Entrevista

"Devíamos ter um fundo nacional para desenvolvermos software"

João Dias |

O país continua a construir estruturas para lançar-se com sustentabilidade na sociedade de informação e a prová-lo está o "Livro Branco das Tecnologias de Informação", o Angosat e o projecto de fibra óptica, entre outros.

Rui dos Santos afirma que o negócio em Angola tem altos e baixos mas há que distinguir três segmentos de mercado
Fotografia: José Cola |

O presidente do conselho de administração da SISTEC, Rui dos Santos, fala do mercado das TIC no país com os seus altos e baixos. O gestor da empresa angolana diz que as grandes marcas no ramo tomaram o mercado, mudaram completamente as regras do jogo, e sublinha que o mercado doméstico atravessa uma crise de “identidade”, pois quase nada é feito no país, onde são implementadas coisas pré-feitas, com quase zero de incorporação nacional. As empresas, ou se ajustam a isto, ou morrem, diz Rui dos Santos, que defende ser urgente  Angola ter software nacional  produzido por nacionais, e sugere que exista um “fundo perdido” para o efeito e assim contrapor a dependência a consultores estrangeiros e licenças de software, que podem dar origem a problemas se a situação de cambiais não mudar. Apesar disso, Rui dos Santos refere que o futuro das TIC  em Angola é promissor.

Jornal de Angola - A Sistec é uma empresa angolana que exerce a sua actividade há 24 anos e é líder de mercado nas áreas de electrónica de consumo, informática e tecnologias de informação. O que significa fazer negócio no domínio das TIC em Angola?

Rui  dos Santos
- O negócio das TIC em Angola tem altos e baixos e tem “tempos”. Para além disso há que distinguir três segmentos de mercado. O primeiro é o corporativo, o segundo é o mercado de retalho e o terceiro segmento tem a ver com a ligação do mercado aos grandes contratos, geralmente associados a fornecimentos ao Estado. Agradecemos as palavras sobre “sermos líderes” mas sinceramente não sinto que o somos. Fomos pioneiros, isso sim, e ocupamos ainda uma posição importante no mercado com presença em 14 cidades, 12 províncias e 1.158 postos de trabalho no país.

Jornal de Angola – E sobre os negócios?

Rui dos Santos –
Boa pergunta. Sobre o fazer negócio propriamente dito, tem sido uma luta constante, sobretudo, porque existe neste momento um conjunto de padrões internacionais associados às grandes corporações que são hoje obrigatórios nos fornecimentos, fundamentalmente, nos grandes contratos. Isso retira às empresas como a Sistec a possibilidade de poderem concorrer devido aos requisitos de certificação. No mercado de consumo e corporate, a Sistec continua o seu trabalho como sempre fez e procura apresentar aos seus clientes a melhor equação qualidade, preço e serviço.

Jornal de Angola - A Sistec opera no país há 24 anos no ramo das TIC. Ao longo destes anos que grandes mudanças se operaram neste domínio?

Rui dos Santos
- Os estágios das TIC em Angola, na minha visão, passaram, primeiro, por sistemas manuais com base em prancheta RUF e Kalamazoo até meados dos anos 1960 e,  segundo, por sistemas manuais em conjunto com sistemas electromecânicos e pouca electrónica do tipo IBM1401/IBM360/IBM370/NCR Century 100/ NCR32/Olivetti BCS30Century até meados dos anos 80. Em 1981 a Protécnica, antecessora da Sistec, introduziu os PC  com base nos Zilog Z80 e sistema operativo CP/M. Entre 1981 e 1983, Angola, no domínio dos PC  e software para PC  estava mais avançada que Portugal, que ainda vivia à volta dos minis e do processamento batch. Em PC  tinha aplicações em Basic. Depois as coisas começaram a rodar a uma velocidade muito grande e surgiram os MS-DOS/redes NetWare/IBM iSeries.

Jornal de Angola – Que momentos marcaram a direcção do mercado nacional no que respeita às TIC?

Rui dos Santos
– Note-se que em meados dos anos 1980 a universidade quis impor uma regra à volta do UNIX e dos Computadores DG. Não conseguiu ter sucesso e os PC  ganharam e hoje está provado que a universidade é que estava certa. Nos anos 1990 havia muito software angolano desenvolvido no país. Quando foi feita a mudança do Plano de Contas praticamente todo o software angolano “caiu” por várias razões mas a mais importante é que na altura só havia sofware “pronto e provado” em Portugal preparado para entrar “logo” em funcionamento em Angola. A segunda grande razão foi o facto dos profissionais angolanos na altura, começarem a ser cobiçados pelas empresas estrangeiras que, fruto dos grandes contratos que tinham com Angola, pagavam valores que nenhuma empresa angolana tinha hipóteses de pagar.

