Entrevista

“Bengo regista grande dinâmica na construção de infra-estruturas e equipamentos sociais”

Noé Jamba

A governadora provincial do Bengo, Maria Quiosa, assegurou ao Jornal de Angola que houve uma dinâmica de construção e reabilitação de infra-estruturas e equipamentos sociais. Em muitos casos foram trabalhos bem realizados, mas noutros a qualidade deixou muito a desejar.

Fotografia: Edmundo Eucilio |Edições Novembro

A governadora foi recentemente nomeada para dirigir os destinos do Bengo. Em que estado encontrou a província?
Por uma questão de precisão, devo começar por dizer que tomei posse como governadora provincial do Bengo no dia 14 de Fevereiro do corrente ano. Dois dias depois fui apresentada em Caxito e recebi as pastas. Os primeiros passos que dei foram no sentido de visitar os seis municípios que compõem o território, para auscultar os representantes das comunidades, autoridades tradicionais e a população em geral. Desses encontros recolhi importantes informações sobre as questões que se afiguram prioritárias, designadamente as carências nas áreas da saúde, educação, fornecimento de água e de energia. Ao mesmo tempo, foi-me dada a oportunidade de constatar o enorme potencial da província, fundamentalmente no sector agrícola, mas também na exploração de inertes e re-serva de minérios, sem esquecer a piscicultura. É com esses recursos que a nossa província vai alavancar o seu desenvolvimento, estimulando também a iniciativa privada. Em suma, encontrei uma província com muito por fazer, mas com tudo para dar certo.

Sendo a província do Bengo a mais jovem de Angola, que perspectiva traçou para o seu crescimento e desenvolvimento dos diversos sectores?
O crescimento dos diversos sectores no Bengo deve estar alinhado com os programas de desenvolvimento municipal, que conformam o Plano Provincial, inserido no Programa Nacional de Desenvolvimento 2018-2022, aprovado em Abril deste ano. Esse Programa en-quadra-se no âmbito da estratégia de longo prazo “Angola 2025”. O Governo da Província do Bengo está a seguir as orientações do Executivo, na implementação de um conjunto de políticas que garantam a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida das famílias. A desconcentração e a descentralização territorial, a competitividade regional, a valorização da capacidade empreendedora e a criação de emprego, são acções que devemos implementar, tendo em conta essa perspectiva nacional.   

Em função do contacto com a realidade do Bengo, já é possível traçar projectos que visem alavancar o parque industrial da região?
Com base na realidade do Ben-go, percebemos que é possível desenhar o crescimento do seu parque industrial, através de uma articulação com os projectos estruturantes em curso para reduzir o défice de energia eléctrica. A nossa província, que é fundamentalmente agrária, pode tirar grande proveito das suas enormes reservas hídricas e apostar na transformação dos produtos locais. Para tal, é também essencial atrair investidores privados  e estimulá-los, de modo a estabelecer parcerias mutuamente vantajosas. Alguns projectos de subordinação central, como a Central do Ciclo Combinado de Energia do Soyo, que vai beneficiar, por exemplo o município do Ambriz, ou a extensão e ampliação das redes com linhas de alta e média tensão, vão ser mais-valias.
Como jovem governante, qual é a participação que espera da juventude local na concretização dos vários projectos e programas?
Na qualidade de jovem e enquanto governante deposito total confiança no envolvimento da juventude em todas as iniciativas que se desenvolvam no Bengo. Aliás, um engajamento profundo dos jovens é essencial para a resolução das diferentes problemáticas. Isto, porque a juventude tem energia, vitalidade, convicção e esperança. O presente e o futuro dependem, igualmente, da contribuição dos jovens, através da sua criatividade, inovação e capacidade transformadora. A mudança de mentalidades na nossa sociedade passa pelo comportamento da juventude. O seu papel é fundamental.
 
No contacto com a popula-ção, tem sido visível o cari-nho que lhe é proporcionado. Como espera retribuir esta confiança?
Quero desde já agradecer, do fundo do meu coração, todo o carinho, apreço e colaboração que a nossa população me tem oferecido. Sinto-me muito regozijada e comovida por essa demonstração de atenção e apoio. Não há nada mais importante do que sentirmos que somos acarinhadas. Farei todos os possíveis e darei o meu máximo para não defraudar as expectativas dos cidadãos, que podem exigir de mim o maior esforço, empenho completo, todo o sacrifício e entrega total. É por uma boa causa.      

Qual deve ser a intervenção da juventude da província, tendo em conta o crescimento perspectivado para o Bengo, já que a aposta do Presidente da Republica é nos jovens?
Como já referi antes, a juventude é a principal força motriz de qualquer organização, sociedade ou nação. Por essa razão, a sua intervenção no Bengo assume um papel fundamental. Desde a participação na elevação dos conhecimentos e níveis académicos, passando pela inserção nos sectores produtivos, sem descurar a iniciativa empreendedora, criadora de emprego. Os jovens devem procurar a sua autonomia financeira, concebendo ideias geradoras de receitas, para a materialização colectiva. Para tal, necessitam de acompanhar as dinâmicas do próprio território e as acções de governação. Nas comunidades têm de procurar assumir papéis de liderança. 
 
Em função das proximidades da província com a capital do país, qual é a mais-valia que o Bengo pode proporcionar no quadro do programa de diversificação à economia?
Sendo Luanda a província com a maior concentração populacional do país, que representa em termos de consumo o maior mercado interno e a maior circulação monetária, tendo em conta a proximidade geográfica entre as duas províncias, os produtores do Ben-go devem tirar proveito disso, no escoamento e comercialização das suas mercadorias. O factor da menor distância reduz custos na transportação e permite preços mais competitivos. Há que pensar, também, na modernização dos processos e identificação de novas oportunidades.
 
