Entrevista

"Cidade do Sequele sem lugar para os marginais"

Alexa Sonhi |

A Polícia Nacional na cidade do Sequele está apostada em deter quem perturbar a ordem e tranquilidade públicas naquela centralidade. O comandante da corporação, superintendente-chefe António dos Santos, em entrevista ao Jornal de Angola, disse que, independentemente do número de efectivos à disposição, o objectivo será sempre garantir a segurança dos moradores e seus bens.  

Na cidade do Sequele a Polícia de Ordem Pública realiza um trabalho inteligente no sentido de conter tudo aquilo que possa perturbar a segurança e tranquilidade dos moradores
Fotografia: José Soares

Jornal de Angola - Quando foi inaugurado o comando da cidade do Sequele?

António dos Santos - Este Comando da Polícia Nacional está aberto desde o dia 18 de Novembro de 2013, depois da saída do efectivo da Casa de Segurança da Presidência da República, que controlava as obras da cidade do Sequele. O Comando é constituído por duas esquadras, designadamente, Sequele 1 e Sequele 2.

Jornal de Angola - Quantos efectivos garantem a segurança da cidade?

António dos Santos
- Actualmente, o Comando da Polícia Nacional da cidade do Sequele conta com 200 efectivos que garantem a segurança e a tranquilidade públicas dos moradores. 

Jornal de Angola - Este número não é insuficiente para uma cidade com mais de dez mil apartamentos?


António dos Santos - Os números nunca são suficientes para se ter uma cobertura total da população, mas nós não devemos basear-nos muito nos números e sim naquilo que é a necessidade da população. O objectivo é garantir a segurança e tranquilidade das pessoas e os seus bens. Por isso, mesmo que tivermos apenas 30 ou 50 homens, teremos que nos esforçar para garantir a segurança das pessoas.

Jornal de Angola - Tem havido muitas reclamações de falta de segurança na centralidade?

António dos Santos - Até ao momento não recebemos nenhuma reclamação. Fomos orientados a fazer um policiamento inteligente no sentido de conter tudo aquilo que possa perturbar a segurança e tranquilidade dos moradores e os seus bens.

Jornal de Angola - O Comando possui meios suficientes para fazer o patrulhamento da cidade do Sequele?

António dos Santos - Os equipamentos que temos servem para realizar o nosso trabalho, mas aguardamos ainda que o Comando Provincial da Polícia Nacional em Luanda nos forneça mais alguns meios para melhorarmos o exercício das nossas tarefas.

Jornal de Angola - Quais os crimes mais comuns registados na cidade de Sequele?

António dos Santos
- Os crimes mais comuns são desordens por parte dos menores, furtos no interior das viaturas, violência doméstica, protagonizada tanto por homens como por mulheres. Há alguns meses que já não se registam furtos no interior das residências, praticados na sua maioria por jovens que trabalhavam com os chineses na reparação dos apartamentos.       

Jornal de Angola - Esses jovens estão detidos?


António dos Santos
- Conseguimos desmantelar o grupo e neste preciso momento estão presos na Comarca de Luanda. Os bens roubados foram recuperados e entregues aos respectivos donos. Essa prevenção vai continuar a ser feita no sentido de devolver aos moradores da cidade do Sequele a sensação de segurança.

Jornal de Angola - Tem havido também roubo de viaturas?


António dos Santos
- Temos estado a registar também alguns roubos de viaturas, mas alguns são causados por negligência dos automobilistas. Principalmente aqueles indivíduos que realizam serviço de táxi são ameaçados de morte. Os meliantes aproveitam para fazer os assaltos na estrada que dá acesso à Via Expresso.

Jornal de Angola - Quantas viaturas já foram roubadas?


António dos Santos - Já foram roubadas seis viaturas, que felizmente também já foram recuperadas e entregues aos respectivos donos. 

Jornal de Angola - O policiamento é feito em toda a extensão da centralidade?

António dos Santos - A cobertura dos nossos efectivos começa a ser feita logo à entrada da centralidade, onde é notável a presença dos agentes da Ordem Pública e dos reguladores de trânsito, à entrada de cada bloco de prédios, e através do patrulhamento motorizado em toda a cidade.

Jornal de Angola - Têm tido a colaboração dos moradores na denúncia de casos suspeitos?


António dos Santos - Sim, contamos e muito. Prova disso é que os nossos telefones não param de chamar. Constantemente, temos comunicação do que está a ocorrer na cidade, salvo quando o marginal é astuto e procura realizar a sua acção criminosa em locais completamente isolados.

Jornal de Angola - Há rumores de que os meliantes aguardam pelos moradores nas escadas para furtarem os seus haveres...


António dos Santos - Isso não corresponde à verdade, porque não são vários os casos de que temos registo. Apenas aconteceu uma vez com um cidadão a quem “receberam” as chaves do carro e levaram-lhe a viatura. Mas a polícia, depois de registar a queixa, fez todas as diligências e no prazo de uma semana conseguimos reaver a viatura e devolver ao dono.

Jornal de Angola - Os moradores reclamam da falta de agentes da polícia aos fins-de-semana em locais movimentados. Como é feito o policiamento nesses dias?

António dos Santos
- O policiamento aos fins-de-semana não foge à regra dos demais dias da semana, porque a Polícia, para realizar o trabalho, primeiro planifica, depois coloca o pessoal no terreno. Mas, é claro que aos fins-de-semana nós redobramos o trabalho, exactamente pelo facto de a cidade receber mais gente que vem ocupar os seus próprios apartamentos ou visitar familiares.

Jornal de Angola - As “maratonas” já estão a ser habituais. Há algum policiamento especial nessas ocasiões?

António dos Santos
- A questão das “maratonas” não é inteiramente de nossa responsabilidade. Isso tem a ver com questões administrativas, ou seja, diz respeito à administração da cidade do Sequele. A Polícia só é chamada quando há alteração da ordem e a tranquilidade públicas.

Jornal de Angola - Há registo de muitos acidentes de viação?


António dos Santos - Os automobilistas, ao entrarem na centralidade, querem fazer disputas. Como resultado, muitos, por falta de traquejo e habilidade para aguentar o volante, acabam por capotar, causando grandes danos humanos e materiais.

Jornal de Angola - Quantos acidentes de viação são registados mensalmente?


António dos Santos - Registamos cerca de 30 acidentes com danos materiais avultados. Felizmente, não temos registado atropelamentos. Proibimos a circulação dos “candongueiros” e kupapatas no interior da cidade do Sequele e notamos que os atropelamentos diminuíram significativamente. Apenas viaturas ligeiras que fazem serviço de táxi podem circular, para ajudar a deslocação dos moradores e seus bens da centralidade até à Via Expresso e vice-versa.

Jornal de Angola - Para quando a colocação de semáforos e câmaras de vigilância na cidade do Sequele?


António dos Santos - A colocação de semáforos e de câmaras de vigilância na cidade do Sequele é da responsabilidade do Governo Provincial de Luanda. A Polícia só é chamada para auxiliar em termos técnicos. Até agora estamos à espera que coloquem os semáforos no sentido de melhorar o trânsito e garantir a segurança dos peões.

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