Jornais de Angola – Os angolanos mostraram capacidade na altura. Hoje somos apenas bons consumidores de TIC mas pouco contribuímos para o seu enriquecimento e diversidade?

Rui dos Santos
– Finalmente, devo referir que os “complience” e “certificações” e “grandes nomes e marcas” tomaram o mercado, tal é o caso do Oracle, SAP, Microsoft etc. Estas empresas que operam no país mudaram completamente as regras do jogo porque na prática “deixou de se produzir” seja o que for e tudo tem que ter “padrão” grande marca, porque, senão, não vende. Estamos, por isso, a atravessar a maior crise de “identidade” do sector. Quase nada é feito em Angola neste momento. São só consultores a implementar coisas pré-feitas, com quase zero de incorporação nacional. As empresas ou se ajustam a isto ou morrem.

Jornal de Angola - Volvidos 14 de anos de paz no país, urge a necessidade de desenvolver, o mais breve possível, as competências internas para dar resposta sustentada aos desafios de desenvolvimento do sector das TIC em Angola. Sente que o país segue o rumo certo para a realização deste enorme desafio?

Rui dos Santos
– Definitivamente não. Fala-se e fala-se mais e mais. Mas os negócios só são assinados com grandes marcas internacionais.  Neste momento até simples aplicações ERP/CRM são estrangeiras. A título de exemplo, o Brasil, nos anos 1980 apostou sério no Unix e na sua indústria de software e hoje dá cartas nesse aspecto. Determinados contratos (numa das conferências onde estive presente, eles referiram 30 por cento) do Estado só são adjudicados a empresas 100 por cento brasileiras, propriedade de brasileiros e com equipas de desenvolvimento 100 por cento brasileiras.  Aqui não acontece isso.

Jornal de Angola - Vê o mercado nacional das TIC animado nas suas variadas nuances, inclusive no domínio da formação ou nem por isso? 

Rui dos Santos
- É assim, e como dizem hoje os jovens, se alguém tiver a faca e o queijo na mão vai dar a faca a alguém para “lhe cortar o queijo”? Não, claro que não. No domínio da formação profissional é o que acontece. Quem tem a faca e o queijo na mão não “dá a faca” e criou uma permanente dependência de quem precisa de comer o queijo. Isso faz-se através de “formações parciais” (nunca se está 100 por cento certificado), através de “upgrades que exigem novas certificações” e por aí fora. Sobre o sistema da formação tradicional, estou a falar do Ministério da Educação, do Ensino Superior, do Trabalho, bem como o ensino privado, há algumas unidades que dão mais do que outras. Mas na prática, a missão destes órgãos de formação é preparar as bases.  Aí está a fazer-se bastante, com realce para a ITEL, que desde sempre preparou profissionais para o mercado, o ISUTIC e a Universidade Agostinho Neto, Católica e Metodista. Mas da formação a “fazer a diferença no mercado vai uma grande diferença”.

Jornal de Angola - O "Livro Branco para as Tecnologias de Informação e Comunicação" tem respostas para o verdadeiro e sustentado crescimento do sector?

Rui dos Santos
- O (s) Livros Branco(s) dos países estão sempre a “um passo atrás do mercado”. Mas são um elemento importante na criação de linhas de orientação da regulação.  Para mim, o Livro Branco angolano tem respondido ao que o mercado procura e têm sido feitos os ajustes necessários e possíveis. Como é óbvio, em muitas coisas, o Livro Branco “choca” com os interesses de alguns operadores e quando acontece fica difícil gerir, mas, pelo que sei, tem sido possível ultrapassar os problemas.

Jornal de Angola - Na sua opinião, que políticas devem ser aplicadas em Angola para assegurar a universalidade do acesso às TIC e por via desta aos serviços da Sociedade de Informação?

Rui dos Santos
- Esta pergunta pega um pouco na questão do Livro Branco. Mas, vejamos: o mercado das TIC funciona como qualquer outro mercado, através da regra da oferta e procura.  A cobertura nacional do país tem a ver com a “capilaridade” da população uma vez que é essa capilaridade que, em cada ponto do país, dá a economia de escala para que seja rentável fazer determinado investimento. A rede celular, sobretudo, as células dos últimos dez anos,  criou um processo de aceleração porque conseguem ser fornecidas a um preço que torna a quantidade de população necessária para montar uma Base Transceiver Station (BTS) mais pequena. Creio que quer o Estado através da sua operadora nacional, quer os operadores privados, têm conseguido dar corpo ao mercado com uma velocidade aceitável. “Penso que em 2017 Angola tem condições de cobriros 1,2 milhões de quilómetros quadrados a 100 por cento”

Jornal de Angola – Pelo que vê, o país tem condições para cobrir todo o território nacional?

