Entrevista

Deserto do Namibe acolhe Dakar Angola

Mazarino da Cunha |

O director do Instituto de Fomento Turístico (INFOTUR) do Ministério da Hotelaria e Turismo, Eugénio Clemente, disse, em entrevista ao Jornal de Angola, que o país pretende organizar, no último trimestre deste ano, o Rally Dakar Angola no deserto do Namibe.

Director do Instituto de Fomento Turístico defende a criação da Carteira de Projecto que permite inventariar todo o potencial do país
Fotografia: José Soares

Além desta iniciativa, estão agendadas feiras turísticas, festivais internacionais e a criação de uma série de eventos destinados a promover o turismo de lazer familiar, juvenil, infantil e académico até 2016. O Presidente da República disse, recentemente, na cidade do Uíge, que é necessário que cada Governo Provincial desenvolva localmente as potencialidades do sector turístico. "Isso demonstra a vontade política em fazer nascer uma nova realidade para o sector turístico em Angola", realçou o entrevistado.

Jornal de Angola - O Ministério da Hotelaria e Turismo, através do INFOTUR, tem agendadas várias actividades. Qual é exactamente o objectivo?


Eugénio Clemente - Um dos objectivos é a realização, no último trimestre deste ano, do Rally Dakar Angola. O objectivo é mostrar e divulgar o potencial turístico que o deserto e as praias do Namibe têm, em particular, e da região Sul de Angola, em geral. A realização dos demais eventos turísticos visa não só apresentar as Sete Maravilhas eleitas recentemente, como reunir o maior número de investidores estrangeiros para as zonas turísticas existentes a nível do território nacional.

JA - Existem condições climáticas para a realização do Dakar Angola?

EC - Existem. O deserto do Namibe tem todas as condições geo-climáticas para a efectivação do Rally Dakar Angola. Além dos aspectos climáticos que o deserto possui, é de salientar a existência da Welwitschia Mirabilis, que possui particularidades únicas, por apenas existir neste deserto.

JA - O que está o INFOTUR a fazer para o desenvolvimento do sector?

EC - O Instituto é o responsável pela inventariação dos recursos e património hoteleiro e turístico em Angola. Coordena a gestão, a concessão e a exploração dos mesmos. Portanto, está a criar as condições estruturantes e humanas que vão permitir o surgimento de novos espaços turísticos a nível do território nacional. Compete-lhe, também, zelar pela construção e reabilitação das infra-estruturas turístico-hoteleiras e a formação de quadros para o sector. Como director do Instituto de Fomento Turístico defendo a criação urgente da “Carteira de Projecto”, um documento que vai permitir inventariar todo o potencial existente nas 18 províncias.

JA - Já há investidores?

EC - Para termos investidores no sector turístico e similares é necessário que se faça a divulgação das potencialidades naturais e culturais. Estou seguro que com a realização desses eventos vamos ter em Angola os principais jornais, revistas e agências de viagens reconhecidos internacionalmente a fazerem a divulgação. As praias que a costa atlântica oferece, as fendas espalhadas por várias províncias, os dois maiores rios de Angola, as quedas de água e a grande diversidade cultural nacional merecem uma ampla divulgação.

JA - Existe algum lema para atrair turistas e investidores?

EC - Defendo o seguinte lema “Hoje turista, amanhã um investidor”, porque, depois de ser feita a fase de divulgação, os investidores aparecem. Angola tem potencialidades naturais e climáticas para a realização de eventos capazes de atrair o maior número de investidores com uma experiência reconhecida mundialmente.

JA - Como estão a ser aplicadas as políticas do Executivo?

EC - As actuais políticas do Executivo estão agora voltadas para a diversificação da economia nacional. O turismo, a meu ver e segundo estudos feitos, é um dos vários sectores que o país possui capaz de contribuir com receitas financeiras e criar inúmeros postos de trabalhos, directos e indirectos, a curto espaço. Portanto, estão a ser bem aplicadas.

JA - Durante a visita que fez recentemente ao Uíge, o Presidente José Eduardo dos Santos pediu para se dar mais atenção ao Turismo. Que reflexos teve?

EC - O Presidente da República sublinhou a necessidade de cada Governo Provincial desenvolver, localmente, as potencialidades do sector turístico. Isso demonstra a vontade política em fazer nascer uma nova realidade para o sector do turismo em Angola.

JA - Neste momento, qual é a estratégia?


EC - O INFOTUR está, nesta altura, a conceber estratégias que dêem resposta às exigências actuais, ao mesmo tempo que vai criar mecanismos para a inventariação das antigas e novas zonas turísticas. Com este novo modelo de trabalho, pretendemos promover o turismo escolar, familiar, juvenil e infantil, a exemplo de muitos países da região austral.

JA - Há quanto tempo existe o instituto?


EC - O INFOTUR existe há 17 anos e tem a nobre missão de promover a imagem de Angola e desenvolver todas as condições para a criação de um ambiente sustentável no turismo, hotelaria, restauração e serviços similares. E temos promovido essa imagem. Recentemente, estivemos em alguns países da Europa, onde participámos em feiras de turismo.

JA - Os preços praticados são considerados elevados por angolanos e estrangeiros. Há alguma estratégia destinada a alterar esta situação?


EC - Os preços altos que se registam em todos os serviços de hotelaria e turismo resulta do défice de hotéis, restaurantes, de espaços de lazer e de outros similares. A saída desta situação passa pela construção de novas unidades hoteleiras e similares e a formação de quadros nacionais. Em Luanda, mas não só, estão a construir-se hotéis. Vamos apostar na formação dos quadros do sector, porque para um melhor atendimento, temos de ter pessoas capazes, e isso passa pela formação. Mas o INFOTUR tem interagido com outros sectores para se ver a questão dos preços altos.

JA - Há cooperação com outros países?

EC - Pretendemos estreitar a cooperação com Cuba, Brasil, Portugal, Espanha e África do Sul. No caso da Á­frica do Sul, está agora disponível uma linha directa da TAAG entre Luanda e a cidade de KwaZulu Natal, para promover e divulgar as potencialidades turísticas das duas cidades da região austral.

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