Entrevista

Diálogo é forma mais inteligente de dirimir conflitos

Flávia Massua| Saurimo

O bispo da Conferência Anual do Leste de Angola da Igreja Metodista Unida, José Quipungo, louvou a iniciativa do Presidente da República de dialogar com os jovens. Em entrevista ao Jornal de Angola, o bispo disse que o Fórum Nacional da Juventude foi a forma mais inteligente de dirimir conflitos.

Bispo José Quipungo afirma que o Presidente da República deu um exemplo ao mundo
Fotografia: Kamuanga Júlia| Saurimo

José Quipungo considerou que o Presidente República não fez outra coisa senão dar exemplo ao mundo sobre a melhor forma de conquistar e preservar a paz, concórdia e a harmonia entre os cidadãos. A satisfação das necessidades básicas essenciais, afirma, reduz o uso abusivo de bebidas alcoólicas, drogas, a delinquência e outras práticas que atentam contra a estabilidade da sociedade.

Jornal de Angola – Como interpreta a iniciativa do Presidente da República de dialogar com os jovens angolanos?

José Quipungo –
É uma atitude louvável, digna de um mestre. Angola, mais do que um país, é um canteiro de jovens dinâmicos e vigorosos e actividades como esta são necessárias, pois criam uma grande motivação no seio dos jovens. O Presidente José Eduardo dos Santos não fez mais do que aquilo que aprendeu na sua juventude, reflectida na vida cristã. Temos estado a orar a Deus para que continue a ter essa força de espírito e sabedoria para que o mundo, e a África em particular, adopte o diálogo como via indispensável para a conquista e preservação da paz, mediante a reconciliação entre as pessoas.

JA - Daqui em diante, qual deve ser a postura dos jovens?

JQ –
Os jovens devem encarar esta sublime oportunidade dada pelo Presidente da República como um novo caminho a trilhar. É um ponto especial de partida, apesar de muitos estarem integrados nos vários sectores da vida social, económica e política do país.

JA – Que opinião tem sobre as questões apresentadas pelos jovens durante os encontros provinciais?

JQ –
De um modo geral, foram pragmáticos e provaram que sabem o que querem. Focalizaram a questão do emprego e habitação, por serem os principais problemas que os afligem. Se uma pessoa trabalha e tem uma casa para viver com a família, está melhor habilitada a servir o Estado. A satisfação das necessidades básicas essenciais reduz o uso abusivo de bebidas alcoólicas, drogas, a delinquência e outras práticas que atentam contra a estabilidade da sociedade.

JA – Acredita que o povo angolano tem uma cultura religiosa?

JQ –
Sim! Eu vinha a conversar com o meu superintendente e dizia-lhe que o povo angolano tem cultura religiosa. O que distrai as pessoas é a crença no feitiço. A nossa missão na Terra é continuar a alertar o povo de Deus, o soberano dos soberanos. A morte e a doença existem desde que o mundo é mundo.

JA – Já pensou no legado que vai deixar à Igreja depois de reformado?

JQ –
A liderança não é um facto estático, mas sim dinâmico que passa de geração em geração. Todo e qualquer dirigente deve pensar nisso a partir do primeiro dia em que assume uma responsabilidade. Deve interiorizar que a tomada de posse para este ou aquele cargo significa substituir alguém. Neste mês de Setembro, recordo o saudoso Presidente Agostinho Neto que muito cedo partiu deste mundo e foi substituído pelo actual Presidente, José Eduardo dos Santos. No meu caso, lidero a Igreja na Conferência Anual do Leste de Angola, mas daqui a pouco sou aposentado e para este lugar vem um jovem, ou uma jovem, para dar continuidade aos trabalhos divinos.

JA – Como têm agido no caso das denúncias de feitiçaria por parte dos fiéis?

JQ –
O feitiço é uma questão meramente cultural. Falar do feitiço é respeitar e reconhecer a sua existência. Faz parte da nossa cultura. Aos membros da minha Igreja eu digo, reiteradamente, que quando já se converteram ao cristianismo devem deixar tudo e crer somente em Deus como Único Salvador e Senhor. Eu não posso acreditar que um cristão continue a crer no feiticismo ou a praticá-lo. Ou se acredita no feitiço ou se acredita no Senhor, Pai Celestial. Vamos continuar a falar deste assunto, que infelizmente não acaba de um dia para o outro. Passa também pela questão da educação.

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