Rui dos Santos -
Sublinhe-se que Angola tem 1,246.700 quilómetros quadrados. É muito caro “cobrir o país a 100 por cento”. Daí que Angola decidiu adquirir um Satélite que via funcionar em Banda C e Banda Ku no sentido de conseguir cobrir as partes do país onde não é fácil ir por via terrestre, conseguir-se baixar custos destes serviços, conseguir igualmente fazer “back up” para as ligações principais e ainda conseguir “vender” a terceiros países essas larguras de Banda. Creio que em 2017 Angola tem condições de dizer que consegue “cobrir os 1,2 milhões de quilómetros quadrados a 100 por cento”.

Jornal de Angola – Na sua opinião como deve ser estimulado o desenvolvimento da Sociedade de Informação em Angola e como dar corpo a desafios com Redes de Nova Geração (RNG), convergência de plataformas e serviços e as novas aplicações informáticas?

Rui dos Santos
- O que eu referi atrás sobre as “regras de mercado” aplica-se neste caso, com realce para a economia de escala e clientes. Neste momento o “upgrade” para as Redes de Nova Geração (RNG) em todos os operadores angolanos são relativamente fáceis de ser feitos em termos técnicos. O grosso das células está no terreno. Os geradores e as torres existem e a mudança tecnológica é relativamente simples porque inclusive os fabricantes fizeram sistema “backward compatible”. Isto quer dizer que, o cliente final não precisa de mudar nada para continuar a funcionar.  E dar corpo aos novos desafios, passa exactamente por aí e em fazer uma análise económica de cada célula e ver se o investimento versus retorno se processa em termos razoáveis. Acho que é simplesmente isso que tem de ser feito.

Jornal de Angola - O Estado desempenha uma função crucial neste processo?

Rui dos Santos –
Claro. Em breve, o Estado vai disponibilizar frequências novas que, sendo mais baixas, exigem menos BTS  para fazer o mesmo trabalho. Isto quer dizer que, mais uma vez, fazendo contas, os operadores que conseguirem comprar essa frequência, vão poder “cortar nos custos” de operação porque podem vir a ter necessidade de menos BTS. Note-se que actualmente um dos maiores custos dos operadores é manter os geradores, segurança e logística das BTS.

Jornal de Angola - Acha que o país proporciona um ambiente capaz de acelerar a melhoria dos indicadores de referência do sector das TIC, nomeadamente o Índice de Acesso Digital e até do investimento privado neste domínio?

Rui dos Santos -
Eu penso que o país está a “ceder” a uma pressão internacional de países, empresas, consultores, organismos internacionais num conjunto de processos que obedecem a uma métrica que não se ajusta à nossa realidade. Isto aplica-se às TIC e não só.  Essas métricas foram desenhadas para países que não tiveram e não têm a nossa realidade e tamanho. Há muitas destas métricas, que entretanto, e de uma forma ou de outra forma, são transformadas em leis e decretos. Isto aplica-se a muitas coisas, desde as TIC  até ao sistema fiscal. Eu classifico isto de neocolonialismo de processos. Estes processos, por sua vez, não estão “sincronizados” com o nosso sistema educacional, facto que provoca carências de recursos humanos que só podem ser supridas por especialistas estrangeiros. 

Jornal de Angola – E o que dizer do ambiente de negócios para o sector?

Rui dos Santos
– Tentando responder à sua pergunta, o ambiente está a ser criado mas não para empresas Angolanas. As empresas podem ser até “residentes fiscais” mas ficam na mão diante de compromissos societários ou mesmo de licenciamento que não são angolanas. Na área das TIC, até aos anos 90 existiam em Angola várias empresas a fazer software de gestão, que hoje se chamam de ERP/HR/CRM. Nos anos 90, sem qualquer consulta aos profissionais de contabilidade ou de software, foi aprovado o novo plano de contas, que não tem lógica matemática, coisa que o plano antigo tinha. Depois, vieram as empresas de fora que tinham os softwares prontos e adaptados para esse Plano de Contas. Associado ao software, essas mesmas empresas tinham tudo pronto em relação aos processos e formação. Por isso, ganharam três vezes: no software, nos serviços e na formação aos profissionais angolanos que, entretanto, não tiveram outra opção senão formarem-se nestes novos processos e métodos. Mais recentemente aconteceu o mesmo com os códigos dos vários impostos aprovados.  

Jornal de Angola - Do ponto de vista do quadro legislativo face a necessidade de desenvolvimento do mercado, maior liberalização e estímulo à concorrência, sente que o sector está bem servido?

Rui dos Santos
– Não conheço a legislação de outros países. Posso, no entanto, dizer que, em minha opinião, em Angola, temos feito legislação adequada, feita por pessoas que conhecem bem o sector. A única falha que eu sinto tem a ver com o contexto geral e da forma como aparentemente os Governos hoje funcionam. Trata-se da necessidade urgente que Angola tem de ter software nacional e produzido por nacionais, mas vai ser muito difícil ser feito apenas numa óptica de mercado pelas empresas. Tem que haver uma alavancagem. Eu defendo que, à semelhança do que faz o Brasil, que fizeram a Coreia do Sul e Taiwan, devem existir contratos que só possam ser feitos por nacionais e deve existir um “fundo perdido” para o desenvolvimento de algum Software e mesmo hardware nacional.

