Entrevista

Centro de investigação científica suporta projecto

João Mavinga| Mbanza Congo

A Universidade 11 de Novembro tem em carteira a criação de um Centro de Investigação, Gestão, Desenvolvimento Económico, Social e Territorial que vai servir de base de sustentação aos cursos de pós-graduação, afirmou ao Jornal de Angola o reitor, KiamvuTamo.

Kiamvu Tamo anunciou novos projectos para a instituição entre eles o incentivo a jovens finalistas afim de ingressarem no corpo docente
Fotografia: Adolfo Dumbo| Mbanza Congo

O projecto, que aguarda pelo aval do Ministério do Ensino Superior, deve ter a colaboração de uma universidade cubana. Enquadrada na terceira região académica do país, a Universidade 11 de Novembro congrega as províncias de Cabinda e Zaire.

Jornal de Angola-Que balanço faz quatro anos após a implantação do ensino superior na província do Zaire?

KiamvuTamo -
Quando iniciámos a implantação do ensino superior na província do Zaire, aqui na capital,Mbanza Congo, arrancámos com parte da estrutura em pré-fabricado. O Governo do Zaire redobrou esforços e acrescentou mais salas de raiz, que hoje permitiram a instalação dos laboratórios de Física e Química, que no princípio não tínhamos. Foi um esforço tremendo, feito através do OGE. Temos uma sala de informática bem apetrechada, além da biblioteca arrumada com muitos títulos de livros originais. Agora estamos a montar uma sala especial de Internet livre para os estudantes. Por isso, sublinho aqui que o balanço é positivo, quer em termos de recursos humanos, quer de equipamentos.

JA - O que foi feito no Soyo?

KT -
No Soyo, a universidade arrancou no bairro Quitona, onde a empresa Backtellnos concedeu quatro salas dentro de um complexo onde concentravam trabalhadores. Era triste. A Angola LNG deu-nos quatro salas, nas quais trabalhamos durante um ano. Depois, o Governo Provincial fez o investimento de Quintambi para o ensino superior. Hoje em dia, como corolário disso, temos as infraestruturas de Quintambi e estamos no centro da cidade num complexo universitário. Neste momento, não faltam salas na Escola Superior do Zaire no Soyo. Todas elas estão bem equipadas.

JA - Na fase de arranque, houve défice de docentes?

KT -
Problemas não faltaram, tendo em conta uma nova realidade. Mas, do ponto de vista dos recursos humanos, agora está tudo bem encaminhado. Começamos no Zaire com cerca de 150 alunos e já quase quadruplicamos essa cifra. Começamos com turmas regulares e hoje evoluímos para o pós-laboral. Como pode ver, em termos de recursos humanos, tivemos enormes ganhos.

JA -Quais os resultados obtidos?

KT -
Passados quatro anos desde a nossa instalação aqui no Zaire, lançamos para o mercado 63 licenciados no passado dia 28 de Agosto. Dedicamos a proeza à data de aniversário do Presidente da República, em sua honra por ser o arquitecto da paz neste imenso país. Em Março de 2015, vamos ter ainda mais licenciados, além dos que restaram da primeira promoção e defendem em Dezembro deste ano. Tivemos também ganhos em professores, entre angolanos e cubanos, pois beneficiamos da cooperação entre Angola e Cuba.

JA - A cooperação com Cuba é muito importante para a Universidade 11 de Novembro?

KT -
É uma cooperação estratégica porque permite ao nosso país e a esta instituição fazer o recrutamento de professores com elevada experiência. Reconhecemos o mérito da cooperação com Cuba no domínio da educação e também da ciência.

JA - E em relação aos professores angolanos?


KT -
Também estamos a buscar ganhos com o recrutamento que fazemos por concurso público, embora ainda não à altura das nossas exigências. Estamos a encorajar os jovens, sobretudo os finalistas que estamos a formar, para ficarem connosco e proporcionar-lhes uma formação para integrar o corpo docente da nossa escola. Sei que há bons valores a aproveitar.

JA - O recrutamento de professores nacionais e cubanos satisfaz o ensino na região?

KT -
Todos nós acompanhamos o discurso à nação do Presidente, quando falou da evolução em todos os sectores da educação e, em particular, no ensino superior. Falou da evolução quantitativa e suas desvantagens. Nós devemos optar por uma evolução académica qualitativa como modelo a desenvolver, como afirmou o Senhor Presidente.

JA -Para o senhor, o que  corresponde uma revolução qualitativa?

