instituição bancária possuir a maior taxa de transformação de depósitos em crédito do mercado angolano e uma rede de 114 balcões e centros de negócios, além de dispor das tecnologias de informação mais modernas.

Presidente do Conselho de Administração diz que o BCI está num processo de saneamento contabilístico e financeiro que está a resultar
Fotografia: Dombele Bernardo

O BCI completou sexta-feira, 11 de Julho, 23 anos de existência.

JA- Como está o BCI em termos de saúde financeira e organização interna?

FC-
Estamos num processo de saneamento contabilístico e financeiro que começa a ter os seus resultados, mas ainda estamos longe daquilo que achamos que deve ser a saúde financeira de uma instituição como nossa. Temos uma ideia concreta daquilo que deve ser um banco público e contamos com apoio do accionista maioritário, que é o Ministério das Finanças.

JA - Quais as principais preocupações da direcção do banco?

FC
- Temos muitas preocupações. Estamos numa fase em que vamos proceder ao aumento do capital, é provável que alteremos a estrutura accionista, estamos a fazer uma actualização em termos de tecnologias de informação. Somos um banco com uma área de tecnologia de informação bastante desenvolvida, das melhores do mercado. Estamos a reestruturar a contabilidade interna.

JA - Como está o BCI em termos de investimentos e abertura de novos balcões?

FC
- Investimos nos anos passado e antepassado em novos balcões. Este ano, diminuímos ligeiramente e no próximo ano vamos diminuir ainda mais porque temos de virar as nossas atenções um pouco mais para dentro, porque o objectivo número um do BCI é ser diferente em termos de atendimento.

JA - O atendimento ainda não é o desejado?

FC
- Quero dizer que todos os clientes e não só que entrarem no banco têm de se sentir satisfeitos com o trabalho prestado e com vontade de regressar. Até agora não tem sido assim. Temos de reconhecer que não é um mal do BCI, pois há reclamações de atendimento em todos os bancos. Devemos fazer a diferença ao atender com melhor qualidade os nossos clientes.

JA - Quantos balcões tem o BCI?

FC
- Temos 85 balcões e adicionados ao que denominamos pontos de negócios perfazem 114 em todo o país. No próximo mês, vamos inaugurar um balcão do BCI no Bié. Penso não ser necessário alargarmos a rede de balcões a todos os municípios, mas estaremos onde for necessário.

JA - O BCI não teme a concorrência dos outros bancos?

FC
- Não vamos aos municípios em função da concorrência. Estamos interessados numa expansão próxima na província da Huíla. Já somos talvez o segundo banco com mais balcões na província de Benguela, a que tem mais representações bancárias depois de Luanda. Temos também um plano de formação de pessoal que apesar dos custos vamos executar, porque a formação do pessoal é muito importante para o banco.

JA – Como está a concessão do crédito bancário na sua instituição?

FC
- Estamos com uma das maiores taxas de transformação de depósitos em crédito no mercado angolano. Estamos com mais de 60 por cento, quando a média do mercado é de 50 por cento. O BCI é um banco virado para o atendimento a particulares e pequenas e médias empresas. É um excelente prestador de serviços para as grandes empresas em função das taxas que tem para a aplicação e pela qualidade do serviço que possui em termos de tecnologias de informação.

JA - Qual é o activo líquido total do BCI?

FC
- Temos mais de mil milhões de dólares de activo líquido total, temos quase 800 milhões de dólares de depósitos e quase 500 milhões em crédito. Há dois anos, tivemos que reestruturar as condições de concessão de crédito, na medida em que tínhamos uma percentagem alta de crédito malparado acima dos 25 por cento, que é a média de mercado, mas achamos que é bastante alta.

JA - O que foi feito no sentido de se inverter tal situação?

FC
- Para salvaguardar o reembolso do crédito, melhoramos a qualidade do crédito concedido aos clientes. Temos satisfeito de forma aceitável as necessidades dos cerca de 325 mil clientes. É uma evolução segura, não estamos preocupados com os números que a concorrência vai lançando e temos evoluído de uma forma consolidada. Há áreas que dominamos perfeitamente, como é o caso da província de Benguela, e vamos continuar a dominar em outras províncias porque somos um banco próximo dos clientes dia-a-dia.

JA – O BCI também concede créditos aos camponeses organizados em cooperativas? 

FC
- Concedemos crédito à agricultura no âmbito dos programas do Executivo, como são os casos dos créditos agrícolas de campanha e de investimento, e outros que merecem a nossa atenção, como o Programa de Apoio às Pequenas e Médias Empresas (PROAPEN), em que somos o único banco a executar. Este programa tem como objectivo trazer para a economia formal pequenos empreendedores que se encontram no sistema informal.

JA – Que novos produtos o BCI tem em carteira?

FC
- Estão a ser preparados produtos próprios e em breve vão ser de conhecimento público. Há um grupo de técnicos que esteve no Brasil a colher experiências na área da concessão de crédito agrícola no meio rural.

JA –E outros produtos já em uso?

FC
– Neste momento, temos o produto Pagou-Activou e temos já dois grandes clientes, a DSTV e a EPAL. Vamos estender estes serviços a outros prestadores de serviços, desde que as instituições estejam interessadas, por ser o único produto no mercado que permite o pagamento online, com um acompanhamento permanente e excelente em termos de gestão de tesouraria por parte das instituições. Daí a nossa aposta.

JA - Ficam por aí ou vão continuar a prestar outros serviços aos cidadãos?

FC
- Vamos ver se conseguimos outras adesões porque temos no mercado empresas amarradas a determinados bancos, preferindo trabalhar em condições piores, que não permitem a intervenção da concorrência.

JA - O BCI está a crescer e a ganhar espaço no mercado?

FC
- Estamos a crescer em termos de número de balcões, expansão da rede de serviços e número de clientes. Temos apresentado um resultado final negativo no final do ano, mas isso é consequência de toda a reestruturação contabilística que estamos a fazer. Pretendemos que no BCI não haja nada escondido debaixo do tapete.

JA - Como explica o facto de o banco crescer e em contrapartida apresentar um saldo contabilístico negativo?

FC
- É porque estamos a sofrer os efeitos de tudo o que aconteceu atrás, como o crédito malparado, a constituição de previsões, tínhamos contas protegidas e deixamos de proteger e tínhamos muito crédito mal concedido, tudo isso afecta no resultado do banco.

JA - Como está o BCI em termos de crimes informáticos?

FC
- Estamos sujeitos à semelhança de outros bancos. Temos registado com preocupação algumas situações, mas estamos a trabalhar ao nível do controlo interno, que vai permitir uma segurança bastante aceitável. O BCI tem as tecnologias de informação mais seguras e competitivas do mercado bancário.

JA – Em Luanda têm se registado assaltos a bancos. Que medidas preventivas têm adoptado para a segurança dos vossos balcões?

FC
- O aumento da criminalidade nas instituições bancárias é um problema sério. Também já fomos afectados e estamos a melhorar o sistema de vigilância, sendo mais rigorosos no cumprimento das normas internas. Em caso de assalto, velamos pela preservação da vida humana e temos grande contribuição da Polícia Nacional.

JA - Que comentários faz em relação a uma suposta conivência de funcionários nos assaltos a bancos?
FC
– Felizmente, no BCI não temos casos de conivência de funcionários com os marginais. Mas, de uma forma geral, o que acontece mais é a conivência entre marginais e das empresas de segurança.

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