Entrevista

Cuanza Sul vai propor operações interprovinciais

André da Costa|

A Polícia Nacional no Cuanza Sul precisa de mais efectivos e, sobretudo, de quadros qualificados para dar resposta às solicitações dos cidadãos.

O comandante Lisboa Mário destaca que a redução da sinistralidade rodoviária é fruto de acções preventivas realizadas pela Polícia
Fotografia: André da Costa

Em entrevista ao Jornal de Angola, o delegado do Ministério do Interior e comandante provincial, comissário Alberto Lisboa Mário, disse que a província não regista casos de excesso de prisão preventiva. Anunciou a construção de novas infra-estruturas, a criação de guichés de reclamações nas administrações municipais e afirmou que vai propor às entidades superiores a realização de operações interprovinciais como a “Tolerância Zero” para travar a sinistralidade rodoviária.

Jornal de Angola - Como caracteriza a situação da criminalidade no Cuanza Sul?

AM - Temos um reduzido número de crimes registado. Os furtos domésticos, ofensas corporais, roubos, homicídios e violações sexuais são os casos mais frequentes. Temos ainda a assinalar o crime de uso, produção e comercialização de liamba, fogo posto e a questão da sinistralidade rodoviária.

JA - Até que ponto a sinistralidade rodoviária preocupa a Polícia Nacional no Cuanza Sul?

AM - Até ao dia 10 de Outubro, a sinistralidade rodoviária era considerada calma, pelo número reduzido de ocorrências. Nos dias 10, 11 e 13, registamos acidentes espectaculares que engrossaram as estatísticas e obrigaram-nos a redobrar a atenção.

JA - Como está a província em termos de crimes contra a economia?

AM - Os crimes contra a economia têm tendência a diminuir, com realce para o peculato. Traçamos um plano contra esse tipo de crime para permitir que a gestão da coisa pública seguisse as normas legais. Temos dois casos de crimes de peculato em instrução processual.

JA - A Polícia está preparada para dar resposta às solicitações dos cidadãos?

AM - Temos um piquete em todas as esquadras de Polícia a funcionar e incentivamos a apresentação de queixa sempre que se sentirem injustiçados. Orientamos os comandantes municipais a prestarem maior atenção aos crimes que mais afligem os cidadãos. Elaboramos planos de prevenção da criminalidade virados para os furtos e ofensas corporais graves devido às ocorrências diárias de casos do género.

JA - A denúncia de crimes não dá lugar a fugas de informação?

AM - Tivemos tendência para a fuga de informação relacionada com denúncias dos cidadãos. Atacamos o problema e foi praticamente ultrapassado com um trabalho aturado junto dos efectivos.

JA - Já pensaram na possibilidade dos cidadãos apresentarem queixa sem se deslocarem às esquadras?

AM - Estamos a criar guichés de reclamações dos cidadãos junto das administrações municipais para possibilitar que se apresentem queixas e denúncias de criminosos de forma mais cómoda. Começam a funcionar em breve.

JA - Como se encontra a província em termos de infra-estruturas policiais, prisionais e de bombeiros?

AM - Está em construção o novo Comando Provincial do Cuanza Sul da Polícia Nacional, a Direcção Provincial de Investigação Criminal, o Serviço de Migração e Estrangeiros. No ano passado, inauguramos os comandos municipais da Quilenda e do Seles, reabilitamos o Comando Municipal do Sumbe e construímos o Centro de Detenção de Menores do Waco Kungo. Estamos a construir mais uma unidade penitenciária nesse município.

JA - Os meios disponíveis são os suficientes?

AM - Recebemos este ano 43 viaturas novas  e meios técnicos do Comando Geral da Polícia Nacional. Já tínhamos recebido 15 viaturas durante a realização do Censo Geral da População e outros equipamentos no âmbito da actividade de fiscalização do trânsito. Recebemos uma ambulância e outras viaturas para a Protecção Civil e Bombeiros. O Cuanza Sul é das mais afectadas pela seca. Recebemos meios técnicos e logísticos do Ministério do Interior para fazer face a esta situação.

JA - E quanto aos efectivos?

AM - Esse é o grande problema do Comando Provincial devido ao número reduzido de pessoal nas comunas. Além da função policial, o agente exerce funções que deviam ser desempenhadas por outras instituições. Aliado a isso, há o factor idade, tempo de serviço e outras privações inerentes à  actividade que é desgastante. O número reduzido de efectivos nas comunas não nos permite efectuar a rotatividade dos mesmos porque o pessoal está em serviço permanente e os meios são escassos.

JA - A quota atribuída para o recrutamento de novos efectivos para a Polícia Nacional vai resolver o problema de quadros?

AM- Não, porque precisamos de um número superior de efectivos para preencher as vagas. Temos também quotas para outros ramos do Ministério do Interior, como os Bombeiros, Serviços Penitenciários, Migração e Estrangeiros.

JA - Como está a província em termos de formação dos efectivos?

AM - Temos feito todos os esforços para formar os efectivos. As aulas são asseguradas pelos nossos quadros com formação superior. Incentivamos o pessoal a estudar. Estamos a criar condições para conseguir vagas nas escolas públicas, onde também estamos a contactar quadros para trabalharem na análise de informações, contabilidade, gestão de recursos humanos, secretariado e protocolo.

JA - Até que ponto é importante o papel desempenhado pelas autoridades tradicionais nas comunas?

AM - Há boa colaboração com a Polícia, no âmbito do policiamento de proximidade. As autoridades tradicionais ajudam no serviço de sector, nas escolas, levando a mensagem sobre a actividade de segurança e ordem pública. As autoridades tradicionais são nossos parceiros privilegiados.


JA - Quantos crimes ocorreram na província durante o terceiro trimestre?

AM- Registamos 169 furtos, 54 ofensas corporais graves, 43 ofensas corporais simples, 33 roubos, 22 homicídios, 17 violações, 16 crimes de especulação e 27 casos de posse e venda de liamba. O Sumbe e Porto Ambuim são os municípios com mais crimes.

JA - Quantos cidadãos cumprem penas de prisão no Cuanza Sul?

AM
- Temos cerca de mil presos e, felizmente, não temos casos de excesso de prisão preventiva devido à grande capacidade de resposta dos instrutores, investigadores e procuradores e o bom funcionamento dos tribunais.

JA - Os resultados da operação “Tolerância Zero à Sinistralidade Rodoviária” corresponderam às expectativas?

AM
- A operação visou reduzir a sinistralidade rodoviária, impedir a circulação de viaturas  que fazem carreiras interprovinciais não estando autorizadas por lei e fiscalizar o seu estado técnico, submetendo a inspecção as que apresentaram anomalias. Foi realizada em conjunto por três províncias - Luanda, Cuanza Sul e Benguela.Em 24 horas de operação, foram interpeladas 3.685 viaturas e 54 motorizadas. A­preendemos 55 viaturas ligeiras e pesadas, 46 motorizadas, 50 cartas de condução, 49 livretes e nove títulos de registo de propriedade, aplicamos 250 multas por diversas infracções no trânsito. Detivemos 20 cidadãos por condução ilegal, uso de álcool durante a condução, e falsificação da carta de condução.

JA - Como chefe do Posto de Comando desta operação, recomenda outras acções do género?

AM - A operação foi satisfatória e vou propor às entidades superiores outras acções interprovinciais da dimensão desta que acabamos de realizar, porque conseguimos sensibilizar os automobilistas para a necessidade do cumprimento escrupuloso do Código de Estrada.

 

 

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