Qual é a avaliação que faz do sector das estradas, pontes, escolas, hospitais e postos médicos construídos e reabilitados em benefício da população?
Houve, de facto, no Programa de Reconstrução Nacional uma grande dinâmica de construção e reabilitação de infra-estruturas e equipamentos sociais destinados a servir a população. Em muitos casos, foram trabalhos bem realizados, mas noutros a qualidade deixou a desejar. Também se registaram incumprimentos da parte de alguns empreiteiros e atrasos nos pagamentos. Estamos a fazer um levantamento exaustivo do estado de execução dos projectos, para podermos monitorizar a sua conclusão ou programar a reabilitação se for necessário. Devemos exigir mais rigor na fiscalização e no acompanhamento das obras pelos gestores e responsáveis nos diferentes níveis. Só assim cumpriremos bem a nossa missão. 

Do ponto de vista quantitativo, estes números são significativos ou é preciso fazer mais?
Ainda temos muitas zonas que necessitam de equipamentos sociais. Mas é fundamental equacionar, também, em simultâneo, a questão dos recursos humanos. Não adianta edificar sem capacidade para utilizar. No tocante à rede viária há muito por fazer.
 
A província do Bengo é rica pelos seus recursos hídricos e terras férteis, pela sua cultura agrícola, piscatória, pecuária, industrial, pelo universo de minérios e diversificado potencial turístico. Qual é a abertura para os investidores?
Há abertura para investidores sérios, idóneos, capazes, autónomos financeiramente, ou com o devido suporte bancário. Desde que sejam apresentados projectos e intenções, que sejam devidamente avaliados do ponto de vista da viabilidade e credibilidade. Com base na transparência e cumprimento da legislação em vigor, incluindo o compromisso social quando e onde se considerar prioritário, tendo sempre em conta as necessidades e contrapartidas locais, as portas estão abertas com base nessas premissas.

O Executivo angolano tudo tem feito para dinamizar a economia. A realidade abrange a província do Bengo?
Estamos a viver tempos diferentes e, consequentemente, a adoptar novos paradigmas. Como já disse, o PND 2018-2022 representa também para a nossa província o instrumento orientador para as diferentes acções de governação, incluindo, obviamente, a dinamização da economia.
 
Sabemos que a gestão do Bengo assenta no lema “Ben-go na senda do desenvolvimento”. Os esforços do Governo Provincial do Bengo continuam assentes na reabilitação e construção das infra-estruturas?
Em relação ao lema, vamos promover uma consulta e acolher propostas sobre a necessidade de alteração. As infra-estruturas constituem o principal cordão para o desenvolvimento da província do Bengo, porque permitem a circulação de pessoas e bens, bem como a habitação condigna. O Governo  Provincial do Bengo vai continuar a apostar nas infra-estruturas, sem descurar o factor humano. A componente social está, também, nas linhas de prioridade. O foco deve estar na melhoria das condições de vida da população, por meio de um diálogo permanente e inclusivo para uma governação participativa.
 
Quais são as principais prioridades? 
Das prioridades constam as redes rodoviárias. Por esta razão, e por representarem um factor de desenvolvimento, o Bengo não está à margem da estratégia nacional neste domínio. A rede rodoviária da província é de 3.600 quilómetros, dos quais pouco mais de 500 quilómetros estão asfaltados. Dos seis municípios, apenas Nambuangongo (Muxaluando), não está completamente ligado por estrada asfaltada. É necessário igualmente o melhoramento da rede se-cundária, com acções combinadas de acordo com o in-
teresse da zona, incluindo asfaltagem e outros tipos de terraplanagem. Nas acções prioritárias ressalto o troço Onzo-Muxaluando (17 quilómetros), bem como a ma-nutenção e conservação da rede construída.

  Funcionários públicos beneficiam de moradias na centralidade

Como está a requalificação de Caxito?
Caxito foi elevada à categoria de cidade em 1980, sem reunir os pressupostos para o efeito. Logo, a requalificação torna-se fundamental. A estratégia é construir as infra-estruturas integradas na zona urbana.

Decorre na província do Bengo, à semelhança de outras, o programa de construção de casas sociais. Qual é a informação de que dispõe neste momento, em termos de conclusão e distribuição?
Em conformidade com o Programa Nacional de Habitação Social, na sede provincial está definida a edificação do modelo de urbanização. Já nas sedes municipais está prevista a construção de 200 fogos. O Governo Provincial do Bengo construiu nos municípios 586 casas das 600 previstas e já estão distribuídas ao abrigo do Instrutivo n.º 1/14 do Instituto Nacional de Habitação.

A Centralidade do Capari está sedeada na província. Qual é o seu benefício para os funcionários públicos do Bengo?
A Centralidade do Capari foi construída para qualquer cidadão angolano com capacidade material para adquirir um imóvel, dentre os quais se inserem os funcionários públicos. A Imogestin destinou ao Governo do Bengo 200 apartamentos para funcionários públicos, que estão a ser entregues de forma faseada, em função da conclusão de alguns trabalhos internos.

PERFIL

Mara Regina da Silva Domingos Quiosa

Filiação
Artur João Baptista
e Maria Jesus Santiago
Fernandes da Silva

Estado civil
Casada
(2003)
Funcionária bancária    (2008)
Directora de gabinete
do administrador municipal
do Sambizanga (2012)
Administradora do Distrito Urbano do Sambizanga (2016)
Vice-presidente da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda

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