Entrevista

"Empresas aumentam emprego e reduzem a pobreza"

Yara Simão |

Recinto foi favorável ao estabelecimento de contactos e parcerias para futuros negócios. As empresas angolanas têm colaborado com o Executivo na concretização dos grandes objectivos de diversificação da economia, aumento do emprego e redução da pobreza e das assimetrias regionais.

Paixão Júnior afirma que é possível diversificar a economia e reduzir a pobreza no país
Fotografia: José Cola

A afirmação foi feita ao Jornal de Angola pelo presidente do Conselho de Administração do Banco de Poupança e Crédito (BPC), Paixão Júnior. Os programas de fomento empresarial do Executivo, como o PROAPEN e o Angola Investe, deram um novo impulso à actividade das empresas angolanas, criando as condições para a sua organização e desenvolvimento.

Jornal de Angola - O empresariado angolano está ao nível do internacional?


Paixão Júnior - Consideramos que existe um número bastante reduzido de empresas com nível organizacional de parâmetros internacionais. E a internacionalização do Banco de Poupança e Crédito é também um objectivo a concretizar nos próximos anos.

JA- O BPC tem balcões em todos os municípios do país?


PJ- Nos próximos anos, o Banco vai continuar a centrar os seus esforços na expansão da rede de agências, seguindo o objectivo de instalar, pelo menos, um balcão em todos os municípios do país. O desenvolvimento dos canais e dos serviços electrónicos, a diversificação e inovação dos produtos, a adequação das soluções tecnológicas ao negócio, a reestruturação dos processos internos e a formação dos recursos humanos, visando a melhoria da qualidade dos serviços, da produtividade e da rentabilidade da instituição são, além da expansão da rede, os grandes projectos do BPC.

JA- Há projectos concretos para apoiar a juventude?

PJ- Firmámos dois protocolos de cooperação com o Ministério da Juventude e dos Desportos, tendo em vista o apoio à juventude, designadamente o ”Crédito Jovem” e os “Bairros Sociais da Juventude” no valor 500 milhões de kwanzas e cinco mil milhões, sendo que o primeiro visa a concessão de pequenos empréstimos aos jovens empreendedores, e o segundo tem como objectivo a concessão de empréstimos para aquisição de habitação social.

JA- O que tem sido feito para promover a classe empresarial?

PJ- O BPC assinou com o Executivo um memorando para operacionalização do Programa de Apoio aos Pequenos Negócios (PROAPEN), designado “Meu negócio, Minha vida”, e o protocolo para o desenvolvimento das micro, pequenas e médias empresas, designado “Angola Investe”, tendo concedido, ao abrigo destes dois programas, cerca de 8,6 mil milhões de kwanzas e 1,5 mil milhões.

JA- Que outros créditos tem para a juventude?


PJ- O banco põe, ainda, à disposição dos jovens que tenham já iniciado a actividade laboral com os seus salários domiciliados no BPC, os produtos tradicionais, como o “Crédito ao Consumo” e o “Crédito Automóvel”.

JA- Há algum projecto para a mulher empresária?


PJ- Para já não, mas tem sido dedicada uma atenção especial às mulheres, de uma forma geral. Prova disso, foi a inauguração da agência Feminina no distrito da Samba, a primeira de várias que o BPC vai instalar em várias províncias e que, com apenas funcionárias do sexo feminino, deve atender prioritariamente as mulheres, oferecendo produtos e serviços específicos.

JA- Como surgiu a iniciativa?


PJ- Como um reconhecimento à mulher angolana pelo seu empenho na construção da sociedade angolana. No domínio do microcrédito, o BPC oferece o produto “Bancos Comunitários”, que consiste numa modalidade de empréstimo, em que os recursos são canalizados para as associações, fundamentalmente de mulheres que exercem actividade comercial no mercado informal.

JA- Como vê a relação entre o empresariado e o Executivo?

PJ- As empresas angolanas têm colaborado com o Executivo na concretização dos grandes objectivos de diversificação da economia, aumento do emprego e redução da pobreza e das assimetrias regionais.

JA- Como classifica a classe empresarial angolana?

PJ- É uma classe empresarial emergente, que está a dar os primeiros sinais de afirmação. Tem ainda de melhorar os seus procedimentos e aprimorar a organização, os métodos de gestão, para corresponder aos parâmetros internacionais de uma empresa.

JA- Há muitas reclamações sobre o funcionamento do BPC?

PJ- Durante o primeiro semestre deste ano foram recebidas, em média, 15 reclamações por mês, fundamentalmente relacionadas com pedidos de crédito e com o serviço Multicaixa. O BPC tem dado o devido tratamento às reclamações, em conformidade com os procedimentos estabelecidos pelo BNA.

JA- Qual é a taxa de crédito vencido?


PJ- Situou-se, no fim de 2012, em 16,1 por cento. Analisando a estrutura do crédito vencido por tipo de cliente, verificámos que as empresas absorviam cerca de 70 por cento do total e os particulares 30 por cento. Estes números permitem-nos concluir que, de um modo geral, os clientes honram os seus compromissos, embora sintam algumas dificuldades no segmento de empresas. Pensamos que estes indicadores podem melhorar, com a descida das taxas de juro, dado o impacto que esta variável tem na capacidade de endividamento dos clientes.

JA- Os beneficiários de crédito apresentam sempre projectos estruturados?

PJ- Apenas uma pequena percentagem dos projectos apresentados reúne os requisitos fundamentais para que o crédito possa ser concedido. A título de exemplo, posso dizer que, das 3.400 solicitações de crédito de empresas que deram entrada em 2012, apenas 768 (23 por cento) foram aprovadas. As dificuldades estão, fundamentalmente, relacionadas com a ausência de informação contabilística que permita aferir a capacidade económica e financeira das empresas, e com a fraca qualidade das garantias que são apresentadas.

JA- Quais são as linhas de crédito disponíveis?

PJ- O BPC tem disponíveis cinco mil milhões de kwanzas para o financiamento de projectos ao abrigo do programa “Angola Investe”. Também dispõe de uma linha de crédito do Banco de Desenvolvimento de Angola, no valor de mil milhões de kwanzas, para o financiamento de projectos no âmbito do programa “Crédito Agrícola de Investimento”. Além disso, tem firmados acordos com instituições estrangeiras para a abertura de linhas de crédito para o financiamento de projectos de infra-estruturas. 

JA -A banca está a desempenhar o seu papel?

PJ- Entendemos que, de uma forma geral, a banca angolana tem desempenhado o seu papel. Temos assistido a uma constante modernização tecnológica da banca e a uma grande expansão da rede de agências por todo o país, o que tem permitido levar os serviços bancários, inclusive, às comunidades mais recônditas, contribuindo para a inserção social, redução das assimetrias regionais e aumento da carteira de clientes.

JA- Isso alarga o crédito a vários sectores económicos?

PJ- Só em 2012 foram abertas, em várias localidades, 230 novas agências bancárias. Além disso, o apoio da banca no relançamento da economia tem sido preponderante. De acordo com dados publicados pelo BNA, o crédito concedido aos vários sectores da economia cresceu 24 por cento em 2012, atingindo 27 mil milhões, o que corresponde a cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto. Neste domínio, importa referir o aumento do crédito aos sectores estratégicos da economia, como a Agricultura, a Indústria e a Construção, o que se reflecte positivamente nas taxas de crescimento destes sectores.

Tempo

Multimédia