KT -
Costumo dizer que quem decide sobre a qualidade é o mercado e a sociedade. Ao formarmos professores ou engenheiros, não podemos, por nossa conta e risco, declarar que são de qualidade. Temos de ver esses professores a operar nas escolas, os engenheiros nas fábricas e ouvir a opinião do empregador. O Senhor Presidente apela para uma avaliação rigorosa dos professores, para a melhoria da qualidade do nosso ensino.

JA -Fale-nos das jornadas “Novembro Académico”.

KT -
É um momento importante para a vida da universidade. Este ano, planificamos actividades na cidade de Cabinda, Buco Zau, Mbanza eCongoSoyo. Em Buco Zau, por exemplo, não há ensino superior. O nosso papel nessas jornadas é o de trocar impressões com os alunos do ensino médio. A nossa missão é apresentar o produto da nossa investigação para atrair a juventude a ingressar na universidade.

JA - Que projectos tem em carteira para a universidade que dirige?

KT -
Temos um projecto ambicioso. Apenas estamos à espera das autorizações do Ministério do Ensino Superior para iniciarmos os cursos de pós-graduação, de modo a darmos a possibilidade aos licenciados de conseguiremo mestrado sem terem de se deslocar para outros pontos do país ou ao exterior. Em Fevereiro último, quando estive em Havana, Cuba, numa reunião que juntou reitores cubanos e angolanos, o nosso Ministério do Ensino Superior apresentou o projecto de criação de Centros de Investigação Científica, acção em amadurecimento. A instituição, que se vai instalar na nossa universidade, vai chamar-se “Centro de Investigação de Gestão e Desenvolvimento Económico, Social e Territorial”. Angola deve desenvolver-se não apenas em macro como ao nível de micro estruturas. Estamos à espera do decreto de criação oficial desse centro. Esperamos a colaboração de uma universidade cubana para a montagem do mesmo.

JA - O centro é antecâmara para a abertura dos cursos de pós-graduação?

KT -
O centro de investigação vai servir de suporte para a funcionalidade dos cursos de pós-graduação na Universidade 11 de Novembro. Notamos que algumas universidades da nossa praça começam os cursos de pós-graduação sem a constituição dos centros. Isso não se faz. Um curso de pós-graduação, dentro da actividade de investigação, é já um curso avançado. Quando há um curso de pós-graduação, a estrutura de acolhimento é um centro de investigação.

JA - Qual é o horizonte para a sua execução?

KT -
Não quero fazer promessas. Isto depende do aval do Ministério do Ensino Superior. Mas nós já estamos a trabalhar seriamente no assunto para passarmos à acção. O projecto está em aceitação, digamos. Posso afirmar que o projecto vai sair porque torcemos para isso.

JA - No começo da entrevista, o reitor falou de apoios do Governo do Zaire.

KT -
As relações com o Governo do Zaire são excelentes. Temos sido convidados nos momentos oportunos para prestarmos algumas ideias. Isso, por si só, ilustra que existe boa cooperação. Os governos de Cabinda e do Zaire são acolhedores e nós fazemos tudo para facilitar esse convívio. A direcção cessante da Escola Superior de Mbanza Congo teve problemas com o anterior governador. Nós tentamos acalmar a situação. O actual governador tem-nos aconselhado para termos uma aproximação e temos cooperado bem.

JA - Que aspectos devem ser melhorados na Universidade 11 de Novembro?

KT -
Penso que deve haver muitas actividades científicas. Foi isso que acabei de transmitir na reunião com os conselhos de direcção. O nosso princípio deve ser o de “Universidade e Cidade”. A universidade deve fazer parte da cidade. Temos no Zaire muitas empresas pequenas, médias e de grande porte. Como exemplo, o projecto Angola LNG pode abrir uma parceria para conferenciar sempre que possível com a universidade. Além disso, também a jornada“Março Mulher”, que transformamos em Jornadas Académicas periódicas.

JA - Que mensagem gostaria de transmitir aos jovens?

KT -
Tenho apenas um apelo a fazer. Peço que se entenda que a universidade não é tábua de salvação. A universidade não é a única via para singrar na vida. A juventude deve se pautar muito pela formação profissional. O jovem deve fazer uma formação que encontre aceitação no mercado porque não há vagas para todos. Pode encontrar um sub-emprego e aceitar. Deve fazer tudo para evitar o que acontece em outros países, onde encontramos doutores a vender na praça. Os pais devem evitar matricular os filhos numa universidade para ficarem sete ou oito anos sem terminar o curso. Na Alemanha, que é o país mais desenvolvido e industrializado da Europa, tem menos doutores que engenheiros. Essa é a mensagem que transmito à nossa população jovem para que tenham mais oportunidades de se afirmar na vida.

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