Jornal de Angola - O reforço da concorrência e a liberalização dos serviços constituem também pontos de afirmação para o crescimento e massificação das tecnologias em Angola. Caminhamos nessa direcção ou nem por isso?  

Rui dos Santos
– Não caminhamos nessa direcção, na medida em que a dependência do exterior em termos de software é grave. Se não houver divisas, o país corre o risco de parar. SAP, Oracle, MSFT e outros, se não receberem o dinheiro das licenças “desligam” os softwares.

Jornal de Angola - Como vê o processo de criação de infra-estruturas para suportar as TIC, principalmente a construção de cluster e como avalia, sobretudo, a democratização do acesso à internet e o nível de info-inclusão dos cidadãos?

Rui dos Santos -
Angola hoje pode dizer que tem infra-estruturas muito boas e que não estão simplesmente a ser usadas. Fruto de um conjunto de razões, inclusive a evolução tecnológica, assiste-se hoje a construção de várias estruturas, sobretudo do Estado, com belíssimos data centers, também sem uso. Portanto, em termos de infra-estruturas acho que temos o necessário. É só usar. Por outro lado hoje, existe a “cloud”. Os custos da “nuvem” são hoje muito acessíveis. Existe a internet que praticamente está no País todo e onde não existir existem as redes VSat. Agora as redes Vsat ainda não são do nosso satélite angolano mas já existem. Em suma, não há razão para “info-exclusão”. É tudo só, uma questão “económica” .

Jornal de Angola - O que representa para si o projecto Angosat, primeiro satélite angolano, cuja conclusão está prevista para início de 2017?

Rui dos Santos
- Falo disso acima. Porém, sublinho que conheço as pessoas que estão por detrás do projecto. São pessoas que têm competências e que, inclusive, foram elogiadas por pessoal do sector que veio a Angola. Esse pessoal disse que se Angola mantiver as mesmas pessoas tem tudo para “dar certo” porque, em comparação com Nigéria e Argélia, focaram especificamente estes dois exemplos, Angola estava bem mais preparada para “ter satélite próprio”.  Acredito que seja positivo no sector e que vai permitir “baixar preços”. Tudo vai depender de como se vão vender e por que preços o segmento espacial que vai ser disponibilizado. O satélite angolano neste momento vai servir essencialmente para os aspectos que acima refiro.

Jornal de Angola - A existência do Livro Branco, Angosat e a implantação dos cabos de fibra do Brasil à Angola, enviam um sinal positivo para os operadores e “players” do mercado das TIC?

Rui dos Santos -
Sim, claro. Não conheço profundamente as nuances relacionadas com os Cabos de fibra que vão ligar Angola ao Brasil e EUA, mas conheço as pessoas que estão por detrás do projecto e como tal penso que existem razões económicas bem estruturadas para suportar tal investimento. Largura de banda em fibra é hoje algo que obrigatoriamente é o futuro. A quantidade de informação que circula pelo mundo hoje precisa de fibra.

Jornal de Angola – Parecem  animadoras as perspectivas neste domínio e como vê o sector e o modo de fazer negócios no ramo das tecnologias nos próximos dez anos?

Rui dos Santos
- Os próximos cinco anos vão ser muito interessantes. O mercado tem que ser separado em vários segmentos. Primeiro, o consumo de TIC, que de uma forma ou de outra, vai continuar. Vai ter problemas a curto prazo porque as empresas não estão a poder repor os seus stocks e inclusive existem empresas a fechar mas, repito, mesmo que seja através de dispositivos que se adquiram no exterior, de algum modo, vai continuar. O segundo, que é o das TIC, na perspectiva corporativa, vai igualmente continuar. Ninguém hoje pode funcionar sem TIC. Mais uma vez, gostava de ver aqui mais “software e sistemas angolanos” mas isso é a minha opinião. O terceiro segmento tem que ver com o Estado e aqui pode haver problemas. A dependência que existe neste domínio de consultores estrangeiros e licenças caras em software podem dar origem a problemas se a situação de cambiais não mudar.

Jornal de Angola – O que nos diz o quarto segmento?

Rui dos Santos
- O quarto segmento tem a ver com as comunicações que envolve os grandes operadores. Neste segmento, vai haver talvez alguma convergência porque o mercado não é suficientemente grande para todos. Quanto aos pequenos operadores, creio que vai haver mesmo convergências porque o mercado não consegue ter economia de escala para os três grandes, que também fazem o serviço dos pequenos.

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